O Digiday Publishing Summit, que decorre de 21 a 23 de Fevereiro no Estoril, é um dos eventos que, a nível global, analisa não apenas os desafios da comunicação social, mas pretende também contribuir com soluções ilustradas por diferentes modelos de negócio e casos práticos. Para perceber a atractividade do evento e essa lógica de partilha de experiências basta ver o elenco dos oradores.

Robert Bridge, do Telegraph Media Group, traz a sua análise à forma como funciona a "paywall" para os pagamentos do jornal inglês e a razão para essa mudança "drástica", enquanto Simon Davies mostra a forma como uma marca fétiche de muitos jornalistas e empresa de media, o Quartz,  se internacionalizou . AFuture, pela voz de Zillah Byng-Thorne, aponta como uma editora procura receitas alternativas no comércio electrónico e nos eventos, quando o "ad blocking" se interpõe no modelo da publicidade tradicional (tema a abordar por Sergio Rodriguez, do espanhol El Mundo, e Pierre Buffet, do francês Le Monde). Vão estar também em Lisboa nomes como o de Dominic Carter, responsável comercial da News UK, David Fischer responsável da Highsnobiety, Cécile Dehesdin do Buzzfeed em França e Björn Beth, responsável da Ringier AG que vem explicar o modelo de Accelerated Mobile Pages (AMP) da Google.

No lado nacional, Ricardo Tomé (Media Capital) avança como "o vídeo funciona entre diferentes plataformas" e João Paulo Luz como a Impresa evoluiu para um modelo mais digital.

Uma empresa, quatro marcas, um mesmo objectivo de lucro

A própria entidade organizadora do evento, Digiday Media, é um exemplo da renovação dos media. Fundada em 2008, com escritórios em Nova Iorque (EUA) e Londres (Inglaterra), assume-se como uma empresa global de eventos (mais de 250 desde a sua criação), de marketing e de media, gerindo actualmente quatro marcas: a referida Digiday (media e marketing), Glossy (luxo e tecnologia), Tradestreaming ("fintech") e a agência criativa de conteúdos Custom.

O que a Digiday Media (e as suas diferentes marcas) demonstra é a necessidade de evoluir de um modelo típico e tradicional de simples meio de comunicação social para um conglomerado de acções, de propostas de valor e de modelos de negócio diferenciados, para os media poderem conseguirem triunfar num cenário bastante complexo e diferente das décadas anteriores.

Em síntese, os media passam por desafios como a monetização dos seus conteúdos, o confronto com os novos agentes nos media (Google ou Facebook), a difícil decisão de instalar um modelo pago ("paywall", quando a concorrência o não faz), avançar para os conteúdos patrocinados ("branded content") e ainda o problema do "ad blocking".

Como qualquer empresa, o objectivo de ter lucro é essencial nos grupos de media e isso passa pela monetização dos conteúdos - ou seja, como os conteúdos noticiosos são entregues a pessoas que pagam pelo investimento que foi feito na sua concretização. Tal e qual como se paga por uma refeição num restaurante ou pelo arranjo de um carro numa oficina de automóveis.

Que soluções para garantir receitas nos media 

Historicamente, mesmo em Portugal, evitou-se o modelo pago (a "paywall"), através do qual os interessados nas notícias têm de pagar para lhes aceder. Este modelo derivou de uma consciência de que a publicidade iria pagar os acessos: quantos mais utilizadores se ligassem a um site, quantas mais visualizações do mesmo, mais os anunciantes publicitários estariam dispostos a pagar.

Isto correu mal, porque não dava qualquer retorno aos criadores de conteúdos, obrigados a investir em tecnologia e a reduzir nas redacções de jornalistas. A situação alterou-se nos últimos anos, nomeadamente pela consciência dos produtores de conteúdos - que começaram a oferecer alguns com acesso reservado - e após o "ataque" a agregadores como o Google News e, mais recentemente, pelo problema do "ad blocking".

No primeiro caso, entre avanços e recuos (nomeadamente ao nível da União Europeia), a Google aceitou estabelecer um pacote financeiro para os media, para o desenvolvimento das suas plataformas digitais e formação para as mesmas. Vários media portugueses tiveram acesso a mais de 1,5 milhões de euros no âmbito do segundo programa da Digital News Initiative, patrocinada pela Google, cuja terceira ronda de financiamento se inicia a 7 de Março e decorre até 20 de Abril próximo.

Além disso, como é que os media estão a reagir? Eis alguns exemplos

- o Wall Street Journal, que permitia um tipo de acesso que praticamente todos conheciam, fechou o acesso aos seus artigos através do Google,

- a Medium anunciou que vai lançar este trimestre uma versão paga, para "conseguir um retorno adicional à publicidade", e

- alguns países (nomeadamente a França, Itália e Espanha) querem ter o Google News a pagar pelas notícias.

Noutros casos, os media procuram promover notícias antigas, atentos ao interesse dos leitores, como fez o Financial Times.

Ou, preocupado com os dados pessoais que as plataformas digitais como a Google ou o Facebook passam aos anunciantes, o holandês De Correspondent resolveu guardar todas as interacções no seu site, dentro dos seus próprios servidores, garantindo assim a privacidade e o controlo dos dados estatísticos que transmite aos anunciantes publicitários.

O que isto demonstra é que, após alguma apatia, os jornais estão a descobrir modelos de "monetização" alternativos à incúria de deixar para outros essa tarefa.

É isto e muito mais que se vai discutir na próxima semana no Digiday Publishing Summit. No SAPO24 vamos trazer-lhe as apresentações, entrevistas e a análise de alguns dos principais protagonistas da indústria de media que vão passar por Lisboa.

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