Inês Cardoso Pereira e Mónica Martins, investigadoras do Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier, da Universidade Nova (ITQB Nova), combinaram bactérias eficientes a produzir hidrogénio, mas que não realizam fotossíntese, com nanopartículas de cádmio, criando o chamado sistema biohíbrido.

O hidrogénio tem sido noticiado como uma futura fonte de energia capaz de descarbonizar a economia, chamando-se hidrogénio verde quando produzido com recurso a energias alternativas. Usa-se a energia para produzir hidrogénio a partir da água através de um catalisador.

O sistema biohíbrido estudado, explica-se num comunicado hoje divulgado pelo ITQB da Universidade Nova de Lisboa, usou a bactéria “Desulfovibrio desulfuricans”, uma bactéria comum encontrada nos solos e ambientes marinhos e que tem uma elevada produção de hidrogénio, mas que também tem uma grande capacidade de produzir nanopartículas extracelulares.

As nanopartículas produzidas pelas bactérias captam a luz que a bactéria utiliza para produzir hidrogénio, sendo que “este inovador sistema biohíbrido é um forte candidato para o desenvolvimento de um protótipo de bioreactores que produzam hidrogénio verde”, diz Mónica Martins citada no documento.

No fundo as bactérias são os catalisadores, que a tecnologia usa para produzir hidrogénio, disse Inês Cardoso Pereira à Lusa, explicando que as bactérias têm uma capacidade intrínseca para produzir hidrogénio, que as microalgas produzem hidrogénio, e que a bactéria com a qual a equipa trabalhou usa a energia de compostos orgânicos para produzir hidrogénio.

A investigadora explicou que os estudos para o uso de microalgas para produzir hidrogénio já estão em fase mais avançada, ao contrário do que está a desenvolver e que foi publicado na revista “Angewandte Chemie International Edition”.

“O processo pode não ser tão competitivo (como o uso de um catalisador) mas tem a vantagem de se poder usar resíduos biológicos para produzir hidrogénio. O sistema é mais natural, só tem de se fazer crescer as bactérias e dar-lhes luz”, acrescentou, explicando que a mesma tecnologia pode ser usada para reduzir o dióxido de carbono.

“O desenvolvimento destes sistemas biohíbridos é uma nova área de investigação entusiasmante, em que é possível combinar a elevada atividade e especificidade dos sistemas biológicos, com materiais sintéticos que têm grande capacidade na captação de energia solar”, explica, no comunicado, Inês Cardoso Pereira, líder do Laboratório de Metabolismo Energético Bacteriano.

A combinação de microrganismos com materiais que permitem a captação de luz, diz-se também no comunicado, “é uma abordagem muito promissora para gerar combustíveis sustentáveis e de baixo custo, sem recorrer a catalisadores metálicos caros e raros, cuja produção tem graves consequências”.

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