Depois de ter sido forçado a interromper a sua programação, continuando com iniciativas via ‘online', devido à pandemia da covid-19, o TNSJ, que este ano celebra o seu centenário, retomará atividade em agosto.

"O São João está convencido de que, no pino de verão, nas noites e finais de tarde do nosso querido mês de agosto será possível fazermos e vermos teatro", disse hoje o presidente do conselho de administração do TNSJ, Pedro Sobrado, admitindo que o lançamento de uma programação nesse mês é "tão inédito quanto arriscado".

Entre os destaques está a estreia, em dezembro, de um espetáculo de Frank Castorf, bem como, no último trimestre deste ano, dos espetáculos encenados por Nuno Cardoso, Ricardo Pais e Nuno Carinhas, atual e antigos diretores artísticos do TNSJ, estrutura que soma o Teatro Carlos Alberto (TeCA) e o Mosteiro de São Bento da Vitória.

O arranque está marcado para 06 de agosto, com a estreia de "O Burguês Fidalgo", a partir de Molière, uma coprodução com a companhia portuense Palmilha Dentada que estará em cena no TeCA até 23 de agosto.

Entre 20 de agosto e 12 de setembro sobe ao palco a produção própria do TNSJ “Castro”, de António Ferreira, com encenação de Nuno Cardoso, e aquele que é chamado "o primeiro exercício da companhia quase residente do TNSJ" seguirá para uma temporada fora de portas com apresentações em Coimbra (Convento São Francisco a 15 de outubro) e em Braga (Theatro Circo a 23 do mesmo mês).

A peça "Castro" voltará aos palcos em Lisboa (Centro Cultural de Belém entre os dias 21 e 22 de janeiro) e "voa" para o Luxemburgo, entre 05 e 06 de fevereiro, para se apresentar no Teatro Nacional daquele país.

"As digressões e as relações com as comunidades de língua portuguesa não se esgotaram. Esta é um exemplo disso, de uma relação com a comunidade do Luxemburgo que não será episódica, mas sim estruturante", disse Pedro Sobrado.

O responsável falava aos jornalistas ao lado do diretor artístico, Nuno Cardoso, que sublinhou a ideia de que "o desejo de serviço público do TNSJ que foi plasmado na estreia da ‘Castro' em Aveiro [no início de março] manter-se-á", assim como "a aposta na nacionalização e internacionalização de produções".

Ainda no que diz respeito a produções próprias, Nuno Cardoso levará ao palco do TNSJ, entre 04 e 21 de novembro, "O Balcão", considerada "uma das obras mais ambíguas e terríveis de Jean Genet", tratando-se de "um misto de comédia erótica, drama metafísico e farsa fúnebre".

No dia 07 de março de 2021 - um ano após o arranque das comemorações do centenário - estreia-se, no TNSJ, "À Espera de Godot", de Samuel Beckett, com encenação de Gábor Tompa, que ficará em cena até dia 27 de março, Dia Mundial do Teatro.

"De um total de 29 espetáculos cancelados [devido à pandemia da covid-19] 27 foram reagendados até ao final de julho, 18 dos quais até final de março", contou Pedro Sobrado.

Entre eles está "Comédia de Bastidores", de Alan Ayckbourn, uma coprodução ASSéDIO e TNSJ com o encenador Nuno Carinhas a regressar ao São João para, juntamente com João Cardoso, de 01 a 11 de outubro.

A 17 e 18 de dezembro é a vez de "Bajazet, considerando o Teatro e a Peste", de Frank Castorf, histórico diretor do teatro Volksbühne, em Berlim, que propõe um teatro da palavra a partir dos textos de Jean Racine e Antonin Artaud.

Já entre 08 e 09 de janeiro, o TNSJ acolhe "Qui a tué mon père", uma história biográfica de um pai, com base nas turbulentas memórias de infância de um filho, um espetáculo que conta com interpretação e encenação de Stanislas Nordey, diretor do Teatro Nacional de Estrasburgo.

Quanto à peça "A Vida Vai Engolir-vos", esta é descrita como um "espetáculo maratona" que convoca as peças maiores do repertório tchekhoviano e se divide em duas partes que se apresentam alternadamente nos palcos do São João (18 e 19 de setembro) e do Rivoli (17 e 19 de setembro), dias depois da estreia em Lisboa, tendo direção artística de Tónan Quito.

Nota ainda para o regresso ao TNSJ de Ricardo Pais com a "talvez… Monsanto", de 03 a 05 de dezembro, num espetáculo que conta com a atriz Luísa Cruz e o fadista Miguel Xavier.

Entre outras peças e parcerias com companhias do Porto e nacionais, na apresentação de imprensa de hoje, o TNSJ destacou também que o projeto educativo "continua a ser reforçado" e avançou que serão apresentados publicamente os resultados dos Clubes de Teatro Sub-18 e Sub-88, com "Once Upon a Time", nos dias 11 e 13 de dezembro.

Já o projeto "Visitações" que mobiliza alunos, professores e equipa artística do TNSJ, arranca em novembro e terá como tema "Liberdade", estando as sessões públicas agendadas para 24 e 25 de abril, no Mosteiro de São Bento da Vitória.

Em dezembro será inaugurada a exposição sobre os 100 anos do TNSJ, sendo que o encerramento da mostra, em março de 2021, coincidirá com a publicação de um catálogo com documentos escritos, testemunhos, registos fotográficos e objetos encontrados.

Nesta nova temporada, o TNSJ apresenta ainda "a Empilhadora" uma nova coleção que reúne títulos de história e estética teatral, ensaio e biografia, arrancando com dois títulos: “O Repúdio do Conhecimento em Sete Peças de Shakespeare”, de Stanley Cavell, e “Olhai a Neve a Cair”, de Roger Grenier.

"Esta programação é a ponta do iceberg do nosso esforço enquanto serviço público para apontar caminhos possíveis, caminhos com sentido e não avulsos", resumiu Nuno Cardoso.

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