“Tive a infelicidade de perder o meu pai muito cedo e isso habituou-me a estar preparado para vida contando sempre com o pior para podermos ter um amanhã mais risonho”. As palavras de Nuno ecoam brevemente no salão nobre da câmara municipal de Felgueiras. O sol do fim do inverno vem coado das janelas que se abrem sobre a praça da República.

No centro da cidade de Felgueiras, a manhã aquece nas pedras da calçada branca e no granito da fachada. Vão correndo umas obras, passam carros. Umas poucas pessoas. A cidade, no distrito do Porto, está no epicentro de um surto de infeções por SARS-CoV-2, o novo coronavírus responsável pela doença COVID-19.

Nuno Fonseca, eleito em 2017 para a primeira experiência política, é agora um homem a tentar guiar uma cidade pelo impensável.

“Aquilo que temos feito nestes últimos tempos é algo que qualquer político, nós próprios, nunca imaginaria passar durante um mandato. Neste momento estamos a fazer tudo aquilo que está ao nosso alcance, fazemos todo o esforço possível: porque tudo aquilo que fizermos será pouco para ajudar a nossa população”.

À porta da câmara municipal, um enorme cartaz: tem um sinal de STOP, um alerta. À beira dele, caminha um agente da polícia municipal, que inquire todos os que sobem a escadaria. Passado o crivo, quando entramos, temos diante da receção umas baias, que nos separam da funcionária. Cheira a álcool.

Felgueiras, no distrito do Porto, é um dos concelhos mais jovens do país. Responsável pela produção de 50% do calçado português, e com um grande peso no Produto Interno Bruto, graças às inúmeras fábricas que se espalham pelo concelho.

Agora, a imagem está manchada. “Já está manchada, quer queiramos quer não”, lamenta o autarca. “Quase me atrevia a perguntar-lhe se quando se falou em vir a Felgueiras na sua cabeça não surgiu esse estigma — mesmo que seja involuntário —, isso acontece naturalmente na cabeça das pessoas. Aquilo que nós queremos é que todos ajudem a, dentro daquelas que são as suas possibilidades, também a ultrapassar este estigma — e, acima de tudo, que ajudem a combater e a transmitir a todos os portugueses as necessidades de termos cautelas e de nos preservarmos a todos.”

Porque, agora, Felgueiras é um lugar excomungado da nacionalidade. “Sem barreiras, acabamos por estar de forma isolada aqui em Felgueiras e eu aquilo que acima de tudo queria era também transmitir isto às pessoas para que pudessem aligeirar aquela que é a sua forma de estar com os felgueirenses, que neste momento são renegados perante uma sociedade — uma sociedade informada”, lamenta.

Nuno Fonseca, presidente da câmara municipal de Felgueiras, considera que os felgueirenses têm sido discriminados fora do concelho créditos: PEDRO SOARES BOTELHO / MADREMEDIA

O impacto nota-se “sobretudo na economia”, explica o autarca. “O calçado é um dos principais motores deste concelho, mas temos mais situações, desde o setor agrícola àquilo que são os produtos endógenos. Estamos a falar do Pão de Ló, que é um produto que nesta altura de Páscoa tem uma expressão significativa — e tínhamos inclusive o Festival do Pão de Ló, que decorre nesta altura. Isto foi tudo cancelado, as empresas ligadas ao pão de ló estão também com grande dificuldade neste momento, porque não há de facto encomendas”.

Tal como o calçado, que “começa a ter um grande problema com a dificuldade em encontrar as matérias-primas, porque as pessoas também não querem fazer o contacto com as empresas” da cidade.

Depois dos apelos de há uma semana, na sequência de denúncias de incumprimento de quarentena, o autarca garante que “quem está doente está em casa, quem está de quarentena está em casa”. Ou seja, “aqueles que circulam na rua — tal como qualquer outro português — aparentemente estão de perfeita saúde, até que haja sintomas em contrário e, nessa altura, devem da mesma forma também resguardar-se, para se proteger, não só a eles, mas todos os outros com quem convivem”, afirma.

