Estreada para marcar este Dia Mundial do Livro, a “Kobo Plus e_LeYa” é uma iniciativa da empresa canadiana de distribuição de livros digitais Rakuten Kobo, que se juntou ao grupo editorial LeYa na vinda deste serviço para Portugal.

Com o Kobo Plus já presente em países como o Canadá, a Bélgica ou os Países Baixos, esta é a estreia de um serviço desta natureza em Portugal e é a primeira vez que a Kobo se alia a um grupo editorial para fazer a curadoria do serviço.

Ao todo, estão disponíveis mais perto de 8000 títulos em português de diversas editoras e mais de 599 mil em diversas línguas em formato eBook na plataforma. Além das chancelas do grupo LeYa — a Dom Quixote, a Caminho e a ASA, entre outras —, aliam-se também ao projeto as editoras Relógio d’Água, Saída de Emergência, Guerra & Paz, Fundação Francisco Manuel dos Santos, Alma dos Livros, Harper Collins, Harlequin, a Aletheia e Atlântico Press,  estando outras em vias de entrar no serviço.

No seu arranque, o serviço disponibiliza obras de escritores nacionais como António Lobo Antunes, Mário Cláudio, Germano Almeida, Rita Ferro ou Pepetela, Patrícia Reis, Ondjaki, Afonso Reis Cabral, João Pinto Coelho e Rodrigo Guedes de Carvalho,Patricia Portela, Maria João Lopo de Carvalho, Tiago Rebelo, Cristina Norton, Francisco Moita Flores e Domingos Amaral, assim como Maria Teresa Horta, Manuel Alegre, Nuno Júdice ou António Carlos Cortez.

No que toca aos autores internacionais, a escolha vai desde clássicos como Virginia Woolf ou Fiodor Dostoievsk até autores contemporâneos ou que marcaram o século XX, como Elena Ferrante, Arturo Pérez-Reverte, Salman Rushdie, Chimamanda Ngozi Adichie, Zadie Smith, Philip Roth, Haruki Murakami, Amos Oz, David Grossman ou Paul Auster, juntando-se ainda exemplo da literatura policial como Agatha Christie, Camilla Läckberg, Jo Nesbo ou John Le Carré.

Além dos conteúdos eBooks, a “Kobo Plus e_LeYa” disponibiliza ainda mais de 700 conteúdos áudio, a começar pelos audiolivros de origem nacional, com o catálogo a incluir as crónicas de António Lobo Antunes e de Lídia Jorge, os romances de Rodrigo Guedes de Carvalho, Francisco Moita Flores, João Pinto Coelho, Domingos Amaral ou Maria João Lopo de Carvalho, os contos de Mia Couto, a poesia de Manuel Alegre, os grandes clássicos como «Amor de Perdição» ou «Os Maias», e, ainda, os livros infantis de Alice Vieira. A estes juntam-se perto de 94 mil audiolivros de origem internacional neste arranque do serviço.

Na secção áudio, pontuam também os podcasts do jornal Público e dos meios independentes Fumaça e Bruá, assim como uma oferta de programas da RTP. Nesta categoria entram ainda súmulas: resumos de 30/40 minutos de clássicos e de populares obras de não-ficção disponíveis em Portugal, lidos pelos jornalistas Joana Stichini Vilela, Patrícia Barnabé, Dulce Garcia e Paulo Farinha.

Ao contrário dos modelos de venda de livros digitais, esta plataforma vai funcionar à semelhança da Netflix ou do Spotify: quem aderir terá acesso ilimitado aos conteúdos, através do computador, de um tablet, um smartphone ou um dispositivo eReader.

Para tal, pode subscrever três modelos: 5,99 euros por mês exclusivamente para eBooks, o mesmo valor apenas para audiolivros e 7,99 euros para disfrutar do catálogo completo. Os primeiros 30 dias são gratuitos após registo.

Um auxílio à leitura na era da pandemia

Na apresentação da plataforma numa conferência via Zoom, Michael Tambyln, CEO da Rakuten Kobo apresentou o projeto como procurando ser um agregador e um potenciador de leitura numa fase onde esta atividade disputa o seu espaço na era do entretenimento e das redes sociais.

