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O filme mais antigo na Netflix

“Eu quero dar aos espectadores uma pista da cena que vão ver. Nada mais do que isso. Se lhes der mais do que isso, eles não vão contribuir com nada. Dou-lhes apenas uma sugestão e faço com que trabalhem comigo no resto. É isso que dá significado ao cinema: quando o tornamos num ato social.”

Esta é uma citação de Orson Welles, um dos maiores cineastas de sempre e, realizador e protagonista do filme “The Stranger”, de 1946. Na impossibilidade de pesquisar os filmes na Netflix por ano de lançamento, não posso dizer com 100% de certeza que é o filme mais antigo na Netflix, mas, se existir um mais antigo, é certamente mais difícil de encontrar.

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“The Stranger” é passado no ano seguinte ao fim da 2ª Guerra Mundial e acompanha um detetive dos Aliados - Mr. Wilson - que deseja encontrar um dos principais generais nazis - Franz Kindler - que fugiu para os EUA, antes que o conseguissem apanhar. Para lhe descobrir o rasto, Mr. Wilson decide libertar um dos soldados nazis que era liderado por Kindler, esperando que este sirva de isco para a sua localização. O plano acaba por ser bem-sucedido e a sua missão leva-o para uma pequena cidade no meio do estado do Connecticut, onde Kindler adotou um novo nome, Charles Rankin, arranjou uma nova profissão como professor de História e onde se casou com a filha de um juiz do Supremo Tribunal de Justiça.

Num jogo de gato e rato, Mr. Wilson será obrigado a convencer uma cidade inteira de que o Professor Rankin/Kindler não é o que parece e o segredo para isso poderá estar na torre da igreja da cidade, onde está um relógio gigante que não funciona há várias décadas e que despertou o interesse do ex-general nazi.

  • No início de carreira: este foi apenas o terceiro filme de Orson Welles e o primeiro noir, que lhe valeu as primeiras comparações a Alfred Hitchcock, que iriam continuar nos anos seguintes.
  • O primeiro em Hollywood: apenas um ano após o fim da guerra, foi o primeiro filme a incluir imagens a documentar o Holocausto, numa altura em que muitas pessoas ainda não acreditavam que os campos de concentração tinham sido uma realidade.
  • Reza a lenda: devido à sensibilidade do tema, 32 páginas de argumento foram removidas pelos diretores do estúdio responsável pelo filme, eliminando algum do desenvolvimento de personagens que Welles desejava. Mas mesmo assim o filme acabou por resultar.

Qualquer semelhança é pura coincidência

Assumo que não sou o consumidor mais regular de cinema português, mas houve algo com a sinopse de “Diamantino” que me chamou a atenção, depois de, recentemente, ter estreado na HBO Portugal.

O filme começa com o disclaimer de que qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência, mas não é difícil perceber onde se centrou a inspiração para a história. Diamantino Matamouros é o melhor jogador de futebol do mundo e a sua performance em campo serve para sustentar toda a sua família e a imagem de todo um país. Ao mesmo tempo, tem os serviços secretos portugueses a vigiá-lo, pois suspeitam de que este anda a lavar dinheiro em contas offshore.

Na final do Mundial de 2018, Diamantino e a seleção acabam por perder de uma forma dramática e o pai do jogador (a sua maior inspiração) acaba por falecer durante o jogo. A tristeza acumulada por ambos os eventos leva Diamantino a desistir de jogar futebol e coloca em pânico as suas malévolas irmãs gémeas, que ficam com medo de perder a boa vida a que se habituaram. Até aqui tudo bem.

A originalidade e real história do filme começa quando, primeiro, Diamantino decide adotar um rapaz refugiado, que na realidade acaba por ser uma agente infiltrada para o desmascarar; e, segundo, quando as irmãs, que ficaram como suas “agentes” depois da morte do pai, decidem assinar um contrato megamilionário com o Ministério da Propaganda, em que concordam que Diamantino seja sujeito a uma série de testes para o clonarem e que faça uma série de anúncios em que este defende a saída de Portugal da União Europeia.

