Humberto Manuel Pedrosa, dono e presidente do Grupo Barraqueiro e acionista da TAP (agora com 22,5%), surgiu nos extratos bancários apresentados pelo partido à Entidade das Contas e Financia­mentos Políticos (ECFP) como um dos seus quatro maiores financiadores individuais em 2020. A notícia é avançada esta sexta-feira pelo Expresso.

Os extratos, consultados na semana passada pelo semanário, revelam uma transferência de cinco mil euros, realizada a 17 de junho de 2020, em nome de Humberto Manuel Pedrosa para a conta do partido no BPI.

O Expresso indica ter contactado o empresário que negou ter sido o próprio a realizar o donativo, atribuindo o mesmo a um dos seus filhos, Artur Pedrosa: “A transferência foi feita de uma conta conjunta de que eu sou o primeiro titular e por isso aparece o meu nome na transferência”, explicou o ex-administrador da TAP.

Artur Pedrosa não fez parte da administração da TAP – ao contrário de Humberto Pedrosa e o seu outro filho, David Pedrosa –, mas é administrador da HPGB, SGPS, S.A. (o Grupo Barraqueiro), acionista da transportadora aérea.

Tiago Mayan Gonçalves, durante a campanha para as presidenciais, criticou André Ventura por não se preocupar em “fechar a torneira de quatro mil milhões” injetados pelo Estado na TAP. Em dezembro de 2020, em entrevista à publicação, o líder do Chega defendeu a injeção de dinheiro público, argumentando tratar-se de uma companhia de bandeira “fundamental ao interesse estratégico português”.

A 30 de junho de 2020, André Ventura tinha assumido uma posição contra a nacionalização da TAP, apelando ao Governo para que não desistisse das negociações em curso.

À data, o presidente do Chega defendia a manutenção do Grupo Barraqueiro e de David Neeleman no capital social da transportadora, argumentando a necessidade de ter “uma companhia aérea moderna, ao nível do que se quer na ­União Europeia, e isso exige uma parceria entre o Estado e os privados.”

De acordo com o Expresso, além de Humberto Pedrosa, nos respetivos extratos bancários surgem outros três nomes como responsáveis pelas maiores transferências (todas no valor de cinco mil euros) para o partido em 2020 – José Paulo Santos Duarte, dono da empresa Transportes Paulo Duarte; João Maria Casal Ribeiro Bravo, dono da Sodarca — Sociedade Distribuidora de Armas de Caça e sócio-gerente da Helibravo; e Jorge Moniz Maia Ortigão Costa, acionista da Sugal, a fábrica de transformação de tomate que detém a marca Guloso.

O semanário reporta ainda um conjunto alargado de pagamentos, “na ordem das centenas ou milhares de euros cada um e efetuados a um ritmo quase diário”, cuja origem não foi possível identificar apenas através da consulta dos extratos. As transferências em questão são identificadas com a descrição Ifthenpay, uma plataforma online que permite fazer pagamentos através de referências multibanco.

Porém, apesar de não terem a sua origem identificada nos extratos, o partido obriga a que preencham um formulário online de identificação no momento do pagamento.

De acordo com a Lei do Financiamento dos Partidos Políticos, os donativos e respetivas contribuições têm de ser “obrigatoriamente titulados por meio de cheque ou por outro meio bancário que permita a identificação do montante e da sua origem”.

O semanário questionou a ECFP sobre se o método de referência multibanco viola as regras de transparência, que respondeu que “está a decorrer o concurso público para contratação dos serviços de auditoria externa às contas anuais de 2020” e por isso a ECFP “não está neste momento em condições de adiantar nada em relação a eventuais irregularidades de que tais contas padeçam”.

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