Trovoadas, climas e maternidades

Pedro Soares Botelho
Pedro Soares Botelho

Troveja. Os relâmpagos iluminam a avenida da Boavista, como se a espaços aleatórios e curtos a noite abrisse em dia. Depois, o estouro rebenta. É agosto, mas nem parece.

Ontem, aqui no Porto chovia como se fosse fevereiro. A trovoada obrigava os motoristas desses Uber Eats e similares a procurar refúgio debaixo dos viadutos da VCI. Num posto de abastecimento à beira da rotunda do Bessa, ganhavam coragem para enfrentar a tormenta.

A semana arranca com Vila Real, Bragança, Viseu, Guarda e Castelo Branco sob aviso laranja devido à previsão de aguaceiros, granizo e trovoadas. Pelas mesmas razões, os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Coimbra, Portalegre, Évora e Beja vão estar entre as 13:00 e as 21:00 de hoje sob aviso amarelo.

Há de ser isto, o novo verão.

As alterações climáticas estão a acontecer e os seus efeitos andam a ser denunciados por cientistas, ativistas e líderes mundiais. António Guterres tem sido particularmente ativo no apelo a que se preste atenção às mudanças no clima.

Entretanto, administram-se os paliativos. O G7 destina à volta de 18 milhões de euros para apoiar o combate aos incêndios na floresta da Amazónia.

Em Portugal, vai-se discutindo o real impacto da exploração de lítio (que serve para fazer as baterias do “futuro elétrico”, que também faz mossa no ambiente).

Ainda a Norte, uma notícia daquelas que são boas. Um automóvel foi apanhado na A3 em excesso de velocidade. É mau. A velocidade é um dos principais fatores para a sinistralidade — só nesta semana que passou, a GNR do Porto detetou 224 condutores em excesso de velocidade e registou 225 acidentes.

Mas esta segunda-feira, o radar detetou um carro em alta velocidade. O destino? O Centro Materno-Infantil do Norte, no coração da cidade do Porto. A bordo seguia uma mulher em trabalho de parto. Depois de intersectarem a viatura, os militares perceberam a que se devia a alta velocidade e escoltaram a futura mãe até à maternidade.

Por falar em maternidade, Marcelo Rebelo de Sousa requereu ao Tribunal Constitucional a fiscalização preventiva do diploma sobre procriação medicamente assistida.

Termino com o dia mundial do cão, que hoje se assinala. Mas termino com uma notícia alarmante: “o número de animais abandonados continua a um nível perfeitamente absurdo”. disse Ricardo Lobo à agência Lusa. Ricardo é membro da direção da Associação Nacional de Médicos Veterinários dos Municípios e explica que em 2017 e 2018 o número de animais recolhidos pelos centros de recolha oficiais rondou os 41 mil e os 36 mil, respetivamente.

Os canis estão lotados, mas não é suposto que sejam eles a solução: resolver o problema não passa pela “construção infinita” de canis, uma vez que o país não está preparado para suportar os custos.

“Além de comportar um custo que o país não está preparado para suportar, não faz qualquer sentido […]”, precisou o veterinário, adiantando que cada município teria de construir “dois ou três canis todos os anos”, para albergar todos os animais abandonados.

O que fazer? Educar — logo a partir da escola, propõe.

Entre trovões e aguaceiros; boas notícias e histórias alarmantes, deste modo vai o mundo. Pelo menos, aquele a que aqui no SAPO24 temos estado atentos. Eu sou o Pedro Soares Botelho e hoje o dia foi assim.

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