"Conseguir que todas as pessoas comam em pratos biodegradáveis e que não sejam obrigadas a utilizar materiais que danifiquem o ambiente". É esta a ambição da Soditud, a startup que coloca no mercado português produtos ambientalmente sustentáveis.

Nasceu em novembro de 2017, aquando do maior evento de tecnologia da Europa — a Web Summit —, e foi oficializada em julho deste ano. Vai buscar exemplos amigos do ambiente a empresas internacionais e adapta-os ao mercado português.

O objetivo inicial era desenhar um copo que fosse biodegradável, de modo a combater o desperdício diário de copos de plástico. Mas durante o processo de pesquisa, Luís Simões e Pedro Cadete, os responsáveis pela Soditud, encontraram alternativas já existentes a nível internacional: "Entre gastar dinheiro e desenvolver o produto, decidimos começar a trazer coisas que são bem feitas lá fora, nomeadamente as palhinhas e a louça".

A história vem do passado mas remete-nos para o futuro. Luís e Pedro têm 37 anos, foram colegas de faculdade e, há cerca de dois anos, durante "aquela conversa normal que se tem quando se é pai pela primeira vez", conta Pedro, a questão ambiental tornou-se o centro das atenções. Luís com uma carreira na área das bebidas e Pedro ligado às tecnologias, ecopontos e sistemas de recolha, decidiram unir forças e pôr mãos à obra.

É assim que chegamos à louça biodegradável. A Soditud é promotora da marca Biotrem desde março deste ano. A empresa nasceu na Polónia e traz, através dos seus promotores, pratos, tigelas para Portugal.

A Biotrem é uma startup que tem um passado repleto de tradição. Surgiu pelas mãos de Jerzy Wysocki, profissional na arte da moagem que queria dar utilidade ao farelo de trigo - a parte externa comestível do grão de trigo que sobra da produção de farinha de trigo, constituindo cerca de 30% da produção.

Através de um processo de alta pressão e de altas temperaturas criou os pratos e tigelas 100% farelo de trigo, comestíveis, disponíveis em tamanhos de 20, 24 e 28 cm, biodegradáveis e com uma compostagem (processo biológico de decomposição) de 30 dias (face aos 500 anos de compostagem de um prato de plástico).

Localizada na Polónia, numa região ecologicamente limpa e tradicionalmente agrícola, há cinco anos que a Biotrem produz louça biodegradável. Mas porquê o farelo de trigo? Porque tem uma grande capacidade de produção - 100 toneladas de farelo de trigo permitem produzir um milhão de peças biodegradáveis por mês - e porque é amigo da natureza, uma vez que não exige muita água, não é necessário aumentar a área de produção nem fertilizar terrenos para obter este produto.

Os pratos e taças podem levar desde saladas até sopas (aguentam cerca de 15 minutos até o prato começar a amolecer), ir ao micro-ondas até 750 Watts e ir ao forno até aos 180 graus.

Pode também dar comida ao seu animal nestes pratos ou dar-lhe a experimentar o próprio prato. Quando toca ao sabor as opiniões divergem, mas uma coisa é certa: opte por comer ou por deitar fora, não vai durar muito tempo no nosso planeta.

Para completar o kit, a Biotrem criou também talheres, mas não comestíveis. Devido à necessidade de resistência incluem bioplásticos e só são degradáveis a nível industrial.

Pedro e Luís pretenderam também arranjar no futuro solução para problemas como o dos bioplásticos que, não sendo biodegradáveis, têm de ser colocados no lixo normal e ir para aterro.

Os produtos da Biotrem podem ser adquiridos por empresas ou pessoas individuais, sendo os festivais o público-alvo preferencial da louça biodegradável. Exemplo disso foi a presença dos pratos, tigelas e talheres, através da Soditud, no Festival Bons Sons, na aldeia de Cem Soldos, em Tomar, onde se priorizou a redução da pegada ambiental.

Da comida para a bebida, a Soditud representa também, desde novembro do ano passado, a startup Sorbos, uma empresa espanhola com três anos no mercado que produz palhinhas comestíveis. Feitas de amido de milho, água, gelatina e sugar glass (açúcar transparente que parece vidro), há sabores para todos os gulosos. Desde morango, limão, maçã verde, canela, gengibre, chocolate ou neutro, são diversos os aromas destas palhinhas que podem ser personalizáveis (com o seu nome, por exemplo), e que aguentam cerca de meia hora sem migrar para a bebida, respeitando o seu sabor.

Pedro Cadete diz que o facto de ser comestível é "a parte comercial" uma vez que a parte ambiental não era suficiente para convencer o cliente. Assim, "ao dizermos que o produto é tão bom que até o pode comer, já nos davam os nossos cinco minutos de tempo de antena. Então já conseguimos que o cliente nos oiça e implemente a solução", conta o responsável da Soditud.

O público-alvo das palhinhas e da louça é a HoReCa (abreviatura de Hotéis, Restaurantes e Cafés). Através do site da Soditud, as empresas no mundo da restauração podem fazer as suas encomendas. Em Lisboa, as palhinhas já se encontram em locais como o Evolution Hotel, no Saldanha, o Corinthia Hotel, o Time Out Market, o Hotel Fontecruz e o Grupo Hilton Hotel.

Pedro Cadete admite que o trabalho da Soditud "ainda é uma coisa pouco conhecida" porque a empresa existe há "pouco tempo" e que a maior desvantagem destes produtos é o preço: "Nós nunca na vida iremos conseguir ter um preço competitivo face ao plástico. É impossível. Mas nem nós, nem quem produz alternativas às embalagens de higiene pessoal, desde a pasta de dentes, o champô, gel de banho, por aí fora".

Mas a Soditud começa a ganhar terreno em Portugal e a palavra-chave agora é "produzir". Neste momento já têm protótipos para produzir colheres de café que estão perto de ver a luz do dia e contribuir para o crescimento da responsabilidade ambiental dos portugueses.

O trabalho é diário e o objetivo da Soditud é, resume Pedro, "reduzir ao máximo a pegada ambiental e deixar um mundo em condições para os nossos filhos".


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