"Vários outros países europeus já trabalharam na regulamentação do setor, impedindo que o acesso a ferramentas de manipulação de fechaduras seja livre. Neste momento, em Portugal, não existe nenhum tipo de regulamentação nem credenciação", disse à agência lusa o presidente da APECSS, Ricardo Jardim.

O pedido ao Parlamento para que seja criado um grupo de trabalho para discutir este tema já está a ser alvo de uma petição ‘online' e entre hoje a domingo decorre no Porto a convenção anual internacional do European Locksmith Federation (ELF), um congresso que junta mais de mil profissionais de 46 países.

Ricardo Jardim explicou que a regulamentação é um "grande desafio" para Portugal, país onde, segundo um estudo da APECSS, "80% das fechaduras das casas não são seguras".

"Quem recorre ao serviço [de abertura de portas por exemplo] não tem a garantia de que quem o faz tem as competências necessárias. Qualquer pessoa pode adquirir ferramentas para manipular fechaduras e entrar em habitações, empresas ou viaturas. Há muita facilidade e nenhum controlo", descreveu Ricardo Jardim.

Questionado sobre consequências desta situação, o presidente da APECSS lançou o provérbio português "casa assaltada, trancas à porta" e contou que, em Espanha, o que espoletou "uma preocupação grande a nível oficial foi o facto de a habitação de um ministro ter sido assaltada sem nenhuma evidência de tentativa de assalto, logo a entrada terá sido feita através de ferramentas de manipulação de fechaduras".

A convenção anual internacional do ELF vai realizar-se pela primeira vez em Portugal, com o Porto Palácio Congress Hotel a acolher o evento que arranca no dia em que entra em vigor o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados.

Também serão debatidas as implicações na segurança de fechaduras mecânicas e eletromecânicas como consequência do avanço tecnológico de impressões 3D.

"A adoção de tecnologias que já nos permitem, por exemplo, abrir a porta à distância com recurso a ‘smartphones’ levanta questões de segurança. No entanto, os atuais sistemas são tão antiquados e frágeis, que certamente a tecnologia vem contribuir para melhorar", descreveu Ricardo Jardim.

Estados Unidos da América, Brasil, China, Suécia, Líbano, Nigéria e Turquia são alguns dos países que inscreveram técnicos na convenção que contará com oradores como Marc Tobias, advogado de investigação norte-americano especializado em fechaduras, bem como o venezuelano Tobias Bluzmanis, especialista em métodos de intrusão, ou o professor australiano Aaron Smith que falará das novas tecnologias.

De acordo com a organização, Marc Tobias analisou e alertou para vários problemas nos sistemas de segurança da Casa Branca e do Pentágono, nos EUA, colaborando com agências governamentais como o FBI.

Fundada em 1984, a European Locksmith Federation representa atualmente 21 associações, 2.000 empresas especializadas, 12.000 técnicos e 19 produtores/distribuidores. A Associação Portuguesa de Empresas de Chaves e Sistemas de Segurança é membro da ELF desde 2014.

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