“Acima de tudo, temos de perceber que Felgueiras e Lousada, apesar de terem sido os principais focos e serem os primeiros casos a surgir em Portugal com mais intensidade, isto vai ser um problema para todos nós, não é só para aqui. Por isso, temos de saber acatar aquelas que são as recomendações de quem cientificamente sabe daquilo que está a falar — isto não se faz sozinho, não há governo nenhum, de mundo nenhum, que consiga acabar com isto; não há ninguém que consiga fazer isto de forma mais musculada. Isto depende de cada um de nós, na forma como nos precavemos e ajudamos também a combater a propagação desta pandemia, mas, acima de tudo, [por serem recomendações] que nós precisamos de acautelar”, afirma.



Cautela foi aquilo que levou Vasco, proprietário de uma loja de animais mesmo à beira dos paços do concelho, a limitar o acesso ao estabelecimento: puxou os balcões e barricou-se em frente à porta. Os clientes entram, mas assim não tocam nas coisas, que o pai ou a mulher de Vasco entregam.

"Até à data, não temos grande receio. Temos, sim, precauções”, diz Vasco. “Andava há quase um ano sem desinfetar as mãos, e agora andamos sempre a desinfetar, até por causa do dinheiro”, explica, olhando para a televisão, junto à porta, onde a RTP atualiza os dados sobre a COVID-19.

"Aqueles que financeiramente podem, fecham. Os outros não fecham e podem estar a ser um elo de contaminação, porque depois toda a gente vai àquele que está aberto”, lembra Mário, dono do Café Belém, espaço emblemático da cidade.

"As pessoas não querem dizer que estão assustadas, mas estão assustadas”, o que levou ao vazio de gente. A ampla sala do restaurante está com bastante espaço entre clientes. Se às vezes Mário enchia isto duas e três vezes, agora, fica com meia sala por volta da uma — e mais nada.

"A despesa é sempre fixa. Mas tem de se ter paciência e suportar essas despesas para tentar resolver o problema.”

Mário Cardoso, proprietário do Café Belém, lamenta que não se estejam a tomar medidas mais duras créditos: PEDRO SOARES BOTELHO / MADREMEDIA

Noutros pontos da cidade, o cenário é diferente. Na farmácia da avenida Agostinho Ribeiro, Elisabete já não tem desinfetantes. Álcool já há pouco. "O que ainda vamos tendo são algumas máscaras, mas tudo em quantidades muito reduzidas”.

Num hipermercado, as prateleiras estão compostas. Faltam, no entanto, tal como na farmácia, o álcool e os desinfetantes. Mas também a água oxigenada (e até os sabonetes revelam bastante procura). Já o papel higiénico não apresenta problemas. Num mini-mercado do centro, um frasco de desinfetante custa perto de dez euros.

Quem entra na farmácia não pede conselhos. Quer só abastecer-se dos materiais, explica a farmacêutica. Só entram duas pessoas de cada vez: uma para o balcão de atendimento, outra para a área delimitada por fitas pretas e amarelas. Não há senhas e a fila faz-se do lado de fora.

“O vírus já cá está, independentemente de onde ele tenha chegado: agora é altura de o combater da melhor forma possível e acho que estamos todos a fazer esse esforço”, afirma o presidente da câmara.

O deserto

São três e um quarto. A campainha toca na Escola de Idães. Não há rebuliço. A campainha toca, mas os corredores estão vazios. Não há crianças nem jovens a correr das salas para o recreio da tarde. Não há as funcionárias a pedir silêncio. Nem professores a gritar as páginas dos trabalhos de casa por cima do ruído das cadeiras e das mochilas. A campainha toca, mas não serve de nada.

A escola de Idães, o primeiro estabelecimento de ensino que as autoridades de saúde mandaram fechar, fica no cimo de uma elevação. É como um palácio, castelo sobranceiro à vila, vigiando-a na sua calma inóspita da ausência forçada. A freguesia tem 2.496 habitantes — 1.298 mulheres e 1.198 homens —, mas quem olhar para ela agora imagina-a como uma daquelas aldeias do interior com pouco mais de meia dúzia de velhos.

A Escola Básica e Secundária de Idães foi encerrada no dia 7 de março após uma aluna ter sido infetada. créditos: PEDRO SOARES BOTELHO / MADREMEDIA

Do outro lado da estrada, à beira do centro de saúde, só uns poucos carros. Quem dele se aproxima, é seguido por olhos atentos. Do lado de lá do vidro, uma cabeça vira-se para quem passa fora. Uns olhos brilham por trás da máscara daquele vulto todo coberto de ascético verde.

