Foi Paul McCartney, baixista, vocalista, e coautor da maioria das canções, que confirmou oficialmente a rutura, quando a 10 de abril de 1970 os media noticiaram uma declaração a anunciar o seu primeiro álbum a solo, homónimo.

A separação dos Beatles tinha sido mantida em segredo durante largos meses pelos quatro músicos – Paul McCartney, John Lennon, Ringo Starr e George Harrison -, mas acabou por ser tornar pública daquela forma enviesada.

“A maneira como terminámos foi bastante lamentável. Sempre disse que os Beatles deviam ter acabado debaixo de uma nuvem de fumo, com roupas mágicas e envelopes cheios de dinheiro. É pena, mas não aconteceu. John [Lennon] sempre falou sobre isso como um casamento e um divórcio, e na verdade era assim”, afirmou Paul McCartney em 2004 numa longa entrevista à revista Uncut.

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Naquele início de década, os músicos estavam já em esforço enquanto banda, ao mesmo tempo que se concentravam em projetos individuais. Em 1970, todos lançaram álbuns em nome próprio.

Nos meses que antecederam o anúncio tinha sido um acumular de problemas e divergências relacionados com a dinâmica da banda, depois da morte do agente Brian Epstein, da entrada de um outro ‘manager’, Allen Klein, e da gestão da empresa Apple que criaram.

É conhecida a reunião que tiveram todos em setembro de 1969, durante a qual John Lennon disse que queria “o divórcio” dos Beatles e que a decisão do fim do grupo seria mantida entre eles.

Na mesma entrevista à Uncut em 2004, Paul McCartney recordou que os problemas entre os quatro músicos já se faziam sentir quando fizeram o álbum “The Beatles”, de 1968, popularmente conhecido como “o álbum branco”.

“Havia muito stress naquela altura, stress entre os quatro. (…) Foi a altura em que nos começámos a separar”, disse.

Entre setembro de 1969 e abril de 1970, os Beatles ainda lançaram “Abbey Road” e gravaram “Let it be”, o último álbum, lançado em maio, um mês depois da rutura anunciada.

A juntar aos derradeiros momentos biográficos da banda há ainda a atuação histórica – porque foi a última pública que deram – em janeiro de 1969 no terraço da Apple, em Londres.

Os Beatles duraram uma década, profundamente impactante na cultura popular, como explica o jornalista Luís Pinheiro de Almeida, admirador da banda, no livro “Beatles em Portugal” (2002): “Os Beatles são uma parte indissociável da civilização do século XX e, mesmo extintos na década de 1970, prolongam a sua influência no século XXI”.

Atualmente, já só estão vivos dois dos quatro Beatles: Paul McCartney, com 77 anos, e Ringo Starr, baterista, com 79 anos.

John Lennon, guitarrista, vocalista e coautor de grande parte do repertório dos Beatles com McCartney, foi assassinado em 1980, quando tinha 40 anos, e George Harrison, guitarrista, morreu em 2001 com 58 anos.

“Não existe nome algum na arte pop que tenha sido mais estudado e mais exaustivamente dissecado do que o dos Beatles. Objeto de teses académicas, alvo dos mais valiosos leilões de 'memorabilia', os Beatles espalharam a sua genialidade em todos os campos das artes, contaminando e transformando a sociedade, como um vírus”, escreveu Luís Pinheiro de Almeida na mesma obra.

Cinquenta anos depois do anúncio público do fim dos Beatles – que seria confirmado tempos depois com um processo judicial -, o ‘filão’ da banda ainda corre.

Em março passado, os estúdios Walt Disney anunciaram que o documentário “The Beatles: Get Back”, do realizador Peter Jackson, vai estrear-se a 04 de setembro deste ano.

O filme foi feito a partir de mais de 55 horas de filmagens inéditas, rodadas por Michael Lindsay-Hogg, e 140 horas de gravações áudio das sessões de produção do álbum “Let it be”, tendo sido tudo restaurado digitalmente com supervisão de Peter Jackson.

“O novo documentário revela muito mais das sessões de gravação de ‘Let it be’ e inclui o total dos 42 minutos da atuação no terraço dos escritórios da Apple”, refere o comunicado da Disney.

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