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Um E.T podia ter acabado com os videojogos, mas não acabou

Em 1982, a indústria dos videojogos esteve perto de acabar, antes de se tornar o negócio de milhares de milhões de euros que é hoje. Numa altura em que estava a dar os primeiros passos e a tornar-se progressivamente uma parte importante da cultura ocidental, tudo foi colocado em causa depois do lançamento do videojogo do filme E.T, realizado por Steven Spielberg.

A Atari, empresa pioneira no desenvolvimento de videojogos, estava a gozar de um forte crescimento e presença nos EUA, e a confiança que tinha acumulado (ou excesso dela) levou a que um dos seus mais importantes “game developers” decidisse aceitar o projeto para o famoso filme e desenvolver o jogo em apenas um mês e meio. O problema nesta tarefa era que, em média, um jogo demorava entre seis a oito meses a ser desenvolvido, entre programação, pesquisa de mercado e testes para garantir que não havia nenhuma falha. Um mês e meio era não só uma tarefa heroica, como praticamente impossível.

A verdade é que no dia do prazo de entrega o jogo estava pronto para ser apresentado ao famoso realizador americano, que tinha nas suas mãos a aprovação final. Primeiro, Spielberg questionou se o jogo não podia ser algo mais parecido com o Pac-man, que se tinha tornado um fenómeno recentemente. Contudo, depois de uma explicação por parte do “developer” sobre a importância de inovação e diferenciação, o jogo lá foi aceite e milhões de encomendas para época natalícia foram pedidas pelos principais retalhistas americanos.

Tudo teria acabado bem se o jogo tivesse entusiasmado jovens e crianças da altura.

Mas esse não foi o caso. O jogo foi vítima de uma chuva de críticas que o catalogavam como aborrecido, desinteressante e pouco original, ou seja, o oposto das críticas que o filme no qual se baseou tinha recebido. Isto levou a que milhões de cópias fossem devolvidas e que a insatisfação se alastrasse a outros videojogos, que sofreram com uma espécie de fim do deslumbre que os jovens estavam a ter com esta forma entretenimento, nos anos seguintes.

A salvação da indústria viria com o aparecimento de uma tal de Nintendo. Mas essa e outras histórias da evolução do mundo dos videojogos, poderás descobrir na série documental da Netflix “High Score - A História dos Videojogos”.

  • Assim fica mais giro: seja para contar histórias, seja para ilustrar diferentes planos dos episódios, os grafismos da série estão incríveis e dão uma experiência diferente à audiência. Para os mais curiosos, existem histórias inteiras dos participantes do documentário a serem animadas naquele formato videojogo que nos foi introduzido, por exemplo, pelos primeiros jogos de Zelda.
  • Que outras histórias? Ao longo de 6 episódios, além do aparecimento da Nintendo, da SEGA e da EA Sports, poderás ver os primórdios de videojogos com o Space Invaders e a criação dos RPG's (“role playing games”) e dos FPS's (jogos de tiro na primeira pessoa).

Jovens, hoje vamos aprender a fazer política!

Já o tem sido nas últimas semanas mas é inevitável que, com a aproximação das eleições presidenciais no EUA, a política americana se torne um dos Trending Topics do nosso dia-a-dia nos próximos meses. Republicanos contra Democratas. Trump contra Biden. Direita contra uma Direita mais suave.

Em “Boys State”, filme documental da Apple TV+, observamos uma espécie de mistura entre reality show e experiência social, que espelha a realidade política e social na América dos nossos dias e que pode muito bem abordar as questões que estarão na cabeça dos votantes norte-americanos nas próximas semanas. Passo a explicar. Boys State é um seminário de verão para jovens americanos no ensino secundário que acontece em todos os estados dos EUA (menos o Hawai) em que estes têm oportunidade para desenvolver competências de liderança e perceber como funciona o sistema eleitoral e a democracia.

Neste caso, somos levados para o Texas, em que 1100 jovens são distribuídos em dois partidos - os Nacionalistas e os Federalistas - e, durante a semana em que estão juntos, têm de ser capazes de cumprir uma série de passos do processo político. Primeiro, têm de definir uma plataforma do partido, isto é, a posição do partido em relação a temas como aborto, lei de armas, forças policiais, economia, entre outros. Depois, têm de eleger um líder do Partido que coordene os trabalhos que levam às eleições. De seguida, cada partido tem as suas eleições primárias em que define o candidato para o cargo de Governador (o mais importante de todo o processo) e para outras posições como Procurador-Geral. Finalmente, ocorrem as eleições para Governador em que ambos os partidos não se fazem à estrada, mas tentam todo o tipo de estratégias para garantir que o seu candidato sai vencedor.

