“Mas devemos fazer estas comemorações para celebrar o passado, como Salazar em 1940? Nunca. Fazemos estas comemorações para celebrar o futuro”, disse Augusto Santos Silva no decurso de uma audição perante a Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portugueses sobre a 40.ª reunião da Comissão bilateral permanente entre os EUA e Portugal.

O chefe da diplomacia acrescentou que estas celebrações também incluem “todos os países cujas nacionalidades são os membros da expedição de Magalhães-Elcano, com Espanha certamente, com o Chile, África do Sul, Cabo Verde, Filipinas, Indonésia, Timor, Bornéu, Uruguai, Argentina”.

E esclareceu perante os deputados presentes: “A ideia de apresentação conjunta à Unesco da rota Magalhães-Elcano, que une estes 14 países, por Portugal e por Espanha e todos os países que se quiserem associar, é uma ideia extremamente generosa que valorizará este feito global de muita gente”.

O ministro esclareceu que, na sua área e no âmbito desta iniciativa, não se relaciona “com um jornal conservador espanhol nem com a Real Academia de Espanha”, mas antes “com o Estado espanhol”.

“Relaciono-me com o Estado espanhol, através do Governo espanhol, e tenho dois interlocutores, o ministro dos Exteriores de Espanha, que visita Portugal na sexta-feira, e por presidir à comissão nacional tenho como interlocutora a vice-presidente do Governo de Espanha”, adiantou durante a audição, após requerimento do grupo parlamentar do PSD.

Augusto Santos Silva esclareceu que cada país terá “o seu próprio programa nacional de comemorações” do V Centenário desta epopeia marítima.

“Em Portugal falamos da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães, e em Espanha fala-se na viagem de Hernando de Magallanes, porque mudou de nome… e acrescenta sempre Sebastián Elcano”, sustentou, aluindo ainda aos 14 países abrangidos pela viagem e aos “programas próprios” que diversos países estão a organizar.

“Mas Fernão de Magalhães é português, tem um propósito que é recusado por D. Manuel I, que tinha um motivo mais que legítimo para recusar esse empreendimento, que era a violação grosseira do Tratado de Tordesilhas”, referiu numa abordagem histórica, que considerou pouco recomendável nas lides políticas comuns.

“Mas nem a Academia Real de Espanha pode retirar aos portugueses este facto. Foi um português que atravessou com uma frota comandada por si o imenso Pacífico, e que descobriu o estreito, o Estreito de Magalhães”, destacou.

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