Com cerca de 10 mil habitantes, a vila piscatória de Rabo de Peixe é o único território do país que se encontra atualmente sob cerca sanitária no âmbito da pandemia da covid-19, medida que foi decretada e anunciada na terça-feira pelo Governo dos Açores.

Segundo uma nota do gabinete de imprensa do executivo açoriano, ficam interditas as deslocações, por via terrestre e marítima, entre Rabo de Peixe, no concelho da Ribeira Grande, e as restantes freguesias.

Além do isolamento com os territórios vizinhos, a cerca sanitária em Rabo de Peixe determina a proibição da circulação e permanência de pessoas na via pública, o encerramento de todas as escolas e a limitação da lotação máxima de um terço da respetiva capacidade na restauração, bares e outros estabelecimentos de bebidas, com ou sem espetáculo e com ou sem serviço de esplanada.

O Governo dos Açores decidiu ainda que, a partir das 20:00, “são encerrados os restaurantes, bares e outros estabelecimentos de bebidas, com ou sem espetáculo e com ou sem serviço de esplanada, sendo cancelados todos os eventos de natureza cultural ou de convívio social alargado”.

Na vila piscatória de Rabo de Peixe, o mau tempo é pior do que a cerca sanitária
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Estão previstas exceções para deslocações necessárias e urgentes, para acesso a cuidados de saúde, assistência, cuidado e acompanhamento de idosos, menores, dependentes e pessoas especialmente vulneráveis, incluindo o recebimento de prestações sociais, bem como de profissionais de saúde e de medicina veterinária, entre outros.

Como resposta ao aumento de casos de covid-19, a cerca sanitária foi implementada pela primeira vez, em 29 de março, no concelho de Ovar, distrito de Aveiro, e no concelho da Povoação, na ilha de São Miguel, seguindo-se, em 2 de abril, a decisão do executivo açoriano de fixar cercas sanitárias nos seis concelhos da ilha de São Miguel.

Aquando do anúncio da cerca sanitária em Rabo de Peixe, que ocorreu na terça-feira, o Governo dos Açores disse que as autoridades de saúde vão proceder à realização de “testes rápidos à população”.

No dia seguinte, na quarta-feira, o secretário da Saúde do Governo dos Açores, Clélio Meneses, reconheceu que, com a testagem de todos os moradores na vila de Rabo de Peixe, os casos de covid-19 nesta freguesia da Ribeira Grande vão “disparar”, mas defendeu que esta é uma medida “adequada, necessária e responsável” nesta fase.

Apesar de informar que a cerca sanitária vigora até às 23:59 da próxima terça-feira (8 de dezembro), o executivo açoriano ressalvou que as medidas previstas podem “ser revertidas ou revogadas a qualquer momento, tendo em conta a evolução da pandemia na região”.

Por freguesias, a vila piscatória de Rabo de Peixe é a que regista mais casos (61) nos Açores, segundo o comunicado da Autoridade Regional de Saúde.

Até quarta-feira, os Açores tinham 367 casos positivos ativos, dos quais 241 em São Miguel, 120 na Terceira, dois no Pico, dois no Faial e dois nas Flores, registando 38 cadeias de transmissão ativas, nomeadamente 27 em São Miguel, uma partilhada entre São Miguel e São Jorge, nove na Terceira e uma no Pico.

Desde o início da pandemia até às últimas 24 horas, a região autónoma dos Açores contabiliza 1.062 casos de infeção pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, que causa a doença covid-19, e 18 óbitos.

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