"As causas possíveis (destas ausências) podem ser um regresso ao país de origem, uma viagem a outro país ou uma imersão na ilegalidade", explica o governo em resposta aos parlamentares do partido de esquerda Die Linke, e transmitida por este à AFP.

O executivo também sugere a possibilidade de que existam registos repetidos para os mesmos indivíduos. O sistema EASY contabiliza os migrantes que querem fazer um pedido de asilo, e com base nisso são atribuídos a um centro de acolhimento numa das regiões alemãs. Este sistema registou 1,09 milhões de migrantes em 2015, um número recorde para a Alemanha e a Europa. Do total de refugiados e migrantes acolhidos na Alemanha no ano passado, "cerca de 13% não se apresentaram nos centos de acolhimento para os quais foram direcionados", indica a resposta do executivo alemão ao Die Linke.

Registos centralizados

Perante o enorme fluxo de migrantes, a Alemanha adotou uma série de medidas para acelerar a análise de pedidos de asilo, mas também as expulsões. O país acaba de criar o seu primeiro sistema que centraliza as identidades de todos os migrantes registados, e todos devem receber um documento de identidade chamado "prova de chegada".

Por outro lado, o Parlamento alemão adotou na quinta-feira uma lei que prevê, entre outras medidas, que qualquer migrante que não se apresente ao centro de acolhimento ao qual foi destinado não poderá beneficiar de todas as ajudas sociais. "Tomamos medidas que envolvem precisamente este fenómeno (os migrantes cuja impressão digital é perdida pelas autoridades) e permitirão que no futuro estes casos sejam reduzidos", salientou o porta-voz do ministério do Interior, Johannes Dimroth, num encontro com a imprensa. "Ainda é muito cedo (...) para avaliar os efeitos", declarou, lembrando que algumas destas medidas acabam de entrar em vigor e que outras ainda não começaram a ser implementadas.

Mas o porta-voz excluiu desde já limitar a liberdade de circulação dos migrantes para acabar com este problema. "Não há na Alemanha bases legais para privar ou limitar a liberdade dos requerentes de asilo", destacou. Enquanto isso, a chanceler alemã Angela Merkel é cada vez mais criticada no seu país por ter aberto as portas da Alemanha aos refugiados. 

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