A coligação "Basta!" foi aprovada pelo Tribunal Constitucional, no Palácio Ratton. Não deixa de ser curioso que um movimento que defende as "fronteiras fortes" (eufemismo para fronteiras gordas) tenha sido validado por um palácio com o nome de um imigrante. Felizmente, depois de o nome "chega" ser rejeitado pelo impedimento de uma coligação ter o nome de um dos partidos que a compõem, os juízes aceitaram "basta". Provavelmente, fatia considerável do orçamento desta plataforma terá sido gasto em especialistas em sinonímia. Caso o Ratton rejeitasse "Basta!", André Ventura já teria preparado atacar com "Parou!", "Stop", "Alto e pára o baile!", "Rebenta a bolha!", "Que se interrompa determinadas acções!" e "Já te disse para parares com essa merda senão levas nos cornos".

Temos uma ideia menos do que vaga de quais serão as propostas da coligação Basta para a Europa. Por outro lado, é claro que André Ventura já anda a deixar propostas por cumprir. A 3 de Abril, Ventura assegurava ao i que iria rejeitar alterar o nome da coligação e que não avançaria caso a "identidade Chega" não estivesse presente no boletim de voto. Ventura quer combater a identidade de género, mas preocupa-se demasiado com a identidade de partido. Interessante, pensava que tais picuinhices eram exclusivas das pessoas que André Ventura quer proibir que se casem.

Esta coligação espera obter meio milhão de euros para esta campanha, do qual 400 mil euros serão provenientes de donativos. Pequenos donativos de apoiantes. Eu é que não consegui encontrar no Google como é que se dá dinheiro ao Basta!, acredito que sejam todas em dinheiro. Ou, para replicar as trocas económicas do tempo que André Ventura deseja recuperar, em género. Desde que não tenha identidade.

Os cartazes estão por aí, para tornar a nossa experiência no trânsito mais desagradável. Um deles propõe "prisão perpétua para monstros". É preciso não ter visto o filme de animação "Monstros e Companhia", da Pixar, para lhes desejar moldura penal tão degradante. Mais tarde talvez possamos vir a perceber quanto do orçamento será gasto, como habitual em movimentos da família do Chega, em desinformação nas redes sociais. Quem também tem umas redes sociais muito giras é a polícia, da qual dois líderes sindicais fazem parte das listas. Basta depois publicar no Facebook uma fotografia com um subcomissário de barba a dizer "bom dia!" e todos esqueceremos a associação à alt-right.

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