A Associação Juvenil CulturMais decidiu cancelar o "festival de música extrema" por razões de cariz económico, "devido à redução dos apoios da Câmara de Beja", explicou Vítor Paixão.

Segundo o responsável, num primeiro momento, em novembro de 2017, o novo executivo municipal do PS informou a CulturMais que iria colaborar com apoios iguais aos atribuídos em 2017 pelo anterior executivo CDU, ou seja, um apoio pontual de 17.500 euros e apoio logístico.

A CulturMais informou, entretanto, que se o novo executivo PS queria atribuir apoios iguais ao da anterior gestão CDU teria de atribuir também o apoio regular à atividade da associação de 1.900 euros e quatro datas no Teatro Municipal Pax Julia para a associação promover espetáculos para angariar receitas.

Segundo Vítor Paixão, em 2017, o anterior executivo CDU da Câmara de Beja contribuiu, direta e indiretamente, com um apoio "superior a 26.000 euros" para a associação cofinanciar o festival.

Isto porque o anterior executivo, além do apoio pontual de 17.500 euros e de apoio logístico para o festival, atribuiu um apoio regular de 1.900 euros e quatro datas no Teatro Municipal Pax Julia para a associação promover espetáculos para angariar receitas.

No final de janeiro deste ano, o novo executivo PS do município respondeu e disse que afinal iria atribuir à CulturMais um apoio pontual de 10.000 euros e apoio logístico "inferior" ao do ano passado para o festival, um apoio regular de 1.900 euros e duas datas para espetáculos no Teatro Municipal Pax Julia e que poderiam render uma estimativa de receitas de 3.000 euros.

A última proposta do novo executivo PS representa um total de 14.900 euros, ou seja, 11.100 euros a menos relativamente aos apoios atribuídos no ano passado pela anterior gestão CDU, disse.

"Houve uma descida na proposta inicial, o que me leva a concluir que nunca houve uma verdadeira intenção de manter o festival por parte do novo executivo da Câmara de Beja", disse.

"Teria sido melhor o executivo ter dito inicialmente que não tinha interesse em apoiar" o Santa Maria Summer Fest, mas "estivemos dois meses a marinar", o que "inviabilizou a possibilidade" de a CulturMais "negociar com outros municípios apoios e a hipótese de deslocalização do festival" e de começar a organizar a edição deste ano "em tempo útil", sublinhou.

Vítor Paixão disse sentir "mágoa por não poder levar por diante a edição deste ano" do Santa Maria Summer Fest e que "quem fica a perder é Beja", porque "o festival é importante e traz benefícios para a cidade".

O Santa Maria Summer Fest tem "relevância distrital, nacional e internacional e, "em termos microeconómicos, tem impactos positivos no alojamento e na restauração" de Beja.

"Se município de Beja entender que o festival faz falta e o quiser apoiar no próximo ano daremos sempre prioridade à cidade onde ele nasceu, mas se houver outro município numa outra localidade que nos ofereça as garantais que Beja não oferece, então o festival será feito noutro lado, sem mágoas, nem ressentimentos", afirmou.

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara de Beja, Paulo Arsénio, confirmou que o município reduziu o apoio pontual ao festival, frisando que "nenhuma instituição com a qual a autarquia colabora recebe mais do que 10.000 euros para apoios pontuais".

"O valor de 17.500 euros de apoio pontual ao Santa Maria Summer Fest era manifestamente excessivo e, por isso, resolvemos reduzi-lo, mas, ainda assim, seria o segundo maior de sempre atribuído pelo município ao festival", explicou o autarca.

Paulo Arsénio lamentou a decisão da CulturMais de cancelar o Santa Maria Summer Fest deste ano e considerou "estranho que a associação tenha recebido da Câmara de Beja em 2017, ano de eleições, um apoio pontual de 17.500 euros exclusivamente para o festival", após ter recebido em 2016 um apoio muito reduzido e quase nulo".

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