O ministro advogou hoje o incremento da cooperação transfronteiriça, que é o tema da cimeira bilateral entre Portugal e Espanha que decorre, no início da próxima semana, em Vila Real, numa intervenção num almoço promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola, em Lisboa.

Santos Silva referiu que "já hoje o espaço raiano é um espaço de circulação livre e é o espaço de referência de centenas de milhares de pessoas, na sua vida quotidiana", apontando ainda a cooperação entre universidades e institutos politécnicos dos dois países e a procura, por milhares de alunos, do ensino da língua portuguesa já oferecido nas escolas nas comunidades espanholas da Galiza, Extremadura e Andaluzia.

"Precisamos de dar uma escala económica e política a esta cooperação que já se vai fazendo, tornando-a como um tema importante para o trabalho conjunto dos dois países, das suas sociedades civis, das suas instituições, das suas empresas e dos seus trabalhadores", sustentou.

Para o ministro, o espaço transfronteiriço é "quase um diamante por lapidar".

"Precisa apenas de maior atenção da nossa parte, de instrumentos de política pública, de incentivos económicos mais adequados e de divulgação das muitas oportunidades que existem para o desenvolvimento local e regional no espaço raiano", defendeu.

O aumento da cooperação transfronteiriça foi um "desafio circunstancial" para os dois países que o chefe da diplomacia portuguesa identificou, a par da saída do Reino Unido da União Europeia ('Brexit').

Santos Silva comentou que é impossível prever o que vai acontecer e, por isso, sustentou: "Estamos numa daquelas circunstâncias em que os nossos navegadores portugueses e castelhanos do século XV recomendariam que se navegasse à bolina, perto da costa, avançando aos poucos e com cuidado e prudência".

Os 27 Estados-membros "que querem continuar na União Europeia" enfrentam este desafio, disse o ministro, e, em particular, Portugal e Espanha estão a cooperar entre si na resposta ao 'Brexit'.

Na sua intervenção, o chefe da diplomacia portuguesa assinalou o modo como, no último quartel do século passado, com as transições democráticas e a integração europeia, Lisboa e Madrid deixaram de estar de costas voltadas.

Antes da revolução do 25 de abril, a política externa portuguesa tinha, como "princípio número um" a ideia de que, "onde Espanha estivesse, Portugal não estava", recordou.

Em matéria europeia, o governante sublinhou a proximidade de posições das autoridades portuguesas e espanholas e comentou: "Não é por acaso que, hoje se fala, no que diz respeito ao futuro da direção do Eurogrupo, fala-se ora no ministro da Economia de Espanha ora no ministro das Finanças de Portugal".

"As propostas que os dois países estão a apresentar são as mesmas. Ambos os países têm interesse em completar a união económica e monetária, em batalhar por capacidade orçamental própria da zona euro, em defender a transformação progressiva do mecanismo europeu de estabilidade num verdadeiro fundo monetário europeu e em completar a zona monetária de forma a torná-la num instrumento favorável também para a convergência económica", exemplificou.

Santos Silva salientou depois as "mudanças muito importantes" a ocorrer na economia portuguesa e que "favorecem o desenvolvimento das relações económicas" na Península Ibérica: maior abertura e internacionalização da economia portuguesa, maior equilíbrio externo, retoma do crescimento económico e melhoria do ambiente socioeconómico.

Durante o almoço, a Câmara de Comércio Luso-Espanhola homenageou o embaixador espanhol em Lisboa, Juan Manuel de Barandica, que deixará o posto dentro de três semanas, e distinguiu o presidente do banco Santander Totta, António Vieira Monteiro, como melhor gestor português 2015-2016.

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