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Na sua crónica sobre a cíclica e angustiante vertigem que é ver as férias chegarem ao fim, Marco Neves propõe uma solução original para que os últimos dias de descanso pareçam mais longos e que a sensação de que o trabalho está aí a uma segunda-feira de distância seja refreada.

(Não, não vou dizer qual é essa solução — para isso cliquem naquela hiperligaçãozinha ali em cima)

O intuito foi nobre e necessário, mas falta ainda resolver um problema mais agudo. É que férias não temo-las sempre — e é por isso que, quando chegam, sabem tão bem —, mas, a cada semana que passa, a maioria tem aqueles dois dias de descanso que servem para retemperar forças. Normalmente — repita-se, normalmente — esses dias ocorrem ao sábado e ao domingo, duas faces desse Janus que é o fim-de-semana.

Se o primeiro dia surge com aquela frescura e felicidade abundante, como se aquelas 48 horas de descanso fossem infinitas, o segundo chega com o peso fatalista de que cada fim-de-semana tem o seu, lá está, fim.

Este não é um assunto novo, toda a gente sabe que o domingo carrega consigo o peso da ansiedade de uma semana de trabalho que aí vem. É por isso que há vários artigos a oferecer soluções e explicações profissionais de como lidar com o fim cíclico do descanso. 

Carece, ainda assim, uma resposta universal, um paliativo estilo “tamanho único” para gentes de todas as ocupações e profissões, para que a segunda-feira não seja um bicho papão.

Uma das soluções pode passar por simplesmente continuar a trabalhar pelo fim-de-semana adentro. Foi o que fizeram os líderes do G7, grupo formado pelos países mais industrializados do mundo, que se reuniram na chiquérrima Biarritz durante estes dias para discutir desde a guerra comercial entre EUA e China até à crise ambiental na Amazónia, passando pela relação dos países ocidentais com o Irão.

No entanto, tudo tem mesmo de ter um fim e isso não é necessariamente uma coisa má. Veja-se que, finalmente, o incêndio que assolava a Gran Canária há 15 dias foi extinto. Outros enredos em curso, porém, tardam em não terminar, de Hong Kong ao Reino Unido.

Termino este texto com uma sugestão de canção. Não é como o domingo acaba, mas como muitas vezes começa. Porque os domingos às vezes custam mais por terem de carregar os excessos de sábado. Johnny Cash sabia-o perfeitamente quando cantou este "Sunday Morning Coming Down".

Hoje o dia foi assim por António Moura dos Santos.

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