Em 2008, a blogger norte-americana Tina Roth Rosenberg (ou swissmiss, no mundo online) criou em Nova Iorque um evento que pretendia ser acessível (leia-se “gratuito”) à comunidade criativa, fosse à hora do pequeno-almoço e ocorresse uma sexta-feira por mês. Começou no sótão de sua casa, a servir o seu próprio café. 10 anos depois a CreativeMornings saiu de Nova Iorque e está em 180 cidades espalhadas pelo mundo, tornando-se um fenómeno global ao ponto de, em Londres, as entradas para cada um dos seus eventos esgotarem em poucas horas (o registo é feito online).

O conceito é bastante simples: os temas são amplos e idealizados globalmente (e vão de “Caos” a “Comunidade”, de “Ansiedade” a “Coragem”), dando depois origem a pequenas palestras, em inglês, à volta do mesmo tópico por pessoas com ligação a cada uma das cidades onde ocorrem.

A título de exemplo, Rute Sousa Vasco, publisher da MadreMedia (empresa responsável pela gestão editorial do SAPO24), participou em dezembro no ano passado com uma palestra alusiva ao tema “Contexto”, onde falou da evolução dos media e da forma como o contexto foi afetando essa mesma evolução; por outro lado, no mês passado, Nuno Mesquita (responsável pelo Mezze, um restaurante que emprega refugiados sírios num projeto que, para além de gastronómico, é também de integração) falou sobre “Comunidade”.

Elisa Baltazar, anfitriã da CreativeMornings em Lisboa, refere que o objetivo do projeto é provar que “toda a gente é criativa” e que a evolução populacional, por assim dizer, da capital portuguesa, tornou a CreativeMornings num dos epicentros do encontro descontraído e causal entre as algumas das mentes criativas, portuguesas e estrangeiras, da cidade.

créditos: Nicole Sanchez | Nimagens

Em Lisboa, há dois anos que são servidos pequenos-almoços criativos (o 2.º aniversário celebra-se precisamente na próxima sexta-feira), num evento que se tornou também uma plataforma de ligação e integração entre portugueses e expatriados que trabalham na área da criatividade (e não só). “O projeto em Lisboa, naturalmente e sem que houvesse esse objetivo, tornou-se um sítio onde existem pessoas de Lisboa ou que trabalham em Lisboa, portuguesas, e também de pessoas que nos últimos anos vieram de fora [do país] para trabalhar”, refere Elisa Baltazar, nomeadamente pessoas com empregos remotos ou estrangeiros que, com a globalização do mercado de trabalho português, passaram a trabalhar no nosso país.

“É importante dizer que isto acontece tudo graças a trabalho voluntário, de portugueses e expatriados”, acrescenta ainda a anfitriã do evento lisboeta, “ninguém tem uma compensação financeira para organizar o evento”, algo que também é conseguido com recurso à generosidade de diversas empresas que, mensalmente, apoiam a iniciativa, seja através da oferta de café e pequeno-almoço, seja através da cedência do espaço onde o evento se realiza.

“Para mim, enquanto anfitriã, tem sido uma jornada para conhecer as pessoas mais inspiradoras de Lisboa”, diz Elisa, regressada há pouco mais de um ano da Irlanda onde passou seis anos a trabalhar na área financeira, agora a trabalhar como copywriter. “Não falo só dos oradores, que têm sido bastante inspiradores, mas também dos voluntários e das pessoas que vêm assistir”, todos com “uma história para contar”.

Quanto ao futuro, a anfitriã lisboeta destes eventos que servem criatividade ao pequeno-almoço espera “que a CreativeMornings seja uma plataforma em que as pessoas se encontrem, onde falem com outras mentes criativas, onde se fale sobre criatividade e que, aqui em Lisboa, passe também a ser uma plataforma de referência para a ligação entre portugueses e expatriados e para a integração destes últimos”.

O 2.º aniversário celebra-se já nesta sexta-feira, dia 28 de setembro, nos recém-inaugurados escritórios lisboetas da também recém-entrada em bolsa Farfetch (em Santos, perto do IADE). O tema é “Caos” e o orador será o multifacetado ator e cofundador do projeto Gerador, Pedro Saavedra. A entrada é livre e as inscrições para o evento fazem-se no site da CreativeMornings.

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