A Orquestra Modular Açoriana (OMA) promete ser um dos "momentos mais singulares" da edição deste ano do Festival Tremor, que começa esta terça-feira (5) e termina no próximo sábado (9), em São Miguel, nos Açores.

A ideia surgiu numa reunião "pós-Tremor 2021", que a pandemia 'atrasou' para setembro último. Com um desafio acrescido, que é o de programar um festival com apenas cinco meses de antecedência, a missão foi a de sempre: "fazer algo diferente, inovador, a olhar para o território".

A inspiração para a OMA vem de um "olhar interior", mas também de outros coletivos espalhados pelas nove ilhas do arquipélago (mais de uma centena, no total): as bandas filarmónicas. "Enquanto festival contemporâneo", o Tremor também criou a sua.

"Os Açores são provavelmente a região do mundo onde existem mais bandas filarmónicas. Qualquer ilha, aqui, tem uma. A ideia foi a de criar uma nova banda filarmónica, neste caso mais contemporânea, ligada toda ela aos sintetizadores, daí ser modular. A ideia principal é partir do passado e do histórico que têm aqui as bandas filarmónicas", explica Luís Banrezes, co-fundador do festival.

A Orquestra, composta por músicos com sintetizadores ou teclados, terá a coordenação do trio psicadélico de Chicago Bitchin Bajas — que vêm apresentar também um novo disco —, e traz "para o espectro popular instrumentos que à partida não se encaixariam numa banda filarmónica, que tem mais a ver com sopros e percussão".

Ao respeito pelo património musical, junta-se um abanão na "ideia de que a banda filarmónica tem que ser aquela coisa clássica, de fazer música daquela maneira".

A participação na Orquestra Modular partiu de um convite aberto, no qual se podiam inscrever músicos (profissionais ou amadores), e esta vai tocar sob o signo do número doze. Doze músicos, de ilhas (São Miguel e Terceira) e do continente, numa atuação com a duração de doze horas. Começará às 02h00 da madrugada de dia 7 e haverá música até às 12h00.

Entre os participantes estará Filipe Caetano, natural de São Miguel, mas não estará Mário Raposo, um dos nomes históricos da música eletrónica ali criada. "Ainda não se inscreveu", brinca Luís. "A ideia da residência é estares uma semana a trabalhar numa coisa, e o próprio trabalho que ele tem não ajuda. Mas o mais importante é fazer acontecer, mais que trazer os pesos-pesados".

Luís Banrezes conta que não queriam que o concerto "fosse uma coisa imediata". O desejo era o de "que pudéssemos respirar o projeto". Daí começar durante a madrugada, "num local onde as pessoas que estão no festival, e não só, podem ir descansar, podem estar deitadas".

Esse local é a Academia de Artes de Ponta Delgada, uma antiga Igreja "desmantelada há uns anos" e que é hoje casa para o  Conservatório Regional.

Nada disto está ligado e tudo tem a sua ligação. O Conservatório "não tem nada ligado a modulares e, não sei, talvez no futuro interesse ao próprio ter aulas de modulares, ou assim", afirma Luís.

Rabo de Peixe de portas abertas e mesa posta

Outro das novidades da edição deste ano é a "criação de duas experiências gastronómicas pop-up" na freguesia de Rabo de Peixe, no concelho da Ribeira Grande, através de uma parceria com a VidaAçor (Associação de Desenvolvimento Comunitário).

A primeira, ‘Na Nossa Mesa’, organizará jantares para pequenos grupos nas casas de habitantes da vila, onde o menu será desenvolvido e confecionado pelas famílias receptoras. A segunda, ‘Cozinha Comunitária’, organizará um jantar coletivo com um menu composto por pratos típicos da região.

No Tremor 2022 vão atuar também Montes, As Docinhas, We Sea, The Rite of Trio, Tristany, Rodrigo Amarante, Kebraku, Farofa, O Gringo Sou Eu, OMNE, Príncipe, DJ Firmeza e DJ Danifox.

Do cartaz vão fazer ainda parte os quenianos Duma, os TootArd (naturais dos Montes Golã na zona do Levante), a marroquina Ikram Bouloum e os portugueses MadMadMad e Caroline Lethô.

Além dos concertos, e dos “momentos surpresa (Tremor na Estufa)”, o festival açoriano “volta a integrar um ciclo de residências de criação que envolve músicos, diferentes comunidades associativas do arquipélago e cidadãos”.

Deste ciclo de residências resultam, por exemplo, colaborações entre Odete e Ece Canli, a Associação de Surdos da Ilha de São Miguel, o Coral de São José e o coletivo de criação ondamarela, e a Escola de Música de Rabo de Peixe, o trompetista Peter Evans e o saxofonista Rodrigo Amado.

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