Desde que começaram a ocupar os nossos céus, os drones tornaram-se parte comum dos nossos imaginários, e as previsões apontam para que este mercado cresça cada vez mais. Contudo, perante a popularidade crescente destes engenhos, havia uma necessidade que faltava suprir.

Apesar de ser obrigatório por lei a subscrição de um seguro para Aeronaves Não Tripuladas (vulgo, drones) acima dos 900 gramas, a oferta nesta área era parca para quem quisesse, ou precisasse, de segurar o seu engenho.

“Só existiam seguros anuais no mercado, quando, em termos práticos, não existe ninguém que consiga voar todo o ano”, diz João Freitas Branco. Ao The Next Big Idea, o diretor comercial da ThinkFuture explicou que grande parte dos pilotos de drones são “lúdicos” e que “fazem-no só aos fins de semana, principalmente no verão, porque há condições climatéricas que têm de ser respeitadas”.

É por isso que esta empresa, com sede em Castelo Branco e escritórios em Lisboa, sentiu a necessidade de obter uma solução mais apropriada às necessidades dos consumidores, pois, perante a escolha solitária de estar a pagar uma modalidade anual, indicou o diretor, “a maior parte das pessoas simplesmente não subscreve o seguro”.

A resposta veio na forma da FlySafeGo, aplicação destinada à realização de seguros à hora para drones. Segundo João Freitas Branco, após a colocação dos dados na plataforma, demora-se “sensivelmente 35 segundos a subscrever um seguro”, sendo que “é automaticamente enviado um certificado para o e-mail” do utilizador, servindo este de “comprovativo de como tem um seguro ativo”.

A ideia, explicou João Freitas Branco, era prestar um serviço “on demand”, ou seja, para que fosse possível qualquer pessoa voar quando lhe apetecesse, caso as condições de voo estivessem asseguradas, assim como “as respetivas autorizações para poder voar, que é sempre necessário obter junto da ANAC (Autoridade Nacional da Aviação Civil).”

Mas apesar da vontade, a ThinkFuture não tinha a capacidade legal para criar seguros por si própria para dar a oferecer aos seus clientes. É por isso que se juntou à MDS Seguros, descrita por João Freitas Branco como “a maior corretora em Portugal”. Com o novo parceiro a cargo dos seguros, a empresa tecnológica ficou encarregue de criar “veículo para que isso fosse possível”, explicou o diretor de vendas da ThinkFuture.

Na app, é possível subscrever um seguro por um determinado número de horas de utilização, sendo que estão disponíveis três patamares distintos de capital de Responsabilidade Civil, com 100, 250 e 500 mil euros. Segundo João Freitas Branco, estas modalidades “ainda não são obrigatórias”, mas são já a “prever o futuro”, estando também na calha “fazer-se seguros ao casco”.

A título de exemplo, escolhendo o modelo Mavic Air da marca DJI, o seguro de 100 mil euros custa 4,10 euros à hora, subindo para 5,00 no patamar de 200 mil euros e para 7,00 no patamar de 500 mil euros.

No entanto, para fazer um seguro, não basta querê-lo. Antes disso, a aplicação faz mitigação de risco para avaliar se estão reunidas as condições para um voo seguro, verificando não só se “estiver a chover ou se estiver nevoeiro”, mas também se os pilotos se encontram em “zonas onde haja restrições de voo”, como “junto a uma base militar ou a um aeroporto”, explica João Freitas Branco.

Para além disso, o diretor de vendas da ThinkFuture diz que a FlySafeGo apenas aceita modelos de algumas marcas de drones que reúnam todas a características necessárias, pois existem “regras que a seguradora exige para podermos ter a app”.

Neste momento, a aplicação trabalha somente com modelos das marcas DJI, Parrot, Xiaomi, e Yuneec, pois são as que reúnem características como coletar dados de voo, delimitar raios de ação (geofencing), dispõem de sistemas de localização, e têm funções automáticas de retorno à base.

A título de exemplo, João Freitas Branco fala nesta última característica, descrevendo como a sua existência num drone determina se é exequível fazer-lhe um seguro ou não. O que o retorno à base faz é “que quando o equipamento chega a um limite de bateria, regressa automaticamente aonde estiver o seu controlador”, sendo que se não tiver essa funcionalidade, o drone “se vai simplesmente despenhar” se ficar em energia, pelo que “nenhuma seguradora vai querer segurar equipamentos nessas condições”.

Trabalhando com as garantias das marcas, o FlySafeGo também só permite a criação de um seguro se as condições estiverem reunidas consoante as características específicas do modelo. Ou seja, por exemplo, se “um determinado drone pode voar com ventos que estejam a 10 m/s” e a aplicação “detetar que estão 12 m/s”, esta “não vai permitir fazer o seguro, porque [a intensidade do vento] está acima das recomendações da marca”, explica João Freitas Branco.

É sob estes trâmites em que é possível fazer um seguro através da FlySafeGo, mas o diretor de vendas da ThinkFuture diz que, de futuro, pretende que seja possível segurar drones de corrida, assim como noutras situações específicas. Uma delas é se um equipamento “tiver o cérebro de um drone de uma marca como a DJI mas o seu dono montar tudo o resto com as peças que entender”, sendo que nesses casos, “há de ir para avaliação e, caso a seguradora concorde, podermos eventualmente segurar”, diz João Freitas Branco.

Falando nos tempos que aí vêm para a FlySafeGo, João Freitas Branco não esconde que a ThinkFuture pretende internacionalizar-se. O diretor de vendas da empresa diz que já estão a decorrer conversações “nesse sentido”, mas que tal não acontecerá neste ano, sendo este um “caminho difícil de trilhar”.

Mas os sinais são animadores para a FlySafeGo. Apesar do mercado nacional ser “um mercado pequeno” — e dentro desse mercado as “pessoas ainda não estarem habituadas a segurar o seu equipamento”, João Freitas Branco diz que o número de utilizadores superou “substancialmente as previsões” da empresa.

A FlySafeGo pode ser descarregada gratuitamente, estando disponível para iOS e Android.

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