“Não é uma questão de ebooks contra livros impressos ou de uma editora contra outra. É de ler livros versus as redes sociais ou os serviços de streaming, por exemplo”, disse, referindo-se a era da “economia da atenção” em que vivemos e há pouco espaço para ler.

Nesse aspeto, o próprio facto de nos encontrarmos numa pandemia que nos remeteu em larga medida aos nossos lares potenciou a pertinência de um serviço onde era possível aceder a títulos instantaneamente. “Vimos uma aceleração tanto no interesse pela oferta de eBooks como de eReaders desde o início da pandemia, mas trabalhámos muito desde cedo durante a pandemia para nos assegurarmos de que as pessoas eram recordadas de que os ebooks eram uma opção para si, especialmente quando estiveram em confinamento”, explicou Tambyln.

Tomando como iniciativa a disponibilização de mais de 20 milhões de eBooks durante a primeira metade de 2020, a Kobo viu a sua aquisição de novos clientes a crescer drasticamente este ano e a manter-se com os seus serviços. “Soubemos que à medida que as pessoas foram vivendo a pandemia, iam mudar os seus hábitos de media, iam estar em casa a ter de decidir como passar o seu tempo. Nós queríamos ter a certeza que os livros eram vistos como uma dessas formas de conforto ou entretenimento durante a pandemia”, adianta.

A esse respeito, o próprio facto de ser um modelo de subscrição fomentou a chegada de novos leitores, defende o CEO, adiantando que, ao contrário de outros serviços como o Spotify — alvos de críticas pela pouca remuneração concedida aos criadores —, o Kobo Plus tem conseguido manter um sistema equitativo mas autossustentável.

Prova disso é que “nos mercados em que estamos ativos temos visto mais editoras a trazer os seus títulos para o Kobo Plus porque conseguiram perceber que estão a obter receitas que de outra forma não conseguiriam se não estivessem e há mais autores a pedir para ter os seus títulos no Kobo Plus”, contou, adiantando que esta forma de acesso expõe autores menos conhecidos ou obras de fundo de catálogo que não teriam essa visibilidade doutra forma.

Portugal, um mercado por explorar

A apresentação contou também com a presença de Tiago Morais Sarmento, administrador da LeYa, e Pedro Sobral, diretor geral da mesma, tendo ambos frisado que, apesar desta iniciativa partir de um grupo editorial, o seu intuito é de ser uma plataforma inclusiva para as editoras nacionais. Além disso, há o objetivo de "aumentar os índices de leitura e trazer para o mercado dos livros pessoas que não estão nele", sublinhou Sobral.

Uma forma de colocar mais pessoas a ler é mesmo começarem por ouvir. Sendo Portugal um país onde “o perfil de consumo de áudio é grande”, os audiolivros não só podem ser uma aposta de conteúdo vencedora como acabam mesmo por propiciar as pessoas a ganhar hábitos de leitura, defende o diretor geral da LeYa, pois “quem ouve audiolivros vai depois parar ao papel".

Apesar de Portugal não ter sido um mercado tradicionalmente forte para os audiolivros, Pedro Sobral acredita que nos encontramos num ponto de viragem, porque “há uma audiência que está à procura de conteúdos de qualidade”. Juntando-se a vontade das editoras de apostar nos audiolivros à uma plataforma que facilite a sua acessibilidade, torna-se possível criar um mercado.

"Estamos a chegar pela mão dos editores, o que significa que a curadoria, a capacidade e a qualidade da narração que vamos aportar a esses conteúdos, a capacidade de trabalhar e potenciar autores portugueses vai permitir que este mercado tenha uma dimensão interessante", adianta o diretor geral.

O desafio dos audiolivros, de resto, não é exclusivo a Portugal, tendo Tambyln indicado que o seu acesso “tem sido muito limitado em muitos mercados” e que não só “muitas vezes não há [audiolivros] dos autores que as pessoas mais gostam”. e, quando há, “os preços costumam ser muito elevados".

Da parte da LeYa, Pedro Sobral adianta que o grupo está a empreender esforços para popularizar os audiolivros, a começar pelo facto de, possuindo um estúdio próprio, se encontrar em vias de colaboração com outras editoras para gravar as suas obras. Os títulos ainda se encontram sob o segredo dos Deuses, mas o diretor geral adianta que o que está na calha para os próximos dois meses será “muito interessante”.

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