O filme será exibido no festival de documentários no âmbito da secção “Transmission”, dedicada à música, acompanhando o processo de criação da banda em conjunto com três compositores diferentes, dividindo o filme, assim, em três capítulos distintos, numa viagem guiada pela música.

Convidado pela editora Lovers & Lollypops para trabalhar “no seguimento de uma estética e linha de interesse, a da relação da música com o documentário experimental”, o realizador Miguel Filgueiras acabou por voltar a operar neste campo, em que se sente “bastante confortável”.

Trabalhou com João Manuel Neto, que tratou do texto e ajudou “a pensar o objeto e o que fazer”, e com o som de Duarte Ferreira, neste capítulo muito guiado “pela música”.

“A própria música também te diz muito do que vai ser o material. Quando um [compositor] faz um tipo de música e outro faz outra, a realização sai diferente, porque estás lá [a filmar] e a receber isso”, refere.

O filme dividiu-se, desde logo, a partir do trio de compositores com quem a banda de Barcelos trabalhou, Pedro Augusto, Luís Fernandes e Jonathan Uliel Saldanha, “bastante distintos uns dos outros” pela própria variedade em estilo e projeção musical de cada um.

“Olhando para a primeira parte do filme e a última, vemos que são estéticas e metafísicas completamente diferentes, até no campo da edição e realização, mas ao mesmo tempo misturadas, porque a própria banda também mistura, é um pilar que uniformiza tudo”, explica o realizador.

Filgueiras, um “fã, amigo e apaixonado dos Black Bombaim”, vê na banda minhota “um som cinematográfico que ajuda” a trabalhar na dimensão audiovisual, por levar “à expansão do pensamento e da liberdade da música”, e a colaboração deixou-o “muito contente”.

“Relacionava-me com o som e sabia que o som me ia permitir certo tipo de relações próximas com a imagem, com os Black Bombaim seria mais fácil”, aponta o cineasta.

A sinopse do filme descreve-o como sendo “sobre a criação musical e a sua relação com a paisagem enquanto espaço de criação de mitologias e de somatização de fantasmas”.

“A música em si é um fantasma, é uma coisa invisível. Há um emissor e um recetor, um espaço, e esse fantasma, que se somatiza constantemente em vibrações”, completa Miguel Filgueiras.

Antes da apresentação de um filme sobre a banda, no dia 27, os Black Bombaim apresentam no domingo, em Serralves, o projeto criado em conjunto com o percussionista João Pais Filipe.

A encomenda do festival Curtas Vila do Conde assenta na interpretação de uma banda sonora para o filme “Dragonflies with Birds and Snakes”, de Wolfgang Lehmann.

A atuação do trio e de Pais Filipe está agendada para decorrer entre as 18:00 e as 21:00, num dia em que também o iraniano Sote passa pela Fundação de Serralves.

*Por Simão Freitas, da agência Lusa

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