A notícia do pedido de saída de Aida Tavares da direção artística do Teatro Municipal S. Luiz, por motivo “inteiramente pessoal”, foi avançada hoje pelo jornal Público.

Em declarações à Lusa, Aida Tavares disse que tinha informado o conselho de administração da Empresa municipal de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC) de Lisboa, de que pretendia sair no final deste mandato.

“Tenho vinte anos de S. Luiz e dois mandatos como diretora artística, oito anos”, disse, argumentando tratar-se de uma decisão que “não foi fácil”, mas que representa “o fechar de um ciclo”.

Os mandatos nos teatros municipais “felizmente são de quatro anos, o que é ótimo”, disse Aida Tavares, alegando que a sua decisão decorre também da “mudança de ciclo na EGEAC e na Câmara [Municipal de Lisboa]”.

“Considerei que era um bom momento para fechar aqui um ciclo profissional”, disse, argumentando que “as pessoas não se podem eternizar à frente das instituições”, além de ser “bom que haja mudanças”.

Não tendo sido uma “decisão fácil” e que “durou alguns meses a pensar”, Aida Tavares disse também que não queria que a decisão que tomou “estivesse associada a uma possibilidade de futuro concreta”.

“Esta foi uma primeira etapa na minha vida, que foi fechar este ciclo que não fazia sentido continuar, pelas razões que já invoquei, e agora passamos ao segundo ciclo que é também esta liberdade que terei de, enfim, espero ter propostas e que haja novos desafios”, disse.

A diretora artística do S. Luiz assegurará, contudo, esta temporada teatral até julho de 2023, para que haja “uma transição tranquila”.

“Quando me reuni com o conselho de administração e os informei de que não queria ficar, também fiz logo a proposta e mostrei-me disponível para assegurar o final da temporada, porque acho mesmo que uma transição tranquila é bom para todos”, salientou Ainda Tavares.

“[É bom] para quem vier a seguir, é bom para a equipa e é bom para os artistas que estão programados”, disse, acrescentando que quem vier a seguir tem tempo para pensar “aquilo que deve fazer naquele teatro”, por haver muita programação para a frente desenhada, com os concursos bienais e quadrienais.

Aida Tavares, que trabalha no S. Luiz desde 2002 e sucedeu no cargo ao programador José Luís Ferreira, em 2015, mostrou-se ainda “honrada por ter servido os artistas portugueses, o público e a extraordinária equipa do teatro” onde se sentiu “tão feliz”.

“Provavelmente nunca vou sentir-me tão feliz como fui ali estes anos todos”, pois o S. Luiz “é um sítio muito especial na minha vida”, concluiu.

Em declarações ao Público, o presidente da EGEAC, Pedro Moreira, confirmou que, “não existindo nada em contrário, o que ficou definido — depois de a própria solicitar a saída — foi a manutenção de Aida Tavares até à conclusão da temporada 2022-23”.

Pedro Moreira admitiu, porém, que o processo poderá alterar-se, caso se revele pertinente para as partes “antecipar” a passagem do testemunho, acrescenta o jornal.

Como se encontrará o sucessor de Aida Tavares, e nomeadamente se a escolha passará por concurso público, é algo que ainda está a ser ponderado pela EGEAC e pelo vereador da Cultura da Câmara de Lisboa, Diogo Moura, escreve ainda o matutino.

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