Pela vila de Barrosas, freguesia de Idães, concelho de Felgueiras, há a normalidade possível. Alguém corta lenha, denunciado pelo som da serra que rompe a calmaria do deserto.

“Se estivesse muita confusão não estava aqui”, diz um homem numa cafeteria junto à escola. Há um frasco de álcool em cima do balcão, mas é para o cheirinho no café, diz a mulher atrás do balcão, com uma apatia que não deixa perceber se fala a sério ou a brincar com o outro homem que leva um fino à boca para concluir “há menos trânsito”.

Neste café, em cujo balcão se monta um arraial de pastelaria, estão dois homens ao balcão e uma criança — o filho da mulher que serve — numa mesa. “Isto para mim é um dia normal sem escola”, vaticina a proprietária, que não nota mudanças. “Lá para o centro é que se deve ver”.

Indo da escola para o centro, no fundo de uma rua, há um portão azul a interromper um muro branco. O portão aberto revela o relvado do Centro Recreativo Popular de Barrosas, clube fundado em 1955 e a disputar a Divisão de Elite do Porto. 15.º na tabela, teve o último jogo no dia um de março — perdeu 2-1 em casa do AD Marco 09.

Lá dentro, o mesmo inóspito cenário. No café do clube, caixa de vidro com vista panorâmica para o campo, um sócio lê o jornal. É ele o responsável por hoje manter a casa aberta. Não vale a pena: ninguém entra, entristece-se o homem. Com oito camadas de futebol e mais de centena e meia de atletas, com tudo parado, o estádio do Barrosas é só mais um monstro abandonado ao sol.

O Barrosas tem oito camadas e mais de 150 atletas. Nenhum treina até ordens em contrário. créditos: PEDRO SOARES BOTELHO / MADREMEDIA

Poucas são as pessoas na rua. Dali ao centro, entre as casas e as fábricas, só duas velhas aproveitam o quentinho partir conversando. Sentadas no pátio de uma loja montada debaixo de uma casa, vão conversando. À volta delas, quem passa só passa apressado, tirando as coisas do carro e pondo-se em casa.

Quase tudo está fechado: estão as portas, os cafés, as janelas, as lojas, os carros, os bancos. Até a igreja. "Tornou-se numa coisa que nem sei explicar”, apresenta Justino Pacheco, ou Tino, no largo do Sr. Bom Jesus, o centro de Barrosas.

"Agora estão a levar mais a sério", conta Tino, à beira da estrada. É o fim da tarde em Idães. Hora de ponta na vila de Barrosas, onde se concentram grande parte das fábricas de calçado.

Apesar da hora, o trânsito desapareceu. As pessoas sumiram. O povo recatou-se em fuga ao bicho. "Primeiro pensavam que era uma gripe. Agora não. Estão a ver as coisas a aumentar cada vez mais e já estão a temer mais um bocadinho”.

"Agora, o tema nas fábricas é isto: mais a mulheres, que temem mais um bocadito, o que é normal. Têm medo. Na nossa fábrica, na segunda foi um rapaz que se sentiu mal, hoje foi um mulher também... São os nervos e depois só pensam nisso, têm medo por causa dos filhos, têm medo”, vai contando o homem.

Tino é o trabalhador número 172 na fábrica de calçado Rambóia. Na indústria, ao medo, à incerteza, junta-se ainda a falta de material que "vai fazer muita fábrica parar. A Itália parou, a China foi o que foi. E está-se a ver", lamenta Tino. "Esteve-se agora dois meses e pouco havia que fazer. Estava agora a vir o trabalho."

"Isto vai dar uma crise... Nem é bom pensar nisso. Nem é bom. Uma zona como a nossa, onde só vendemos disto dos sapatos. Aqui em Barrosas não se faz mais nada: são sapatos, solas, é o que há."

Mas "uma pessoa não pode ter medo, tem de se ter cuidado”, afiança. “Na fábrica, o meu patrão pôs um sabão para cada pessoa, temos álcool espalhado para as mãos. Ao entrar e ao sair temos de lavar as mãos; picávamos o ponto com o dedo e agora é só com o cartão, deu-nos cartões novos”, explica.

