Ruth Bader Ginsburg deu a vida pela humanidade. Não no sentido de mártir, ou no sentido literal de ter morrido por algo, mas no sentido de ter vivido por esse algo, de ter dado todo o seu tempo em vida ao que era muito maior que ela, maior que cada um de nós. Tudo o que fez pela igualdade de género, não foi sobre ela, sobre as mulheres ou sobre os EUA, foi sobretudo por um mundo mais justo. Às vezes ainda parece que está quase tudo por fazer, mas depois lembramo-nos de Ruth e percebemos que é possível fazê-lo.

Assim como também há muita coisa que já tem sido feita, mas cuja perenidade não nos está nunca garantida, mesmo que estejamos a falar de valores de somenos importância, claro, como são a democracia e a liberdade. E é isso que alguns querem fazer. Caducar esses valores. Corruptos mascarados de anti-corruptos, carcereiros de libertadores, racistas de anti-racistas, fascistas de democratas.

Fazem barulho. Fazem muito barulho. Não têm pejo na defesa do patriarcado, da supremacia branca, na heteronormatividade dogmática, ou em gritar que são pelo povo, enquanto enganam o povo, quando são só por eles mesmos. Dizem-se pela liberdade, por essa liberdade tão própria e minúscula, enquanto o ódio lhes arde no sangue por causa da nossa liberdade. Dói-lhes profundamente que a individualidade de cada um de nós no género, etnia ou orientação sexual, seja um colectivo maior do que toda a sua mesquinhez. Por mais que gritem, por mais que berrem, por mais que façam barulho, não passarão.

Em Évora a liberdade cantou mais alto. Zeca cantou mais alto, Zé Mário cantou mais alto, o povo, que nas suas diferenças se une no amor e na liberdade, cantou mais alto. Como cantaremos sempre todos mais alto.

E isto tudo tocou-me. Mesmo com a tristeza da morte de tal ícone, é comovente ver as redes sociais assoberbadas na defesa da igualdade e da liberdade.

Portanto, pelo que acreditamos, façamos mais barulho, cantemos mais alto. E nunca nos esqueçamos que somos muitos mais.

Sugestões mais ou menos culturais que, no caso de não valerem a pena, vos permitem vir insultar-me e cobrar-me uma jola:

- Não Posso Ser Quem Somos?: estou praticamente no fim deste belo livro de Andrea Peniche, Bruno Sena Martins, Cristina Roldão e Francisco Louçã

- Utopia for Realists: Também gostei muito deste que li esta semana, do historiado Rutger Bregman

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