Pouco antes de lançar "Thank U, Next",Ariana Grande respondeu às declarações do produtor Ken Ehrilich segundo as quais a artista "achava que era tarde" para preparar uma atuação no domingo, dia em que se realiza a cerimónia dos prémios Grammy.

"Mantive-me calada mas agora ele está a mentir a meu respeito", escreveu a artista no Twitter ao lado com uma imagem do artigo da agência Associated Press com as declarações de Ehrilich.

"Posso preparar uma apresentação da noite para o dia e sabe bem disso, Ken. Só quando sufocou a minha criatividade e capacidade de expressão é que decidi não comparecer", acrescentou. "Espero que o espetáculo seja exatamente o que você queria que fosse e mais. <3", escreveu a artista.

Grande, de 26 anos, indicou que "ofereceu três canções" antes de decidir cancelar a sua participação. "Trata-se de colaboração, de se sentir apoiada, de arte e honestidade, não de política, não de fazer favores ou jogar", indicou. "É só um jogo... e sinto muito, isso não é o que a música significa para mim".

Imagens da popular cantora aparecem em outdoors de Los Angeles a promover os Grammy, que se realizam no domingo às 17H00 locais.

Mesmo sem atuar, Grande está  nomeada em duas categorias de música pop: o álbum "Sweetener" é candidato ao prémio de Melhor álbum vocal de pop, e "God is a Woman" concorre a Melhor performance pop solo.

Grammy: uma categoria dominada pelos temas políticos e sociais na era Trump

Os Grammy premiam videoclipes desde 1984, ano em que a MTV começou a fazer um programa, graças a pioneiros como Michael Jackson e Madonna, que revolucionaram e exploraram o potencial deste formato. Na edição deste ano, a categoria "melhor videoclipe" foi notada pelo facto de os cinco vídeos selecionados pelos organizadores da cerimónia terem conotações sociais e políticas.

"É o ano de Trump. Há uma necessidade incontrolável de expressar", analisa Carol Vernallis, académica especializada em música da Universidade de Stanford. "Imagino que os artistas negros dos Estados Unidos querem estar na linha de frente", continua.

Childish Gambino, alter ego musical do talentoso comediante, roteirista e diretor Donald Glover ("Atlanta"), estourou na Internet na primavera passada como seu hino politicamente incendiário, "This is America".

No seu vídeo, denuncia o domínio das armas e do racismo no país com um retrato da vida de muitos negros americanos, entre tiroteios sangrentos e reminiscências da escravidão num contexto de ritmos afrobeat e gospel.

Já Beyoncé e Jay-Z deram o que falar ao usar o Museu do Louvre, em Paris, como cenário do clip barroco e exuberante de "APESHIT". No vídeo, o casal usa as obras clássicas do Velho Mundo para criar uma estética eminentemente moderna e negra.

Janelle Monae, por sua vez, explora sem pudor novos caminhos gráficos no clipe "Pynk", uma ode electropop à bissexualidade. A cantora aparece rodeada de mulheres jovens, vestindo calças amplas que lembram vulvas.

Assim como Childish Gambino, o vídeo "I'm Not Racist", de Joyner Lucas, atraiu milhões de espectadores na Internet com seu rap puro e poderoso em um Estados Unidos dividido. O vídeo começa com um homem de barba branca e gorro vermelho de "Make America Great Again", símbolo dos partidários do presidente Donald Trump, fazendo eco a slogans racistas. Mas "eu não sou um racista", defende-se o homem. "O namorado da minha irmã é negro". Um jovem negro responde: "É difícil progredir quando este país está dirigido por brancos/que me julgam pela cor da minha pele".

Em "Mumbo Jumbo", a rapper Tierra Whack cria um mundo da fantasia surrealista e inquietante, o prelúdio de um álbum composto por quinze canções de um minuto cada, chamado "Whack World", parte de um projeto de vanguarda e também um álbum de hip hop.

Com as repercussões potenciais de centenas de milhões de reproduções, produzir um vídeo apelativo tornou-se mais importante do que nunca para a indústria da música, permitindo aos artistas comunicar melhor mensagem, diz Robert Thompson, que ensina cultura televisiva e popular na Universidade de Syracuse.

"Um videoclip define a identidade visual de uma canção, não posso imaginar 'This Is America' com outro vídeo, lhe dá uma dimensão completamente diferente", explica.

Para Carol Vernallis, o vídeo tem sobretudo o mérito de instaurar "um diálogo" entre a música e a imagem: "Enriquece a canção e amplia seu horizonte, e é excelente para abordar certos problemas".

Isto é especialmente importante para os temas sociais, diz Robert Thompson. "De todas as partes vemos surgir mensagens políticas expressas por músicos negros. E é nesta categoria dos Grammy que parecem gozar de um reconhecimento especial", observa o investigador.

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