Estes “monstros” são fofinhos

Aquilo a que em português chamamos sensação de coração quentinho tem uma tradução em inglês para a expressão “wholesome”, normalmente utilizada para descrever memes ou situações, mas que também se pode aplicar a séries e filmes. Há uns dias que ando a ver uma série que, episódio atrás de episódio, me dá esse quentinho no coração e a dose de wholesome que falta em muitos dos conteúdos que vemos hoje em dia. Chama-se “Sweet Tooth”, é inspirada numa banda desenhada da DC e, em vez de super-heróis que lançam raios pelos olhos e que querem salvar o mundo, temos um miúdo adorável no mundo pós-apocalíptico. Nota-se que não vejo muitas coisas inspiradas em banda desenhada a partir do momento em que este é o meu estereótipo, não é? Peço desde já desculpa aos amantes do género.

Mas, bem, voltando ao que importa. “Sweet Tooth” transporta-nos desde o primeiro episódio para uma realidade que nos é muito próxima no mundo atual. A humanidade enfrenta um vírus mortífero que apareceu sem qualquer explicação e para o qual não existe uma cura. Depois de meses de confusão nos hospitais, entre o caos dos infetados, surge outro problema: os recém-nascidos começam a nascer com alguns traços de animais, numa espécie a que chamam “híbridos”. Inocentes, estas criaturas começam a ser vistas como monstros e perseguidas. Numa tentativa de salvar o seu filho, quer do vírus, quer da caça, um pai foge para a floresta com o seu bebé, Gus, metade humano, metade veado, que se vai tornar na personagem principal da série.

The Next Big Idea - Sweet Tooth The Next Big Idea - Sweet Tooth

Depois de anos isolados na floresta, uma tragédia faz com que Gus fique sozinho e precise de sobreviver num mundo que ele desconhece. Reúne as poucas pistas que tem e sai da floresta com o objetivo de encontrar respostas para as suas perguntas. Pelo meio, para variar, vai encontrar mil e um obstáculos, fazer amigos que se tornam na sua família e fugir de inimigos que querem fazer mal à sua espécie. Enquanto acompanhamos as aventuras de Gus, somos várias vezes interpelados por outras histórias em paralelo na mesma realidade e que prometem mais tarde cruzar-se.

  • Mas afinal, que género é este? Classificada como ação, drama e fantasia, esta série é um pouco de tudo sem nunca nos dar demasiado de nenhum destes ingredientes. O resultado final é uma série fofinha e leve, que pode ser vista por pessoas com todo o tipo de gostos.

  • Caras conhecidas: “Sweet Tooth” conta com o contributo de vários atores reconhecidos. No papel de pai de Gus está Will Forte (protagonista da série “The Last Man On Earth”, com a qual esta tem, curiosamente, algumas parecenças) e na produção está ainda Robert Downey Jr..

Filmes onde todos podem ser culpados

Numa espécie de guilty pleasure assumido, tenho um gosto especial por filmes thrillers psicológicos lentos. Daqueles em que se chega a meio e se pensa “Não estou a perceber nada do que se está a passar. Será que me escapou alguma coisa ou isto é mesmo assim?”. Há qualquer coisa na imprevisibilidade que me deixa de coração nas mãos durante duas horas, e eu, quase numa atitude masoquista, gosto.

Para aqueles que também são fãs do género e procuram novas opções, ou para os que pouco ou nada viram desta categoria, selecionei três filmes que vi recentemente, que podem dar uma boa sessão de cinema, e que estão disponíveis nas plataformas de streaming mais conhecidas. Não são todos igualmente incríveis, por isso ordenei as longas metragens da mais mind blowing à que está mais perto do limite entre um thriller e um filme de ação.

“Parasitas” (HBO)

Esta primeira sugestão é óbvia, e se tu ainda não viste o filme de Bong Joon-ho que ‘varreu’ os Óscares em 2020, estás a falhar. Desde que vi “Parasitas” pela primeira vez há mais de um ano que este se tornou um dos meus filmes preferidos. Esta é a história de uma família rica e da família pobre que se infiltra na sua vida com uma ambição desmedida de riqueza. E, sobre o enredo, não há muito mais que te posso contar. Em vez de te dar spoilers, podia também dizer que tudo é incrível, desde a música, as cores de cada cena, e a forma como foi filmado. No final, vais ver os créditos passar e sentir a adrenalina nas veias e uma vontade gigante de ver novamente. Nota-se que adoro este filme?!

AQVGD - A Mulher à Janela AQVGD - A Mulher à Janela

“A Mulher à Janela” (Netflix)

É um dos sucessos mais recentes da Netflix e se és uma presença assídua na plataforma de streaming sabes que nas últimas semanas esteve no top de conteúdos mais vistos. Porquê?! Bem, para começar, tem Amy Adams no papel de Anna, a protagonista da história, que é também ‘a mulher à janela’. Mais do que apenas uma vizinha cusca, Anna tem vários problemas psicológicos que a levam a ter pânico de sair de casa e a ter alucinações.

Numa tentativa de escapar à rotina sombria, é através da janela que encontra um passatempo. Acabou de se mudar uma nova família para o prédio da frente, e Anna vai acompanhar todos os seus passos de perto, mas acaba por ver algo que não devia e torna-se obcecada por desvendar aquilo que não conseguiu ver através da janela. Este é um bom filme que nos dá poucas pistas daquilo que será o final, que, na minha humilde opinião, poderia ter sido melhor conseguido.

"A Testemunha Invisível” (Amazon Prime)

Esta longa metragem italiana é a menos conhecida das três, mas é, sem dúvida, uma hidden gem. Para além de ter um toque cultural diferente e de ser menos Hollywoodesco e mais sombrio, vai ainda despertar o investigador criminal que existe dentro de todos nós.

No centro de toda a história está Adriano, um empresário poderoso que tem direito a tudo o que a sua posição permite. Uma família aparentemente feliz mas que é, na realidade, disfuncional, carros de luxo, um negócio ligeiramente duvidoso e, claro, uma amante. Todos estes aspetos parecem conjugar-se na perfeição, até ao dia em que a sua amante aparece morta, e Adriano se torna no principal suspeito do crime. Para a sua defesa, o empresário contrata aquela que é considerada a melhor advogada de sempre e, para descobrir a verdade, é obrigado a desenterrar alguns cadáveres do passado (desculpem a expressão, não resisti!).

Créditos Finais

  • Ainda não ouviste o último episódio do podcast? Eu, o João Dinis, o Miguel Magalhães e o Paulo André Cecílio falámos sobre um dos maiores fenómenos da música pop, Olívia Rodrigo. Podes ouvir aqui.

  • Uma cápsula do tempo na internet: Para os ratinhos da internet e para os curiosos, existe um site que vos faz recuar 10 anos e visitar algumas das páginas mais conhecidas. Espreita aqui o Ten Years Ago.

  • Olha quem é ela! A Lorde está de volta e acabou de partilhar a capa do seu próximo projeto, “Solar Power”. Ainda sem data para as novidades, parece que vai ser algures nos próximos meses que vamos ouvir novamente a cantora que ficou conhecida por “Royals”.  Vê aqui a publicação.

Tens recomendações de coisas de que eu podia gostar? Ou uma review de um dos conteúdos de que falei?
Envia para mariana.santos@madremedia.pt

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