Uma mensagem para quem quer o fim do PCP

O novo secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, sustentou que o partido tem “uma enorme responsabilidade” e a conferência dos últimos dois dias demonstrou que está “à altura”.

“Temos uma enorme responsabilidade, mas, como a nossa conferência nacional demonstrou estamos à altura dessa responsabilidade”, disse Paulo Raimundo, o quarto secretário-geral do PCP em democracia, no início da intervenção de encerramento da Conferência Nacional do PCP, em Corroios, concelho do Seixal.

E mesmo no início, um improviso: “Que grande é o nosso partido. Com esta força é muito mais fácil levar por diante as tarefas do partido, sejam elas quais forem.”

Dirigindo-se para ‘dentro’, Paulo Raimundo avisou que “há quem salive e desespere pelo fim do PCP”.

“Pois daqui fica o conselho, esperem sentados, porque um partido ligado aos trabalhadores, às populações, aos seus problemas e anseios, determinado em lhes dar esperança, um partido assim e como aqui se reafirmou na Conferência, a única coisa a que está condenado é a crescer e a alargar a sua influência”, defendeu, num dos momentos altos do seu discurso em que foi mais aplaudido.

Com uma camisa azul clara, um ‘blazer’ escuro e calças beges, o novo secretário-geral do PCP deixou apelos “ao coletivo partidário”.

A luta continua

O apelo deixado aos militantes foi estendido “a toda a sociedade”, para que não se perca “a esperança” nem se “baixem os braços”.

“Em todas as frentes de luta e intervenção seja como eleitos nas autarquias, na Assembleia da República, nas assembleias legislativas regionais, no Parlamento Europeu, seja nos sindicatos e outras estruturas dos trabalhadores, seja na frente de intervenção de organizações de massas das mais diversas áreas, seja na ação de todos os dias, do contributo mais modesto ao mais qualificado, aqui fica o apelo, que todos e cada um dê mais um pouco, faça mais um esforço, ganhe mais confiança nesta luta que travamos pelos trabalhadores, o povo e o País, por uma sociedade e um mundo mais justos”, vincou.

Raimundo defendeu que o PCP não se conforma nem resigna com o capitalismo que “apenas tem para oferecer a guerra, a miséria, a corrupção e a degradação ambiental, tem de facto muita força” mas que “não tem força bastante para travar o mais belo projeto que a humanidade conhece e que colocará a igualdade, a justiça e a paz no centro dos objetivos da atividade humana, o socialismo e o comunismo, a sociedade nova, a que o futuro pertence”.

A guerra da Ucrânia e o "fogo não se apaga com gasolina"

O novo secretário-geral do PCP defende que o partido tem a "autoridade de quem sempre se opôs" à guerra na Ucrânia e alertou que o "fogo não se apaga com gasolina".

Na primeira intervenção que fez como sucessor de Jerónimo de Sousa, Raimundo sustentou que o PCP tem "a autoridade de quem sempre se opôs à guerra" que eclodiu a 24 de fevereiro na Ucrânia.

E deixou um alerta: "Fogo não se apaga com gasolina, tomamos a iniciativa pela paz."

PS, o responsável por injustiças disfarçadas de crise

O novo secretário-geral rejeitou que haja uma crise socioeconómica quando há “um punhado” que está a “lucrar enquanto a fatura sobre sempre para os mesmos”.

A “injustiça”, reforçou o secretário-geral do PCP, “tem responsáveis”, que estão sempre a apelar “à compreensão: 'isto está difícil para todos', 'mais vale pouco do que nada', 'não se pode ter tudo de uma vez', 'a culpa é da guerra'”.

Para Paulo Raimundo, o aumento dos preços, os baixos salários, as rendas altas e os "juros proibitivos" resultam de opções políticas e não são uma inevitabilidade. Raimundo alertou para “mentiras" que são propagadas "para que os poucos do costume arrecadem muito e tudo de uma só vez”.

As “injustiças”, continuou, são resultado da “opção política do Governo PS, bem evidente no Orçamento do Estado, e é, com mais ou menos berraria e aparente discordância, a opção de fundo de PSD, CDS, Chega e Iniciativa Liberal”.

O país não pode aceitar “que para muitos sobrem os sacrifícios e para poucos os lucros”, a “brutal pressão, chantagem e ataque aos salários, ao mesmo tempo que o Governo, por via do Orçamento do Estado, assegura lucros milionários aos grupos económicos”, sustentou.

E questionou o 'mantra' de António Costa: “Contas certas para quem e com quem?”

Paulo Raimundo advertiu o primeiro-ministro que o Governo “não ficou totalmente de mãos livres” com a maioria absoluta. O descontentamento da população e a “intervenção do PCP” são forças que “lhe fazem frente”.

O "até já, camarada"

“Porque não esquecemos o papel de cada um no coletivo partidário, em nome do Comité Central, em nome da Conferência Nacional e certamente que em nome de todo o Partido, gostaria de dirigir uma palavra ao camarada Jerónimo de Sousa”, afirmou Paulo Raimundo.

No encerramento da quarta Conferência Nacional do partido, Paulo Raimundo agradeceu ao secretário-geral cessante, Jerónimo de Sousa, o seu “empenho, contributo” e “papel”.

“A alteração das tuas responsabilidades não significa um adeus, é um até já camarada”, disse, num momento em que os delegados e militantes presentes se levantaram para aplaudir Jerónimo de Sousa e entoar “Assim se vê a força do PC”.

Vincando que “o PCP conta, e conta muito”, Paulo Raimundo assinalou que para atingir estes objetivos conta também com “os dois mil novos militantes que aderiram ao partido desde o início do ano passado e com os milhares que serão membros do partido nos próximos anos”.

“[O PCP] Conta na vida de todos os dias, conta na luta de todos os dias, conta, e cada vez é mais necessário, aos trabalhadores, ao povo e ao país”, rematou.

No final da sua intervenção, Paulo Raimundo e Jerónimo de Sousa deram as mãos em conjunto e deram um novo abraço perante uma plateia de punhos erguidos e bandeiras no ar. No final, tal como acontece nos congressos do PCP, foram cantados os hinos comunistas "Avante, Camarada" e "A Internacional", encerrando com o hino nacional.

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