“Significa muito para mim que a Pixar e a Disney tenham apoiado tanto este filme e me tenham apoiado a mim nos quatro anos que levei a fazê-lo”, disse a realizadora, em entrevista à Lusa.

“Ver que este filme pode ser o primeiro de muitos novos filmes feitos por cineastas diversos é muito entusiasmante e sinto-me honrada”.

“Estranhamente Vermelho”, que se estreia na sexta-feira, 11 de março, representa uma viragem para o estúdio: é a primeira longa-metragem da Pixar realizada inteiramente por uma mulher, com uma protagonista asiática feminina e cuja ação se situa no Canadá.

“Não senti o peso da importância histórica”, disse Domee Shi. “Só queria, quase de forma egoísta, fazer um filme para a miúda de 13 anos que eu fui, a crescer confusa, embaraçada e angustiada com o que estava a acontecer ao meu corpo e aos meus relacionamentos”.

A nova produção Disney Pixar é também a primeira com uma equipa criativa exclusivamente feminina, com a realizadora Domee Shi ladeada pela coargumentista Julia Cho e pela produtora Lindsey Collins.

“Isto não teria sido feito há uns anos, porque acho que só a Domee poderia ter feito este filme”, disse Collins à Lusa. “A Pixar empenha-se em fazer filmes que parecem que só poderiam ter sido feitos por determinada pessoa num determinado momento”, continuou. “Não me parece que qualquer outro realizador na Pixar tenha a sua voz, e este filme definitivamente tem uma voz, é muito único e refrescante”.

Com a ação colocada em Toronto em 2002, “Estranhamente Vermelho” conta a história de uma adolescente sino-canadiana, Mei Lee, que tem uma personalidade decidida e borbulhante até ser abalroada pelo início da puberdade. Quando se sente ansiosa e nervosa, transforma-se num panda vermelho gigante – uma imagem que serve de metáfora para o início da menstruação.

“Situa-se em 2002 porque essa foi a era em que eu cresci, quando tinha 13 anos e a puberdade estava a acontecer-me, por isso senti-me mais confortável a contar a história de uma rapariga que cresce nessa era”, explicou Domee Shi.

Em vez de Instagram e smartphones 5G, as raparigas do filme têm Tamagotchis e leitores de CD e são obcecadas por uma ‘boys band’ chamada 4*Town.

“Sinto que tive sorte porque crescer e ser adolescente é um pesadelo, mas pelo menos não tive de lidar com as redes sociais a tornarem isso ainda mais complicado”, elaborou a realizadora. “Queria focar-me nesse período nostálgico. Foi a era das ‘boys bands’, da música e cultura pop, e tenho memórias nostálgicas dessa era que queria reavivar no ecrã”.

Shi e Collins consideram que, apesar desta especificidade, “Estranhamente Vermelho” é um filme que apela a uma audiência alargada, seguindo a tradição Pixar. “Muitos animadores e desenhadores nunca foram raparigas sino-canadianas de 13 anos, mas encontraram uma conexão com a estranheza da puberdade”, disse Shi.

“Toda a gente passou por essas mudanças embaraçosas e tem uma vergonha alheia visceral quando, no filme, a mãe dela aparece na escola. Toda a gente tem essa memória dos seus pais a embaraçá-los”.

A produtora Lindsey Collins contou a sua própria experiência com o filho de 17 anos, que a via a trabalhar e espreitava para as imagens no computador por cima do seu ombro.

“Ele ria às gargalhadas em todas as coisas que se calhar pensaríamos que só ressoariam com miúdas de 13 anos”, lembrou. “E depois olhava para mim com olhos acusatórios”. A ambição do estúdio em todos os filmes, disse, é que a especificidade dos personagens se torne identificável para toda a gente.

Depois de 36 anos a criar épicas amizades masculinas, de Woody e Buzz a Luca e Alberto, a Pixar decidiu arriscar numa direção diferente. “Estranhamente Vermelho” é a 25.ª longa-metragem do estúdio e estará disponível na plataforma Disney+, além de salas de cinema em mercados selecionados.

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