Muitas lojas, cafés, restaurantes e outros serviços em Idães estou encerrados por precaução. créditos: PEDRO SOARES BOTELHO / MADREMEDIA

Os casos vêm ali do lado, Santo Estevão de Barrosas, já no concelho de Lousada. É lá a Ferjor, onde surgiram as primeiras infeções pelo SARS-CoV-2 em Portugal.

"Se formos a ver, ali de Lousada, a maior parte do que está infetado é quase tudo família. Foi o dono da fábrica, foram os cunhados, depois foram os pais, porque se juntou o fim de semana e tiveram um jantar de família. E estão todos internados, dos filhos aos pais."

Os casos continuam a surgir: “ontem [quarta-feira, 11 de março] vieram buscar outro empregado também. Está a aparecer. Agora apareceu este, que se sentiu mal e veio a ambulância buscá-lo."

"Está muita gente de quarentena porquê? Aqui é uma zona onde nós, à sexta-feira e assim, nos juntamos muito para jantares e foi o azar. Esteve-se com essas pessoas, depois claro, eles perguntam: 'Então, você esteve com quem?', 'Estive com fulano', 'E com quem é que ele esteve?', 'Esteve com fulano'. Obrigou a meter mais gente de quarentena”, afirma Tino.

Passa um carro da RTP. Abranda uns metros à frente. "Devem ir ali para a minha prima", diz Justino.

A prima é Palmira Faria, presidente da junta, que já desistiu das entrevistas. "Desde já as minhas desculpas", escreveu numa mensagem de texto ao SAPO24, após remeter quaisquer esclarecimentos para Nuno Fonseca, o presidente da câmara.

Palmira trabalha numa loja de seguros, em Idães, com o pai. Antes, quarta-feira, 11 de  março, é ele quem atende o telemóvel que a filha deixou no escritório: "não sei onde ela anda", conta o homem ao SAPO24. "Agora é que vi o telemóvel a tocar e atendi. Ela anda numa correria".

"Já há uma semana que não tenho empregada", ouviu Justino da boca do tio. "Aqui houve dois dias ou três que era sempre: na hora do meio dia, lá estavam aqui [os jornalistas]”, conta.

Na sexta-feira, 13 de março, Sandra Felgueiras, jornalista que é filha da ex-autarca da cidade com o mesmo nome, apresentou no programa "Sexta às 9", da emissora pública, a rede de contágios entre familiares que já Justino revelara e foi encerrando as fábricas daqueles polos industriais.

"Se eu estou de quarentena em casa, a minha esposa também tem de ficar. Aqui não havia isso: por exemplo estava a esposa e o marido ia trabalhar na mesma". Porém, explica Justino, depois dos apelos da presidente da junta e do presidente da câmara as pessoas estão mais atentas.

"Dantes aqui era um trânsito que Deus me livre, pessoas a pé, tudo... Agora não. Parece que as pessoas sumiram. Não se vê ninguém. Antes uma pessoa vinha até aqui fora, conversava-se um bocado. Agora... Não há."

"Na primeira semana, você chegava aqui e estava tudo na mesma. 'É uma gripezita, foi ali em baixo, não afeta aqui para cima' — mas não e assim. As coisas correram mal, não foi aquilo que nós pensávamos”, lamenta.

"Aqui em Santo Estevão apareceu uma pessoa pelo café dentro e o homem pô-lo lá fora. Os próprios colegas começaram a berrar com ele, que havia de estar dentro de casa", conta.

"Quando é uma pessoa de fora, uma pessoa que a gente não conhece... Agora não, estamos a ver pessoas conhecidas, pessoas amigas com isso… Quando não se conhece, é mau, mas uma pessoa não tem aquela emoção. Mas quando é assim, pessoas conhecidas, amigos com quem se convive todos os dias no café..."

"Uma família inteira, é mau, é muito mau”, desabafa o homem, sem se perceber se o diz realmente ou se assusta apenas.

