A Rádio Patrin nasce da vontade do kosovar Orhan Galjus quando, em criança, por volta de 1960, olhava para a rádio do avô e achava que o que ouvia era fruto de pequenas pessoas que estavam lá dentro.

Desde essa altura sonhava ser jornalista, de rádio, e poder ser alguém que falasse na sua língua de origem, o romani, a língua comum à maioria das comunidades ciganas.

“O meu primeiro programa na língua romani foi por volta de 1981 e desde essa altura pensei criar uma rádio que os romani [ciganos] gostassem de ter, já que a rádio, e os média no geral, são uma forma de passar mensagens, dar informações, educação, mas também entretenimento”, adiantou Orhan Galjus, em declarações à Lusa.

A Rádio Patrin faz parte da Nevipe, uma organização sem fins lucrativos com sede na Holanda, e tem emissões em Amesterdão, Kiev, capital da Ucrânia, Mersin, no sul da Turquia, Quichinau, capital da Moldávia, e agora Lisboa.

O primeiro programa, a partir de Amesterdão, foi para o ar em 1990, inicialmente em holandês e romani, depois em inglês e romani.

Orhan Galjus explicou que, posteriormente, apercebeu-se de que muitos ciganos ouviam e gravavam as emissões para depois passarem a outros ciganos, o que o fez pensar em avançar para uma rádio internacional.

“Estou extremamente contente por poder dizer que vamos ter uma Rádio Patrin Portugal, que vai ser apresentada no Dia Internacional do Cigano, a 8 de abril. Já falei com pessoas ciganas em Portugal e elas estão muito contentes por ter a rádio cá”, adiantou.

Orhan explica a decisão de trazer a rádio para Portugal com o facto de os ciganos portugueses terem perdido o hábito de falar a língua romani, a sua língua de origem, o que apelidou de “um trauma nacional” e que o levou a achar que as comunidades locais precisariam de ajuda.

Sendo a Rádio Patrin uma rádio online, e, por isso, uma rádio visual, como lhe chama, seria uma forma de mostrar aos ciganos portugueses quem eles são, já que 500 anos de história é muito tempo.

As emissões serão feitas em português, mas também haverá conteúdos em inglês, estando previstas ações de formação em jornalismo, em novas tecnologias para os média, conteúdos, para os ciganos e não-ciganos que venham a fazer parte da equipa.

De acordo com Orhan, o primeiro passo é criar uma equipa de ciganos portugueses que possa fazer programas na sua própria língua, no caso português, revelando que tem como objetivo conseguir introduzir conteúdos em romani.

“Nós não temos país, mas temos a nossa língua, a nossa cultura”, sublinhou.

A formação será dada pelos cerca de 150 jornalistas ciganos espalhados pela Europa, que estão prontos a vir a Portugal ajudar os ciganos portugueses a aprenderem a língua romani, não a que se fala nas ruas, mas a que possa ser usada nos meios de comunicação.

“Os ciganos em Portugal podem revolucionar a sua cultura trazendo a língua romani de volta a Portugal”, defendeu.

Orhan Galjus disse ainda que estima que a rádio esteja totalmente operacional em junho, já que é preciso, não só formar as pessoas, mas também encontrar um espaço físico, estando previsto uma fase de angariação de fundos.

A apresentação pública acontece no sábado, dia 8 de abril, no Auditório do Espaço Jovem LX, em Lisboa, numa colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa e a Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN).

Na altura será feita uma emissão piloto, com música ao vivo, entrevistas e ligação direta a outras Rádio Patrin, como forma de celebrar a cultura cigana, quando se assinala o Dia Internacional do Cigano.

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