Nos últimos dias, os centristas contestaram a distribuição de lugares na ala mais à direita da Assembleia da República, defendendo que não há nenhum grupo parlamentar que vá ter um deputado de uma força política diferente no meio dos seus deputados, como será o seu caso. Parece que a solução até pode passar pela abertura de uma porta especial para André Ventura, mas eu sugiro a construção de uma subcave ou a abertura de uma janela, pois poderá dar mais jeito quando tivermos vergonha do que lá iremos ver e ouvir.

Esta discussão mais parece um arrufo entre taxistas de praças diferentes, pois disputar a extrema direita no parlamento parece que é hoje assunto de soberania. Mas o Chega no parlamento é apenas mais uma coisa má de um sistema político que apesar de imperfeito ainda é o melhor de todos: a Democracia.

O PCP também estava incomodado com uma espécie de "enclave" do PS, na zona da sua futura bancada. Talvez seja bom o Comité Central voltar a reunir e reavaliar os resultados eleitorais pois não acreditam que o PS obteve mais vinte e dois deputados que nas últimas eleições. No Comité Central ainda devem estar a cantar vitória, como nos velhos tempos, em que os comunistas ganhavam eleições sempre que as perdiam. Neste caso, os socialistas combinaram trocar cadeiras com os comunistas e pouparam nas obras para abrir uma nova porta à esquerda. Sinais de boa vizinhança, e de que o sucesso da “geringonça” sem extremismos de esquerda ainda está na boa memória de todos.

Parece que mais complicada é a solução para o Iniciativa Liberal, que se quer sentar entre o PS e o PSD. Mas parece que a bancada laranja só está disponível para ver o deputado João Cotrim de Figueiredo colado ao CDS. E eu que sempre pensei que tinham sido alguns militantes do PSD que tinham levado este deputado ao colo para o parlamento...

Lamento informar os deputados eleitos, mas os portugueses estão-se a borrifar para este espectáculo deprimente e degradante da nossa democracia. O que querem saber é o que pensam e defendem os seus deputados para o país. Muitos dos que são eleitos  como nossos representantes, esquecem-se que fazem agora parte de um órgão de soberania e não de uma assembleia de condóminos rasca.

Se continuarem com dificuldades e não chegarem a consenso na história das cadeiras, lancem o “Querido, mudei o Parlamento” no canal da Assembleia da República. Assim pelo menos teremos quem nos pague as mudanças que alguns deputados consideram ser urgentes para a democracia e para o país!

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