“Jorge Luis Borges já tinha perdido a visão quando começou a viajar com María Kodama, em 1975. Viagens registadas numa sábia e caótica reunião entre os apontamentos, as referências literárias e as fotografias da sua companheira de aventuras”, descreve a editora Quetzal.

Publicado pela primeira vez em 1984, “Atlas” é o último livro publicado em vida de Jorge Luis Borges, nesta edição da Quetzal com tradução de Fernando Pinto do Amaral.

“As vésperas da viagem são uma preciosa parte da viagem”, escreve o autor argentino, que, entre Roma, Atenas e Istambul, confessa: “O meu corpo físico pode estar em Lucerna, no Colorado e no Cairo, mas, ao acordar cada manhã, ao retomar o hábito de ser Borges, emirjo invariavelmente de um sonho que acontece em Buenos Aires”.

Segundo a editora, o Jorge Luis Borges autor desta obra é um homem “maduro”, que viaja de balão no vale de Napa (Califórnia), ou que se deixa abraçar e lamber por um tigre como se fosse uma cria, na reserva de animais de Cutini, perto de Luján.

“O que é um atlas para nós, Borges? Um pretexto para entretecer na urdidura do tempo os nossos sonhos, feitos da alma do mundo”, lê-se no epílogo de María Kodama, no qual conta como antes de uma viagem, com os olhos fechados e as mãos unidas, os dois abriam ao acaso o atlas e deixavam as polpas dos dedos adivinharem o impossível: toda a experiência de uma viagem.

No prólogo da obra, Jorge Luis Borges escreve que não há um só homem que não seja um descobridor, e explica: “Começa por descobrir o amargo, o salgado, o côncavo, o liso, o áspero, as sete cores do arco-íris e as vinte e tal letras do alfabeto; passa pelos rostos, os mapas, os animais e os astros; conclui pela dúvida ou pela fé e pela certeza quase total da sua própria ignorância”.

Recordando o quanto partilhou com María Kodama - com “alegria e espanto” - a descoberta de sons, idiomas, crepúsculos, cidades, jardins e pessoas, sempre diferentes e únicas, Borges diz que “estas páginas desejariam ser monumentos dessa longa aventura que continua”.

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