A partir do Centro Internacional de Artes Vivas Naves Matadero em Madrid, a artista plástica e arquiteta portuense Cristina Rodrigues traz "Travessia", de 10 de Outubro a 31 Janeiro, ao Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco. A exposição tem como base o projeto «Home is the Cathedral of Life [A Casa é a Catedral da Vida]», idealizado de raiz pelo curador e coreógrafo espanhol Mateo Feijóo e pela artista para Madrid, no ano passado.

Segundo uma nota de imprensa, foi "o impacto mediático obtido pelo projeto em Madrid" a justificar o convite para o trazer para Castelo Branco, transformando-se nesta "Travessia". "A exposição permite conhecer novas perspetivas sobre o tema da emigração, através de obras como uma instalação e um documentário intitulados "Travessia", que retratam os relatos de um conjunto de migrantes originários da Venezuela, Honduras, El Salvador, República Dominicana, Argentina, Perú, Marrocos, Angola e Senegal", pode ler-se na apresentação.

"Por trás da conceção e execução deste conjunto de obras, encontra-se um aprofundado trabalho levado a cabo pela artista, que ao longo de 20 meses entrevistou dezenas de pessoas que deixaram os seus países para ir viver para Madrid. Aqui, o duplo papel da arte de informar e registar o contexto histórico-social do nosso tempo, aspeto fundamental em Cristina Rodrigues, assume especial relevância: a ideia das vidas num permanente suspenso, que não têm laços com o país de acolhimento porque não lhe pertencem e, simultaneamente, começam a perdê-los em relação ao país de origem. A esperança dá, nestas vidas, lugar ao desconhecido, à desconfiança, à discriminação".

Do Porto para o mundo, Cristina Rodrigues tem trabalho artístico apresentado em vários espaços na Europa, Ásia e América do Sul, em diversas exposições a solo. Várias das suas obras integram coleções de museus e entidades públicas, entre as quais a Catedral de Manchester e o Cheshire East Council, no Reino Unido; Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso; município de Castelo Branco; município de Viseu; município de Vila do Conde; município de Baião e até Estado Português. A artista foi mesmo capa da 'Sculpture' na edição Janeiro-Fevereiro de 2016.

"O eclectismo que emana das suas obras exprime as suas paixões e formação académica. Toda a sua obra é regida por uma estética simples que liga a etnografia social, a antropologia e a sustentabilidade ao desenho, à pintura, à instalação e à escultura. Devido ao grande sentido do global/universal, as suas instalações exprimem um trabalho aprofundado, desenvolvido em torno de permanentes contrastes entre o tradicional e o contemporâneo; um diálogo fluido entre o tradicional de inspiração popular e uma cultura de raiz mais 'erudita'".

Mateo Feijóo é um curador e coreógrafo espanhol nascido no Gerês em 1968, que desenvolve um trabalho muito próximo e em colaboração direta com outros artistas de diferentes disciplinas — Marina Abramović, Elena del Rivero e Cristina Rodrigues —, "o que confere ao seu trabalho um selo muito pessoal e sempre interdisciplinar", explica a nota de imprensa.

Em 2017 aceitou o cargo de diretor artístico do Naves Matadero — Centro Internacional de Artes Vivas, cessando funções em Março de 2020. "Surgiu como escolha natural para a curadoria desta exposição desde que, em 2017-18, a artista expôs O Sudário numa das salas do Naves Matadero e travaram conhecimento. Nessa altura, convidou-a a conceber uma exposição de raiz para o museu", acrescenta.

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