Há espaço para todo o tipo de estereótipos que já observamos nas ligas profissionais do espetáculo político. O candidato humilde com uma perspetiva agregadora que tenta agradar a gregos e troianos. O candidato que vai contra as suas ideias para ter o apoio do partido. O candidato que não tem ideias próprias, mas que sabe fazer barulho e falar com uma audiência. O candidato que não tem problema em usar todos os meios necessários para que o partido saia vencedor. O candidato que acaba por ser usado como bode expiatório, por ser mais fácil de atacar. Todos estes acabam por desempenhar um papel em “Boys State”.

  • Uma forte rede de alumnis: Neil Armstrong (astronauta), Bon Jovi (artista), Bill Clinton (ex-presidente EUA), Tim Cook (CEO Apple) e Michael Jordan (ex-estrela da NBA) são algumas das personalidades que passaram por estes seminários.

Os problemas de ter um Big Brother

George Orwell, em “1984”, já alertava para o Big Brother e para os perigos de uma sociedade que vê todos os seus movimentos monitorizados 24 horas por dia. Atualmente, apesar de não termos grande consciência disso, entre aquilo que fazemos online e os próprios sistemas de vigilância que as forças de segurança nos países desenvolvidos têm à sua disposição, estamos mais próximos do cenário descrito pelo autor inglês do que longe dele.

A série da BBC “The Capture” chegou esta semana à HBO Portugal e apresenta-nos uma história que explora os perigos da CCTV, o sistema de câmaras de vigilância espalhado pelo Reino Unido (e também noutros países). Nesta narrativa, somos apresentados a Shaun Emery, um soldado britânico acusado de um crime de guerra depois de imagens que o mostraram a assassinar “a frio” um prisioneiro de guerra talibã. Depois de seis meses preso, um recurso da sua defesa acaba por demonstrar que o vídeo que o tinha condenado continha, na realidade, um delay de seis segundos entre som e imagem, o que contava uma história bem diferente. Uma em Emery tinha disparado como reação a uma ameaça e não como decisão espontânea e, por isso, este acaba ilibado das acusações que tinha sido alvo.

À noite, Shaun acaba num bar a celebrar a sua liberdade com amigos, família e a sua advogada, de quem se tornou muito próximo durante o julgamento. Depois de ambos abandonarem o serão, o soldado vai ao encontro da advogada numa paragem de autocarro e o casal beija-se, prometendo seguir uma relação amorosa, agora que já não se encontram ligados por motivos legais. Ao mesmo tempo que isto acontece, uma técnica dos sistemas de vigilância está a observá-los através de uma câmara apontada ao local onde estão, que passa a ser a perspetiva que vemos enquanto audiência.

Nos momentos que se seguem, observamos Shaun a impedir a advogada de entrar no autocarro, a atacá-la e a desaparecer com a mesma, razões que levam a polícia inglesa, liderada por uma detetive que acabou de ser promovida da divisão de Contra-Terrorismo para Homícidios, a ir a sua casa e prendê-lo. No entanto, o soldado não percebe porque está a ser preso e quando lhe mostram as imagens fica incrédulo, afirmando que aquilo que estão a ver não foi o que aconteceu na realidade e que as imagens, de alguma forma, foram manipuladas.

Nos seis episódios que compôem a série, acabamos por navegar uma onda de suspense sem percebermos muito bem o que aconteceu e sem conseguir propriamente formar uma opinião sobre a culpabilidade de Emery. Mas uma coisa é certa. Há uma conspiração que acaba por estar relacionada com forças bem maiores que Emery e ao próprio passado da detetive responsável pelo seu caso, o que nos coloca o dilema sobre o custo-benefício de termos um Estado Vigilante e nas implicações que isso tem na nossa liberdade.

  • Participações Especiais: o ator americano Ron Pearlman (“Hellboy”, “Sons of Anarchy”) como um agente com um papel na conspiração e a atriz Laura Haddock (“White Lines”) como a advogada desaparecida.

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