A sessão de riso, que arrancou com o português Ricardo Araújo Pereira a recitar poemas “badalhocos” do brasileiro Gregório Duvivier, prosseguiu com este último a deitar abaixo a “barreira da língua” entre Portugal e o Brasil, numa disputa de vogais abertas e fechadas.

“Vocês têm um problema com as vogais, fazem mais ou menos como o governo espanhol com a Catalunha: não reconhecem”, disse Duvivier.

“Nos fechamos [as vogais] e vocês abrem demais”, ripostou Ricardo Araújo, numa batalha de sotaques trocados de um imitando o outro.

Da língua ao Presidente do Brasil, Michel Temer, ao Presidente norte-americano, a Madonna, ao juíz Neto de Moura [que proferiu a polémica sentença que desresponzabiliza a violência sobre uma mulher alegadamente adúltera] ou ao taxista Jorge Maximino [que numa manifestação disse que as leis são como as meninas virgens, para ser violadas], nada escapou à critica dos humoristas que levaram o público às lágrimas ironizando sobre o pior dos dois países.

A mesa, a que assistiram centenas de pessoas, muitas delas de pé, foi um dos pontos altos do festival que no domingo termina em Óbidos, depois de 11 dias de folia.

Vinte e nove mesas de autores, dez exposições, 15 conversas e um seminário internacional marcaram o programa que no domingo termina com Eduardo Lourenço e Guilherme d’Oliveira Martins a fecharem o debate em torno da “Revoluções, Revoltas e Rebeldias”.

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