Fontes governamentais anunciaram que Dujovne escreveu uma carta de renúncia ao Presidente da Argentina, Mauricio Macri, na qual diz “ter posto tudo de si” e na qual também reconhece “ter cometido erros”. “Faço isto convicto de que, em virtude das circunstâncias, a gestão que lidera precisa de uma renovação definitiva na área económica”, diz Dujovne na carta que enviou a Macri e divulgada à imprensa.

“Como bem sabe, pus tudo de mim, tanto pessoal quanto profissionalmente, para contribuir na construção de uma Argentina diferente, moderna, integrada ao mundo, plural e com os equilíbrios macroeconómicos, necessários para um desenvolvimento sustentável”, explica.

“Sem dúvidas, cometemos erros que nunca deixamos de reconhecer e fizemos tudo o que foi possível para corrigir”, admite.

Nicolás Dujovne assumiu o Ministério da Economia em janeiro de 2017, quando o Governo de Maurico Macri tinha alta popularidade e iniciava um ano de crescimento económico, depois de três anos de um país em recessão. A partir de abril de 2018, a sorte de Dujovne inverteu-se, passando o ministro a ser o negociador de um pacote financeiro de ajuda de 57 mil milhões de dólares com o Fundo Monetário Internacional.

Hernán Lacunza suspendeu as suas férias na Patagónia para viajar de emergência no avião presidencial até à residência oficial de Olivos onde se reuniu com o Presidente Mauricio Macri. O resultado da reunião foi a sua confirmação como novo ministro da Economia.

Lacunza assume um país à mercê de fortes turbulências económicas. Durante a semana, o peso argentino perdeu 29% do seu valor face ao dólar (com um pico de desvalorização de 34% até quarta-feira) e a taxa de risco-país subiu 120%.

O Presidente Mauricio Macri que havia negado mudanças no seu gabinete de ministros por “não acreditar em mudanças simbólicas” cedeu à pressão de dirigentes políticos da própria coligação de governo.

A posição do agora ex-ministro Nicolás Dujovne tornou-se vulnerável depois do resultado das eleições primárias, no domingo passado, quando o candidato opositor, Alberto Fernández em associação com a ex-presidente Cristina Kirchner, ganhou as eleições por 47% com 15 pontos à frente de Mauricio Macri, candidato à reeleição.

Num país em que um candidato requer apenas 45% para ser eleito na primeira volta em 27 de outubro, a diferença desfavorável de Macri é considerada praticamente irreversível pelos analistas políticos.

A principal razão para a inesperada diferença de 15 pontos que as urnas revelaram é a recessão económica combinada com uma inflação galopante de 54,4% nos últimos 12 meses.

Mauricio Macri anunciou um pacote de medidas fiscais e económicas consideradas pelo próprio Presidente como um “alívio” para os próximos meses de aumento da inflação a partir da nova desvalorização do peso.

O novo ministro da Economia, Hernán Lacunza, tem boa sintonia com o presidente do Banco Central, Guido Sandleris, e é considerado um economista com maior jogo de cintura política, diferente do ministro que sai, de um perfil mais técnico.

Enquanto Dujovne era mais vinculado com os mercados, Lacunza é mais vinculado com o mundo político, uma virtude num período de campanha eleitoral. Nesse sentido, Macri faz também uma aposta num perfil de ministro que possa responder publicamente aos ataques da oposição à sua política económica. O objetivo é dar sinais de ter escutado a mensagens das urnas e tentar mostrar uma mudança de rumo a 70 dias das eleições.

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