O pedido formal de adesão à UE, novas sanções e os milhares de deslocados da guerra

A possibilidade do recurso a “armas nucleares” continua a ser uma preocupação, depois de o presidente russo, Vladimir Putin, ter anunciado a colocação das mesmas em estado de prontidão, possivelmente numa tentativa de dissuadir ajuda à Ucrânia.

À chegada à sede do Conselho, em Bruxelas, para uma videoconferência de ministros da Defesa da UE, o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, comentou que foi celebrado na Bielorrússia “um suposto referendo, um falso referendo, para alterar a Constituição e dar à Bielorrússia o estatuto de país nuclear”, terminando com o seu estatuto de “território sem armas nucleares”. Borrell alertou ainda que o fim da neutralidade nuclear da Bielorrússia é um caminho “muito perigoso” e lançou um apelo “ao povo bielorrusso para que proteste contra esta decisão, e também contra a agressão à Ucrânia”.

Esta segunda-feira, o isolamento político e económico da Rússia voltou também a agravar-se, com a colocação em prática da lista de sanções anunciadas este fim de semana pelo ocidente.

A Suíça, um país tradicionalmente neutro, deixou cair essa neutralidade, adotando de forma "integral" as sanções económicas anunciadas pela União Europeia contra a Rússia pela invasão da Ucrânia.

Já os Estados Unidos proibiram com efeito imediato todas as transações com o banco central russo, naquela que é uma sanção de gravidade sem precedentes e que também proíbe qualquer instituição financeira ou empresa norte-americana de efetuar transações ou operações com o banco central, limitando a capacidade de Moscovo de defender a sua moeda e sustentar a economia.

Depois de a Alemanha romper com a sua doutrina de não fornecer armamento a países em conflito e ter anunciado a entrega a Kiev de 1.000 lança-roquetes antitanque, 500 mísseis terra-ar Stinger, nove peças de artilharia, 14 veículos blindados e 10.000 toneladas de combustível, a Finlândia - membro da União Europeia, mas não da NATO - anunciou a decisão "histórica" de fornecer armas à Ucrânia, na sequência da invasão russa.

Tradicionalmente, a Finlândia, que tem mais de 1.300 quilómetros de fronteira com o vizinho russo, não exporta armas para zonas de conflito. Até agora, este país nórdico apenas tinha decidido enviar coletes à prova de balas, capacetes e um hospital móvel para a Ucrânia.

O Comité Olímpico Internacional recomendou, por sua vez, que federações desportivas e organizadores não convidem ou permitam a participação de atletas russos ou bielorrussos em quaisquer provas internacionais, “para proteger a integridade das competições desportivas globais e para a segurança de todos os participantes”.

Um dia depois de a FIFA ter cancelado a realização de jogos de futebol na Rússia, admitindo, porém, que as seleções do país jogassem em campo neutro, sem espectadores e sem hino, e sob a designação da sua federação nacional e não do país, agora, UEFA e FIFA juntam-se, suspendendo a seleção nacional e qualquer equipa do país nas provas internacionais em que participem.

A empresa tecnológica Meta, que detém o Facebook, anunciou o encerramento de contas falsas e bloqueou a partilha de endereços de Internet com ligação a ‘sites’ que difundem informações falsas, afirmando que grupos pró-russos estão a orquestrar várias campanhas de desinformação.

No sentido inverso, depois de, no domingo, a União Europeia ter anunciado o encerramento do espaço aéreo a companhias aéreas russas, tal como o Canadá, hoje foi a vez de Moscovo responder “na mesma moeda” com a proibição de circulação no seu espaço aéreo de aviões comerciais de 36 países – todos os países da União Europeia, o Reino Unido e o Canadá.

Esta tarde, enquanto as delegações da Ucrânia e da Rússia estavam reunidas na fronteira ucraniana-bielorrussa, para negociar pela primeira vez desde que a Rússia iniciou a invasão da Ucrânia, no outro extremo do país, morreram pelo menos 11 pessoas na sequência de bombardeamentos em zonas residenciais da cidade de Kharkiv, a segunda maior da Ucrânia.

Depois desta primeira ronda de conversações para discutir um cessar-fogo, as delegações ucraniana e russa admitiram um novo encontro “em breve”.

"As partes estabeleceram uma série de prioridades e questões que requerem determinadas decisões" antes de uma segunda ronda de conversações, disse Mikhailo Podoliak, um dos negociadores ucranianos, citado pela agência AFP. Enquanto o seu homólogo russo, Vladimir Medinsky, disse que o novo encontro terá lugar "em breve" na fronteira entre a Polónia e a Bielorrússia.

Numa outra conversa, esta entre Vladimir Putin e Emmanuel Macron, o presidente francês terá pedido o fim dos ataques contra civis e zonas residenciais, assim como a preservação de todas as infraestruturas civis. Do outro lado, Vladimir Putin defendeu que um acordo com a Ucrânia só será possível se o país aceitar a neutralidade, exigindo que seja "desmilitarizado" e "desnazificado" e também que a península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, seja formalmente reconhecida como território russo.

Num momento histórico, Volodymyr Zelensky assinou o pedido formal para a entrada da Ucrânia na União Europeia, depois de a Comissão Europeia ter aberto a porta à entrada do país na UE, mas lembrando que o processo é longo, apesar do pedido de Kiev de um procedimento especial para ser integrado "sem demora".

Os dados anunciados hoje pela ONU dão conta que, desde o início da invasão russa da Ucrânia, há a lamentar a morte de 102 civis, entre os quais sete crianças, tendo sido ainda registados 304 feridos. No entanto, a organização alerta que os números reais “são consideravelmente” maiores.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), o número de ucranianos que fugiu do país ultrapassará já as 422 mil pessoas, às quais se somam mais de 100 mil deslocados internos pelo conflito. Perante esta crise de refugiados, a União Europeia prepara-se para conceder a cidadãos ucranianos que fogem da guerra o direito de permanecer e trabalhar nos 27 Estados-membros até três anos.

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