Apesar de Israel nestes anos já ter assassinado milhares de pessoas, incluindo mais de 500 crianças, apesar de Israel estar a colonizar a Palestina e a expulsar milhares (mais de 700 mil) de palestinianos das suas casas desde 1948, apesar de o Hamas ter rockets feitos em casa e fisgas para atirar pedras e de Israel ter um dos maiores e mais poderosos exércitos do mundo financiados também pelos EUA (biliões de dólares por ano), apesar de Israel levar a cabo um apartheid (e limpeza étnica) em que impede a Palestina de ter eleições livres, de ter acesso a electricidade, água e ao desenvolvimento de indústria e agricultura próprias, apesar disto tudo e ainda mais, trata-se de um conflito porque há dois lados e nós, como pessoas moderadas, temos de saber sempre ver os dois lados.

Vejamos como boa parte da imprensa é sempre imparcial, como o canal DW (alemão) que disse que 12 crianças foram mortas enquanto lutavam contra Israel, ou como a SIC disse “já morreram mais de 120 pessoas dos dois lados do conflito”, apesar de 99% destes 120 mortos serem palestinianos. É importante este tipo de imparcialidade. Mas também tivemos o governo português e a Ursula von der Leyen a mostrar muita preocupação com Israel, e claro que o Biden e a Kamala apoiam imenso Israel no genocídio que é só um conflito inevitável. Tudo imparciais, não é nada por interesses económicos.

Além disso, também há muita gente que diz, e bem, que não consegue ter uma opinião sobre o que se passa. Esta neutralidade e moderação são muito importantes se queremos ser pessoas sérias, e se não temos estudos sobre os assuntos mais vale ficarmos calados. Por exemplo, se não tivermos um doutoramento sobre o Holocausto, como é que vamos saber se foi um genocídio ou um conflito? Impossível. Há dois lados da história e se calhar os nazis estavam só a defender-se.

No caso da Palestina e de Israel é o mesmo. Pode parecer que é um genocídio de uma super-potência contra um país praticamente indefeso, como se um grupo de 50 lutadores de artes marciais estivessem a espancar uma criança, mas não deixam de ser dois lados. Por isso, não se esqueçam, não tomar nenhum lado não quer dizer que estejam do lado do opressor, só quer dizer que são pessoas ponderadas.

Sugestões mais ou menos culturais que, no caso de não valerem a pena, vos permitem vir insultar-me e cobrar-me uma jola:

- Fumaça: vale a pena voltar a ouvir a grande reportagem que fizeram na Palestina.

- Big Little Lies: Só agora vi. Gostei muito.

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