Onde vivem estes insetos tão importantes para a saúde das florestas? Quantos são? Podem ser salvos da extinção? Para estas questões a UA quer respostas e por essa razão juntou-se à Sociedade Portuguesa de Entomologia e ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas para criar uma rede nacional de Monitorização da Vaca-loura.

O objetivo é conhecer melhor a população nacional desta espécie e implementar medidas de conservação. “A monitorização das vacas-louras [também conhecidas como cabras-louras] é uma vontade antiga das várias entidades envolvidas, bem como uma necessidade urgente para que se possa conhecer melhor as populações e para se poderem desenhar as medidas de conservação com base em informações atuais e credíveis”, aponta Milene Matos, bióloga da UA, que, através do projeto BIO Somos Todos, é uma das coordenadoras da Rede.

Mas para que isso aconteça, as entidades envolvidas precisam de ajuda. Por isso, se vir alguma não deixe de fotografá-la e avisar os cientistas envolvidos no projeto. “Se conhece alguma área onde seja habitual observar uma vaca-loura no verão, adote um percurso de 500 metros e percorra-o semanalmente entre junho e julho. Registe as vacas-louras observadas através do site da Rede, onde os observadores se podem inscrever e obter toda a informação necessária, e já está”, apelam.

Milene Matos acredita que esta participação seja bem sucedida uma vez que as iniciativas deste género têm ganhado cada vez mais relevância em projetos de conservação da natureza.

“A possibilidade de mobilização de cidadãos-cientistas numa larga escala e a relativamente fácil obtenção de dados são vantagens inegáveis, principalmente quando os recursos financeiros para a ciência e para os projetos de conservação a longo termo se veem cada vez mais depauperados”, afirma a bióloga. Além disso, “o contacto direto com a natureza e, neste caso, as espécies e os seus habitats, permite um envolvimento dos cidadãos, um sentimento de pertença e uma construção de consciência ambiental verdadeiramente efetivos”.

O maior escaravelho da Europa

As vacas-louras são inconfundíveis. Graças ao seu tamanho – os machos podem atingir oito centímetros de comprimento -, às proeminentes mandíbulas que usam para defender o território, à coloração castanha avermelhada e a um acentuado dimorfismo sexual- a cabeça e as mandíbulas do macho são muito maiores que as da fêmea – é possível identificar facilmente esta espécie.

No entanto, se antes era comum encontrar este inseto, atualmente ele é cada vez mais difícil de observar.

A vaca-loura alimenta-se de madeira de árvores de folha caduca, como os carvalhos e os castanheiros, já morta e em decomposição. A degradação da madeira morta é crucial para manter a saúde das florestas, ao permitir a formação de manta morta, a consequente regeneração florestal e a ocorrência de comunidades de outros insetos e fungos, que por sua vez constituem a base de uma série de cadeias alimentares.

A vaca-loura, assim como outros escaravelhos decompositores de madeira, presta um serviço ecológico de grande importância.

Mas a industrialização da floresta nacional restringiu as áreas de floresta caducifólia a manchas cada vez menores e mais fragmentadas, tendo estes insetos perdido grande parte do seu habitat.

Os biólogos consideram urgente a adoção de medidas de conservação para estas comunidades, mas para tal “é preciso conhecer com mais detalhe a sua área de distribuição e abundância”.

A metodologia usado em Portugal também será aplicada em vários países da Europa, estabelecendo-se uma rede Europeia que permita posteriormente analisar as medidas de conservação mais adequadas para a espécie.

À frente da missão, que quer ver o país de olhos no chão e nas árvores à procura destes escaravelhos, estão ainda envolvidas a Unidade de Vida Selvagem do Departamento de Biologia da UA, a Sociedade Portuguesa de Entomologia, o ICNF - Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, e a Naturdata - Plataforma de biodiversidade portuguesa.

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