Torres Vedras. Cidade com o seu altaneiro castelo conquistado por D. Afonso Henriques, em 1148, e que viu reforçadas as suas defesas à ordem de D. Dinis, em 1288. Já com D. João I foi aqui decidida a conquista de Ceuta, em casa ainda existente e assinalada.

Torres Vedras. Terra cheia de história e belos monumentos, como o conhecido Chafariz dos Canos de 1322, com a sua fonte gótica. Terra com história defensiva, com o Forte de São Vicente, ponto mais importante e decisivo das Linhas de Torres na época das Invasões Francesas, e que recentemente foi alvo de tão necessária recuperação e inauguração do seu centro interpretativo.

Tanta história que a minha terra tem. Aqui vivi uma infância e juventude felizes e aqui sempre regressei e regresso ainda aos fins-de-semana e férias. Os estudos superiores e o emprego ditaram a minha saída rumo à capital, mas tenho acompanhado desde sempre a evolução desta cidade.

Cresceu muito, criaram-se espaços agradáveis de lazer, como o Parque da Várzea, espaço para todos – dos avós aos netos – onde se pode conviver, praticar vários desportos ou simplesmente passear. E é de realçar também a recente recuperação do antigo e abandonado choupal, que foi devolvido aos torreenses como local agradável e bonito onde apetece estar.

Torres Vedras cresceu também em ofertas a nível da saúde, com a criação de dois hospitais privados (CUF e SOERAD) e, na encosta do Varatojo, do primeiro centro a nível nacional de doenças neurológicas, o Campus Neurológico Sénior (CNS).

Mas é de lamentar, a este propósito, a deterioração do Hospital de Torres Vedras, que se encontra com falta de profissionais, e o encerramento do Hospital do Barro, antigo convento que tem vindo a ser vandalizado e ainda sem destino conhecido.

Quanto a mim, que moro na zona histórica da cidade, vejo que tem sido feito algo para a sua recuperação. Foi instalada aí a Biblioteca Municipal e recentemente aberto o LAB Center. Mas há ausência de estímulo à habitação, tornando esta zona quase deserta de residentes. A existência de casas desabitadas e, principalmente, degradadas, e o fecho do comércio tradicional que aí dava vida e produzia emprego, tem sido há muitos anos um problema que deve ser pensado e resolvido.

Queremos um centro histórico com jovens moradores, com comércio aberto, com vida. Faltam em Torres Vedras incentivos ao emprego, para que os nossos jovens – que se formam fora – aqui possam viver e trabalhar, mantendo as suas raízes. Falta também a criação e recuperação de casas que lhes poderiam ser alugadas a preço justo, de modo a poderem aqui viver independentes.

Vive-se bem na cidade de Torres Vedras, é verdade. Mas Torres não é só esta cidade com história. É ainda necessário melhorar a vida aos que vivem nas freguesias à sua volta: todos esses também são parte de Torres Vedras.

Não posso deixar de salientar que o concelho é a maior zona de produção de vinho a nível nacional e, tendo isso em conta, mais se poderia fazer para a sua promoção e valorização. Porque não uma feira do vinho, uma feira dos produtos agrícolas, entre tantas outras coisas que temos?

Torres Vedras não pode continuar a ser conhecida só pelo Carnaval – que dizem ser o mais português de Portugal – mas tem de ser falada, principalmente, por ofertas culturais aliciantes.

É tão bom viver na minha terra, onde regressei após a reforma. Uma Torres Vedras onde posso agora passear por todo o Património Histórico, que tem de continuar a ser valorizado.

Maria Sofia Macário Clemente Fernandes nasceu e cresceu em Torres Vedras, com o centro histórico como recreio de brincadeiras. Por força dos estudos, deslocou-se para Lisboa, onde se tornou psicóloga clínica. Agora, depois de reformada, encontra em Torres o seu local de todos os fins-de-semana e de férias. Porque o local onde nascemos é sempre a nossa terra, que queremos ver crescer com também nós crescemos.

A Minha Terra é uma rubrica especial do SAPO 24 em que várias pessoas são convidadas a falar da sua terra, "à boleia" das eleições autárquicas do próximo dia 1 de outubro de 2017.

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