Em dia de luto nacional, o Folio “é uma festa que abre sem festa”, dissa a diretora do certame, Celeste Afonso, lembrando os incêndios do passado domingo e as suas vítimas, que levaram a organização a não fazer uma inauguração formal do festival, este ano dedicado ao tema “Revoluções, revoltas e rebeldias”.

Os fogos que provocaram 43 mortos e cerca de 70 feridos foram também evocados pelo artista plástico moçambicano Gonçalo Mabunda, autor de uma coleção de 32 esculturas feitas com despojos da guerra civil de Moçambique, que vai ficar exposta no Museu Abílio de Mattos e Silva, a partir de hoje, até ao final do ano.

“O aceitador do Medo”, título da mostra, disse Mabunda à agência Lusa, “tem tudo a ver com o momento penoso” que a região Centro do país viveu, com a população a ter de fazer “o que faz um aceitador do medo: ou fugir ou enfrentar”.

Mabunda, que já viu a sua obra exposta em espaços como o Museum Kunst Palast (Dusseldorf, Alemanha) Hayward Gallery (Londres), Pompidou (Paris), Mori Art Museum (Tóquio) ou a Johannesburg Art Gallery (Joanesburgo, África do Sul), deverá criar uma escultura inédita, em Óbidos, com livros cujo destino seria a guilhotina, segundo a organização.

O Folio-Festival Literário Internacional de Óbidos tem este ano uma edição sem tendas, saindo pela primeira vez das muralhas da vila, para ocupar espaços como o antigo quartel dos bombeiros, os armazéns da ex-EPAC e a Praça da Criatividade.

“O Folio encontrou o seu caminho, que é este de conviver nesta integração total com a própria vila”, disse à agência Lusa a diretora do Festival Literário Internacional de Óbidos, Celeste Afonso, iniciativa cujo programa decorre pela primeira vez fora da muralha.

Numa edição que, ao contrário das duas primeiras, não tem apoio monetário do Turismo do Centro, a organização optou por “não investir recursos no aluguer de tendas [que nas edições anteriores alojavam as mesas de autor, e os espaços das editoras], e ocupar espaços da vila, onde faz sentido levar o público”.

Uma feira do livro, com mais de mil títulos disponíveis no antigo Quartel dos Bombeiros, ou a mostra o “Nascimento de uma Democracia”, que reúne uma coleção de cartazes do 25 de Abril nos antigos Armazéns da EPAC, são algumas das propostas no âmbito da descentralização da programação que, nesta edição, concentra grande parte das mesas de autor na Praça da Criatividade, em frente àqueles edifícios.

O arranque da edição de 2017 do festival também ficou hoje marcado pela “abertura destes locais”, com ênfase nos que recebem a dezena de exposições espalhadas pela vila.

No primeiro dia do Folio destacou-se ainda a edição de um selo alusivo a Óbidos, Cidade Criativa da UNESCO, o primeiro de uma coleção que, segundo os CTT, abrangerá também Idanha-a-Nova, já que ambas fazem parte desta rede da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, a primeira no campo da literatura, a segunda, no da música.

Dedicado ao tema “Revoluções, revoltas e rebeldias”, o Folio debate esta noite as “revoltas interiores”, numa mesa que junta os escritores Dolores Redondo, de Espanha, e Valério Romão, de Portugal.

Ainda esta noite, o primeiro concerto do festival será de homenagem a José Afonso, num espetáculo de Júlio Pereira.

O Folio desenvolve-se em cinco capítulos - Autores, Folia, Educa, Ilustra e Folio Mais - e prolonga-se até ao dia 29, sendo a expetativa da organização que o número de visitantes ultrapasse os 30 mil que o ano passado passaram pelo festival.

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