A parceria entre a autarquia gaiense e a Casa das Histórias Paula Rego, a Fundação D. Luís I e a Câmara Municipal de Cascais leva à Casa-Museu Teixeira Lopes dois períodos no percurso artístico da pintora, as décadas de 1980 e 1990, destacando-se um capítulo dedicado à personagem infantil Peter Pan.

“Esta série condensa todo um imaginário infantil, recriando um mundo de fantasia, de faz-de-conta sobre a fantástica história de Peter Pan, o rapaz que se recusava a crescer. Por outro lado, coloca-nos frente a frente com a vivacidade e a solidez do mundo imaginário da artista, onde as histórias ouvidas durante a infância funcionam como verdadeiras estruturas realistas que integram aspetos da sociedade e seus arquétipos”, descreveu a curadora Catarina Alfaro, coordenadora da Casa das Histórias.

O presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, acredita que esta exposição vai “reforçar a imagem da cidade como polo cultural de referência e ‘cidade das artes'”, acrescentando ainda que a autarquia tem “procurado estreitar relações entre os artistas, para trazer grandes nomes do panorama artístico nacional e internacional”.

Além desta exposição, Paula Rego tem ainda agendadas outras três mostras no Reino Unido até 2020, assim como duas em Madrid e Dublin, e também na Casa de Serralves, em setembro deste ano.

De acordo com Catarina Alfaro, investigadora da obra de Paula Rego, estão previstas exposições na Jerwood Gallery (13 de maio a 22 de outubro deste ano), na Milton MK Galllery (junho), na Scottish National Gallery (23 de novembro a 26 de abril de 2020), no Reino Unido, e no Irish Museum of Modern Art (25 de maio de 2020 a 01 de novembro de 2020), na Irlanda.

Além de Serralves, está também prevista uma outra exposição da artista em Madrid, no CEART – Centro de Arte Tomás y Valiente.

E, para a Casa das Histórias, em Cascais – que este ano completa uma década de existência -, entre julho e novembro deste ano será apresentada a mostra “Paula Rego: Obra Gráfica”, com curadoria de Catarina Alfaro.

A coordenadora do museu dedicado à obra da pintora disse à Lusa, quando do anúncio destas mostras, que 2019 e 2020 “vão ser anos muito importantes no percurso expositivo da artista no Reino Unido”, onde reside.

“Paula Rego continua a trabalhar no seu atelier, e está a desenvolver trabalho em formatos diferentes da pintura e do desenho. Serão uma bela surpresa”, revelou, sobre a artista portuguesa radicada no Reino Unido.

No ano passado, Paula Rego apresentou a sua primeira grande exposição individual em Paris, no Museu de l’Orangerie, que recebeu mais de 183 mil pessoas.

Nascida em Lisboa, em 1935, deixou Portugal ainda adolescente, durante a ditadura de Salazar, para fazer os estudos na Slade School of Art, em Londres, cidade onde se radicou e vive há mais de 50 anos.

Única artista mulher do grupo da Escola de Londres, Paula Rego distinguiu-se por uma obra fortemente figurativa e literária, considerada incisiva e singular pela crítica de arte.

Nessa época, Paula Rego conviveu com nomes de destaque da pintura como Francis Bacon, Lucian Freud, Frank Auerbach e David Hockney.

Foi na Slade School of Fine Art, onde frequentou o curso de pintura entre 1952 e 1956, que veio a conhecer o marido, o artista britânico Victor Willing (1928-1988).

Paula Rego foi distinguida em 2010 pela rainha Isabel II, com o grau de Oficial da Ordem do Império Britânico, pela sua contribuição para as artes.

Em 2016 foi-lhe atribuída a Medalha Municipal de Honra da Cidade de Lisboa.

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