Criado em 2000, o Grande Prémio Fundação EDP Arte visa consagrar artistas plásticos com carreira consolidada e historicamente relevante, cujo trabalho contribua para afirmar e fundamentar as tendências estéticas contemporâneas portuguesas.

O júri deliberou por unanimidade atribuir este prémio à artista, nascida em Lisboa, em 1949, "salientando a originalidade, ousadia experimental, multidisciplinaridade e pioneirismo no uso de novas linguagens, e destacando a sua influência nas gerações mais jovens", indica a Fundação EDP, em comunicado enviado à agência Lusa.

Além do valor pecuniário do prémio, o artista escolhido é homenageado através de uma exposição de caráter retrospetivo e/ou antológico, e da publicação de um catálogo que constitui uma importante referência historiográfica e bibliográfica.

Na história das suas edições, o Grande Prémio Fundação EDP Arte distinguiu nomes da arte contemporânea como Lourdes Castro (2000), Mário Cesariny (2002), Álvaro Lapa (2004), Eduardo Batarda (2007), Jorge Molder (2010), Ana Jotta (2013) e Artur Barrio (2016).

Na justificação da escolha, o júri salientou ainda "a forma como a artista trabalha o espaço e o som a partir da linguagem verbal, num permanente jogo de construção e desconstrução de significados".

"O trabalho de Luisa Cunha está fora de classificações geracionais, sendo herdeira das experiências de desmaterialização da arte internacional dos anos 1970. Este é um prémio de reconhecimento e contribuirá certamente para dar a Luisa Cunha a visibilidade pública que o seu mérito artístico justifica", vincam os membros do júri.

O júri desta edição foi composto por Benjamin Weil, curador e crítico de arte francês e diretor do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian; Philippe Vergne, diretor do Museu de Arte Contemporânea de Serralves; Teresa Patrício Gouveia, antiga presidente da Fundação de Serralves e antiga administradora da Fundação Calouste Gulbenkian, e Tobi Maier, diretor das Galerias Municipais de Lisboa.

Integram também o júri Vera Pinto Pereira, presidente da Fundação EDP; Miguel Coutinho, administrador e diretor geral da Fundação EDP; e José Manuel dos Santos, administrador e diretor cultural da Fundação EDP.

Luisa Cunha licenciou-se em Filologia Germânica, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1972, e fez o Curso Avançado de Escultura no Ar.Co, Escola de Artes Visuais, em Lisboa, em 1994, onde viria a ser professora de escultura até 1997.

Em 1994 foi a artista-residente convidada a participar na 1.ª Academia Internacional de Verão para Artistas Plásticos, no Convento da Arrábida, e dois anos mais tarde teria a sua primeira exposição individual no Porto, em Serralves, onde também foi alvo da primeira antológica, em 2006.

A sua obra alia a palavra, o som, a voz, o vídeo, a fotografia e o desenho, e é marcada pela relação entre o corpo e o espaço, o movimento, os contrastes dos materiais que usa, abordando frequentemente as questões de género, crítica social e política.

Luisa Cunha utiliza também a performance como expressão artística, nomadamente, em 2018, com a inédita "Mapa Mundi", apresentada pela própria artista no âmbito exposição "O material não aguenta", no Atelier-Museu Júlio Pomar, onde também incluiu vários outros trabalhos.

A artista, única portuguesa convidada a participar este ano na Bienal de São Paulo, com trabalhos na exposição coletiva "Faz escuro mas eu canto", prevista para decorrer a partir de setembro deste ano, também esteve representada, no ano passado, na coletiva “A exposição invisível”, na Culturgest, em Lisboa, dedicada a obras sonoras, e, no Centro de Artes de Sines, no distrito de Setúbal, numa outra mostra sobre violência doméstica com obras de 24 artistas portugueses, sob o título "Público/Privado - Doce Calma ou Violência Doméstica?".

Fora de Portugal, participou na coletiva realizada pelo Museu de Arte Moderna do Luxemburgo (MUDAM), em 2007, e na Bienal de Sydney, na Austrália, em 2004, com curadoria de Isabel Carlos, onde Luisa Cunha apresentou a instalação sonora "Words for Gardens".

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