O duque e a duquesa de Sussex não revelaram o desconforto com a instituição quando decidiram renunciar às responsabilidades dentro da monarquia, mas o anúncio da divulgação da sua primeira grande entrevista desde que se mudaram para a Califórnia fez a imprensa britânica tremer.

Um “excerto” do programa, que será exibido no domingo nos Estados Unidos, foi revelado na quarta-feira pela rede americana CBS. Questionada sobre de que maneira as suas declarações podem ter impacto mo palácio real, Markle respondeu: "Não sei como eles poderiam esperar que, depois de tanto tempo, ainda ficaríamos em silêncio enquanto The Firm [como se refere à coroa] desempenha um papel ativo para perpetuar inverdades sobre nós".

O Palácio de Buckingham recusou-se a fazer comentários a respeito do assunto.

A divulgação do “excerto” da entrevista deu-se depois de o Palácio ter anunciado, na quarta-feira, que examinaria as acusações de assédio moral contra Meghan Markle, duquesa de Sussex, reveladas pelo jornal The Times. 

A poucos dias da exibição da entrevista - potencialmente problemática para a coroa britânica - pela CBS, prevista para domingo nos Estados Unidos e segunda-feira no Reino Unido, o jornal The Times noticiou que, em outubro de 2018, Jason Knauf, então secretário de comunicações do casal, apresentou uma queixa de assédio no local de trabalho contra Meghan.

"Estamos claramente muito preocupados com as acusações [publicadas no jornal] The Times, após a denúncia de um ex-funcionário do duque e da duquesa de Sussex", expressou o palácio num comunicado nada comum para a monarquia britânica, que não costuma expor estas questões em público.

O Palácio de Buckingham enfatizou que "não tolera e não tolerará o assédio no local de trabalho".

Duquesa de Sussex está “triste”

Um porta-voz de Meghan afirmou que a duquesa está "triste por este último ataque à sua pessoa, especialmente por ter sido, ela mesma, alvo de assédio".

Os advogados do casal disseram ao The Times que o jornal estava "a ser usado pelo Palácio de Buckingham para vender uma história completamente falsa" antes da exibição da entrevista com Oprah Winfrey

A entrevista faz recordar a de princesa Diana em 1995, na qual afirmou que no seu casamento havia "três pessoas", referindo-se à “aventura” mantida pelo príncipe Carlos – entrevista que continua a gerar notícias, mais de 25 anos depois.

Esta quinta-feira, a Scotland Yard considerou que "não era oportuno abrir uma investigação judicial" contra o jornalista da BBC Martin Bashir, que obteve a entrevista através da falsificação de alguns documentos, de acordo com o irmão da princesa Diana.

Numa outra parte da entrevista, divulgada no domingo, o príncipe Harry, que culpa parcialmente a imprensa britânica pela morte da sua mãe, assumiu temer que a história se repetisse.

Neto da rainha e sexto na ordem de sucessão à coroa britânica, o príncipe mudou-se para Los Angeles, em 2018, com sua esposa, com quem se casou no mesmo ano em Windsor.

Referindo especialmente a pressão dos média para justificar sua saída, o casal - que espera um segundo filho - "passou este último ano à procura de publicidade, de uma forma ou outra. Do meu ponto de vista, isso torna tudo bastante hipócrita", referiu Penny Junor, especialista na família real.

Além disso, a crise dá-se num momento difícil para a rainha Elizabeth II, cujo esposo, o príncipe Filipe, de 99 anos, está hospitalizado há duas semanas. Esta quinta-feira, o Palácio indicou que o príncipe foi submetido "com sucesso" a uma cirurgia "para tratar uma doença cardíaca pré-existente", mas que ficará hospitalizado por "vários dias".

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