As lições

Sem querer, a par de Lousada, Felgueiras tornou-se protagonista nacional de uma pandemia global. Da câmara de Lousada, liderada pelo socialista Pedro Pacheco, chegou apenas a promessa de uma eventual resposta ao pedido de entrevista. Até à hora de publicação deste texto, não aconteceu.

No centro da vila, nota-se movimento. Há gente nas ruas, nos cafés. Aqui, nota-se o fim da tarde. Uma padaria no centro, de montra ao sol, com vista para os repuxos, tem quatro clientes sentados nas mesas. Alguns vão ao balcão, diante de cuja caixa registadora se impõe a bisnaga de gel alcoólico.

Lá em cima, junto à capela do Senhor dos Aflitos, um casal de adolescentes vai namorando: não há ali mais ninguém — nem sequer a porta da capela está aberta para acudir aos eventuais aflitos.

No centro da cidade vizinha, o ambiente era outro. Mesmo assim, "as pessoas já tiveram mais medo do que estão a ter nestes dias”, conta Ana, na padaria de Felgueiras. “Acho que pelo facto de eles falarem no vírus, as pessoas voltaram a vir ao comércio [local] .”

"Há cinquenta por cento de pessoas que continuam a brincar com a situação, e há outros cinquenta por cento de pessoas que têm medo e têm receio, até por causa dos familiares mais idosos, ou até dos próprios filhos”, nota Vasco, na loja de animais à beira da câmara de Felgueiras.

Na farmácia, Elisabete concorda: "Neste momento existem dois tipos de pessoas, as que estão extremamente alarmadas e as pessoas que não estão a valorizar nada este tipo de situação. Quem devia tomar as devidas precauções é quem está menos alarmado. E quem deveria estar em casa não está e quem poderia estar a fazer a vida normal está um bocadinho mais em pânico do que se calhar podia estar se as pessoas que deviam tomar os cuidados os tivessem tomado.”

"Temos vários clientes que deviam em quarentena e não estão”, conta Ana. “Nós temos cuidados redobrados, claro, mas por mais cuidados que uma pessoa tenha... Está em contacto com outras pessoas."

"Álcool, gel, desinfetante, o sabão azul, estamos a usar luvas, a tentar manter a distância de segurança em relação às pessoas — mas enquanto isto estiver aberto é impossível não termos gente cá dentro e gente em contacto umas com as outras: não dá."

Por isso, fechar é o caminho: "acho é que eles já deviam ter tomado essa medida há mais tempo", afirma. "Lá está, pessoas de Idães e Barrosas que deviam ter estado em quarentena não estiveram, vieram para aqui para a missa, vieram aos nossos estabelecimentos. Se eles tivessem tomado essa medida antes, se calhar tinham travado o vírus mais rápido", acredita.

"Agora vai haver uma quebra ainda maior”.

"A imprensa não devia dar tanta alarido só a Felgueiras”, diz Mário, no Café Belém. “Isto é o país, é um problema mundial, não é um problema só concelhio. Mas se se tivessem tomado algumas medidas quando apareceram os primeiros quatro, cinco, seis casos naquela zona específica, se a isolassem, não teríamos tantos casos como temos aqui em Felgueiras.”

Ana acha até que se o primeiro caso tivesse surgido em Lisboa, "tinham tomado outras medidas”.

“Se já dormia pouco, agora durmo muito menos”, diz o presidente da câmara. “Tenho dormido duas, três horas por dia. Tenho acima de tudo estado com o coração nas mãos, porque a gente nunca sabe em cada minuto, em cada segundo o que é que vai mudar e temos de estar preparados para qualquer situação menos boa que possa surgir.”

“Aquilo que tenho aprendido disto é que não adianta andarmos de costas voltadas uns com os outros, seja por que motivo for, porque em determinado momento haverá alguma coisa que nos fará unir e este é um desses momentos — em que devemos estar todos unidos e combater aquilo que é necessário: esta doença.”


Nota: após todos os cuidados tidos antes e durante a realização desta reportagem, o jornalista isolou-se voluntariamente, em casa, fazendo um auto-registo de temperatura e sintomas pelos 14 dias recomendados pelas autoridades de saúde. À data da publicação deste trabalho, não revela sinais de infeção por SARS-CoV-2, o novo coronavírus responsável pela doença COVID-19.

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