  • Para ver como uma espécie de sketch: durante 1h30, o objetivo de “Diamantino” é ser mais uma satíra, do que um filme para ser levado demasiado a sério. E é essa mistura que acaba por torná-lo engraçado.
  • Com as devidas diferenças: a inocência de Diamantino, a sua genuidade e humildade (e graça com o sotaque açoriano), bem como a forma como descreve o mundo que o rodeia, fez-me em muitos momentos relembrar “Forrest Gump” e a maneira como a personagem do filme que ganhou o Óscar de Melhor Filme em 1994 via a sua realidade

Já ouviste falar de Miguel Ángel Félix Gallardo?

Provavelmente, acompanhaste a subida ao poder e o declínio de Pablo Escobar, nas primeiras duas temporadas de “Narcos”, série da Netflix que foi lançada em 2015. No spin-off da série, “Narcos: México”, o foco não está no famoso traficante colombiano, mas sim num “colega de profissão” e do seu papel na formação do primeiro cartel de droga mexicano, o cartel de Guadalajara.

Nos anos 80, o México era um importante aliado dos EUA na Guerra Fria, que viam no país uma forma de vigiarem as investidas comunistas que ocorriam de Cuba, território que era aliado da URSS. Este estatuto levava a que as diferentes organizações americanas desviassem os olhos da corrupção que se alastrava por todas as esferas da sociedade mexicana, com diversos políticos e forças de segurança a estarem relacionadas com traficantes de droga (marijuana para ser mais específico) através das plazas -  subornos que garantiam que não haveria interferência da polícia no transporte de estupefacientes dentro das cidades mexicanas, de cidade para cidade e do México para os EUA.

Era neste contexto que vivia Miguel Ángel Félix Gallardo, um ex-polícia que, depois de ver o seu cunhado a criar um novo tipo de marijuana, teve a ideia de juntar todos os principais traficantes numa única organização, de modo a que pudessem estabilizar o preço do seu produto e aumentar os lucros que depois seriam distribuídos por todos os envolvidos. O caminho para o fazer não foi fácil e despertou alguma atenção indesejada, nomeadamente, do departamento da DEA (agência americana de combate às drogas) em Guadalajara, que começa lentamente a perceber a sua operação e a tentar encontrar formas de o derrubar.

  • Há algo sobre o genérico: o spin-off tomou a decisão inteligente manter a mesma música que dava início a cada episódio da série original. Chama-se “Tuyo” e há algo que a torna quase impossível de “saltar”.
  • Senti-me mal, mas: não querendo ser spoiler, há um momento, durante a primeira temporada, que leva a um encontro entre Gallardo e Escobar, e não deixei de me sentir feliz por ver Wagner Moura de volta à personagem que lhe deu fama internacional.
  • Onde ver: o spin-off já conta com duas temporadas, ambas disponíveis na Netflix.

Créditos Finais

  • Quem é a maior estrela do TikTok no mundo inteiro? O seu nome é Charli D’Amelio e com este artigo do Washington Post podes ficar a conhecê-la melhor.
  • No último episódio de “Ask.tm”, podcast do humorista Pedro Teixeira da Mota, o mesmo e o seu ex-colega dos Bumerangue Carlos Coutinho Vilhena discutiram o tema do racismo e a forma como os jovens podem ajudar a que estereótipos sejam corrigidos. A ouvir no iTunes ou no Spotify.
  • “E Tudo o Vento Levou” foi retirado, temporariamente, da HBO, por motivos raciais e, depois, atingiu o topo na Amazon, como conteúdo mais requisitado. Agora parece que vai regressar à plataforma, mas com uma contextualização histórica no início. A ler neste artigo do SAPO24.
  • O humorista americano Dave Chappelle lançou diretamente para o YouTube da Netflix um especial, onde discute o momento que os EUA estão a viver. Vê aqui.
  • Dois álbuns que ficaram disponíveis a partir de hoje, 12 de junho: Já podes ouvir “MTV Unplugged” de Liam Gallagher, ex-vocalista dos Oasis, e “Pick Me Up Off The Floor” de Norah Jones, nas plataformas de streaming habituais.
  • A Playstation 5 foi, finalmente, revelada esta quinta-feira. Vê as principais novidades neste vídeo do The Verge.

Tens recomendações de coisas que eu podia gostar? Ou uma review de um dos conteúdos que falei? Envia para miguel.magalhaes@madremedia.pt

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