Do armazém de Cem Soldos, no distrito de Santarém, saem, por estes dias, “bandas às dezenas”, naquilo que Johnny de Almeida considera um verdadeiro festival “dentro de outro festival”.

Na prática trata-se de “um festival de bandas imaginárias”, desenvolvido por Johnny de Almeida e Catarina Serafim, integrado no programa de atividades paralelas do Festival Bons Sons, que na quinta-feira abriu portas na aldeia de Cem Soldos, onde decorre até domingo.

Na aldeia, cujo perímetro é fechado para se transformar, por inteiro, no recinto do festival, toda a comunidade participa no evento e há música constante e concertos que se sucedem nos oito palcos.

Até ao fim do programa, serão realizados meia centena de concertos - isto se não se contabilizarem as “bandas imaginárias” que Johnny de Almeida desafia dezenas de festivaleiros a criarem, fechados num armazém onde a imaginação não tem limites.

A ideia tem por base o Festival de Bandas Imaginárias, um projeto desenvolvido por Johnny (de Aveiro) e Catarina (de Santarém), “com bandas inventadas” sobre as quais o primeiro escreve, a segunda ilustra.

Em Cem Soldos, o desafio foi “pôr os festivaleiros a criar a sua própria banda imaginária”, num exercício de escrita criativa em que Johnny Almeida vai “puxando pela imaginação e dando dicas que resultam em textos fantásticos e situações incríveis”.

“Iscas de Fruta”, “Mosquitos Salgados”, “Música com Salmonela”, “Anchovas trovoada” e “Mingau Bobby sai daqui” são algumas das exóticas bandas criadas no armazém da aldeia, por festivaleiros que “por uma hora vivem o sonho de terem uma banda famosa, êxitos conhecidos e honras de diva capazes de fazer exigências para se apresentarem no palco”.

Os textos saídos das oficinas integram depois uma exposição patente no edifício Sport Club Operário de Cem Soldos (SCOCS), organizador do Bons Sons, a que se juntam os trabalhos de outra oficina, coordenada por Catarina, e que versa sobre “como ilustrar a tua banda imaginária”.

Às bandas imaginárias juntam-se, no programa paralelo festival, iniciativas como a aula, o passeio e o jogo do burro, com recurso ao burro mirandês levado ao evento pela Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA), visando contribuir para a preservação da raça.

O incentivo à leitura e à encenação de histórias passa também pelo armazém da aldeia, onde Nuno Valente leva até domingo “o bicho papão” e outros ‘monstros’ do “Bestiário Tradicional Português”, uma obra da sua autoria.

O livro, que tem por base “uma recolha centenária” sobre os monstros nas histórias contadas às crianças nos vários pontos do país, “agora traduzida numa linguagem acessível aos mais pequenos”, é pela primeira vez contado num festival de música, disse o autor à Lusa.

Ela Vaz e Miguel Calhaz são os nomes que ainda hoje podem ser ouvidos no palco Amália, enquanto no palco Giacometti o destaque é para Quartoquarto.

No palco Zeca Afonso ouve-se hoje Paus e, no centro da aldeia, ao palco Lopes Graça, sobem Sean Riley & The Slowriders e, pela noite fora, Cais Sodré Funk Connection.

O Festival Bons Sons é organizado desde 2006 pelo Sport Club Operário de Cem Soldos e manteve-se bienal até 2014, após o que passou a realizar-se anualmente, tendo recebido, em oito edições, 278 concertos e 238.500 visitantes.

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