O primeiro dia de campanha: por onde andaram os candidatos e porque tem de arranjar uma caneta

Tomás Albino Gomes
Tomás Albino Gomes

A campanha oficial para as eleições presidenciais de 24 de janeiro arrancou hoje. Devido às limitações provocadas pela pandemia de covid-19, apenas quatro dos sete candidatos realizaram iniciativas. Quem é que andou a fazer o quê?

  • O atual Presidente da República, e candidato, Marcelo Rebelo de Sousa, não teve agenda de campanha hoje, e assim continuará até dia 18, por estar em vigilância depois de ter tido um contacto com um elemento da sua Casa Civil infetado com o novo coronavírus.
  • Ana Gomes cancelou as ações previstas para hoje no distrito de Setúbal “face ao agravamento da situação sanitária”. A candidata previa começar a campanha com um contacto com pescadores e população local, seguindo-se um encontro com a direção do Centro Social, Cultural e Desportivo da Quinta do Conde e uma sessão pública no Barreiro, que deveria terminar antes da hora prevista pelo recolher obrigatório na maioria dos concelhos do país, pelas 13:00.
  • Tiago Mayan Gonçalves também não participou em ações de campanha.
  • Marisa Matias esteve em Loures (distrito de Lisboa), onde se reuniu com algumas das antigas trabalhadoras da Triumph, para colocar na agenda uma das suas bandeiras, a necessidade de rever a legislação laboral. À tarde, participou também num comício 'online', tendo ao seu lado a coordenadora do BE, Catarina Martins.
  • Também João Ferreira - que é apoiado pelo PCP e pelo PEV - contou com o apoio do secretário-geral comunista na sua primeira iniciativa do período oficial de campanha, tendo Jerónimo de Sousa aproveitado para realçar que a candidatura presidencial do seu camarada "é distinta" e "não se confunde" com as outras, por mais de esquerda que se autoafirmem ou por mais preocupações sociais que proclamem.
  • Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, arrancou a sua campanha com uma visita à Fortaleza de Peniche, no distrito de Leiria, por ser um local simbólico da luta pela democracia. Na iniciativa, que apelidou de "o serão das pedras", o antigo autarca apanhou algumas semelhantes aquelas que mostrou a André Ventura num debate televisivo, para simbolizar a diversidade de pessoas e de cores políticas envolvidas no 25 de Abril de 1974, e frisou a importância de os portugueses se virarem mais para o mar, a "grande porta para o mundo". O candidato anunciou ainda que vai cancelar as ações da sua campanha eleitoral durante o novo confinamento devido à pandemia de covid-19, que deverá ser decretado a partir de meados da próxima semana.

Que história é essa da caneta?

Também neste primeiro dia de campanha, pela voz do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, o Governo anunciou as regras para estas eleições que, devido à pandemia, não serão iguais a nenhuma outra que ocorreu em 46 anos, recordando que "nunca na história da democracia portuguesa uma campanha eleitoral decorreu num quadro de estado de emergência", mas "que a pandemia não suspende a democracia".

Cabrita apelou ao voto antecipado, revelando que mais de 20 mil eleitores já se inscreveram para votar no dia 17 de janeiro, em vez de no dia 24, anunciou a redução do número de eleitores máximo por mesas de voto (de 1.500 para mil) e pediu que cada eleitor, no dia em que for votar, leve a sua própria caneta. Medidas que visam garantir que "ir a uma secção de voto seja tão seguro como ir a uma escola, mais seguro do que ir a um supermercado ou a um restaurante".

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