Numa iniciativa apresentada com o objetivo de impedir a propagação de ideologias extremistas e mensagens de ódio ou que promovam violência, o Facebook anunciou hoje ter bloqueado várias contas de figuras conhecidas online e ter terminado várias páginas.

No rol dos bloqueados constam Alex Jones, Paul Nehlen, Milo Yiannopoulos, Paul Joseph Watson e Laura Loomer. Jones, conhecido por ser um teórico da conspiração negacionista do massacre na escola de Sandy Hook, já tinha visto a sua rede de comunicação, InfoWars, ser banida do serviço em agosto do ano passado.

Todas estas figuras são conotadas com a extrema-direita. Yiannopoulos popularizou-se enquanto editor do website "alt-right" Breitbart News, ao passo que Nehlen é um político crente na supremacia branca. Joseph Watson é o editor do InfoWars do Reino Unido e Loomer é uma conhecida ativista anti-Islão.

Outra das figuras visadas pelo bloqueio foi Louis Farrakhan, líder do grupo político e religioso Nação do Islão, que terá sido banido pela difusão de comentários anti-semitas.

A rede social cancelou estas contas por considerar que violaram as políticas de utilização e por serem organizações perigosas e o bloqueio estende-se ao Instagram, aplicação também detida pelo Facebook.

"Bloqueamos sempre aqueles indivíduos ou organizações que promovam ou empreguem a violência e o ódio, independentemente de sua ideologia", lê-se num comunicado do Facebook, acrescentando que "o processo para avaliar potenciais prevaricadores é extenso e é o que nos levou à decisão de removermos estas contas hoje".

Esta ação soma-se à decisão, tomada no passado mês, de bloquear grupos de extrema-direita como o "English Defence League", "Knights Templar International", e o "Partido Nacional Britânico".

Segundo um email recebido pela BBC, parte da justificação para ter bloqueado Jones passou por este ter recebido Gavin McInnes no seu programa. McInnes, encarado pelo Facebook como "uma figura de ódio", é um dos fundadores da revista Vice e é o atual líder dos Proud Boys, um grupo ligado a ações violentas e cujo conservadorismo emprega uma retórica considerada racista e sexista.

Yiannopoulos e Loomer também foram acusados pela rede social de elogiar publicamente McInnes, sendo que o ex-editor do Breitbart também foi visado por ter ligações a Tommy Robinson, fundador da "English Defence League". Tanto McInnes como Robinson já tinham sido banidos do Facebook.

No entanto, o Facebook também tem sido alvo de críticas por ter avisado previamente os visados dos seus bloqueios iminentes, dando-lhes tempo para redirecionar os seus seguidores para outros serviços. Yiannopoulos terá mesmo escrito aos seus seguidores no Instagram que estava "prestes a ser banido", pedido-lhes para subscrever uma "mailing list" antes da sua conta desaparecer.

"O anúncio de hoje do Facebook é um passo na direção correta", considera Cristina López, subdiretora para o extremismo no grupo de vigilância sem fins lucrativos Media Matters for America. "A maioria das figuras recém-proibidas (Yiannopoulos, Loomer, Watson, Jones e Nehlen) devem a sua influência ao alcance em massa que lhes permitiram cultivar através do Facebook e Instagram", destacou.

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