Escreve o jornal O Globo que Jair Bolsonaro, à saída do Palácio da Alvorada, residência oficial do Presidente, respondeu da seguinte forma quando questionado sobre os incêndios criminosos na Amazónia: "O Leonardo DiCaprio é um cara legal, não é? Dando dinheiro para tacar fogo na Amazónia".

Esta não foi a única referência do líder do governo brasileiro ao ator, tendo 24 horas antes feito uma acusação semelhante numa transmissão em direto no Facebook:

"Me acusaram de tudo quanto é jeito de ser conivente com as queimadas. Eu falei que suspeitava - deixei bem claro - suspeitava de ONGs. Pronto, a imprensa três, quatro dias comendo meu fígado pelo Brasil... Bem, a casa caiu", começou por dizer. "Uma ONG contratou, pagou 70 mil reais por uma fotografia de queimada. Então o pessoal ali da ONG, o que eles fizeram, o que é mais fácil? Taca fogo no mato. Tira foto, filma, manda para a ONG, a ONG divulga aquilo, faz uma campanha contra o Brasil, entra em contato com o Leonardo DiCaprio, o Leonardo DiCaprio doa 500 mil dólares para essa ONG. Uma parte foi para o pessoal que estava tocando fogo. Leonardo DiCaprio, você está colaborando com a queimada na Amazônia, assim não dá", continuou.

Bolsonaro referia-se neste vídeo à detenção de quatro homens em Alter do Chão, no Pará, acusados de atear fogo à floresta. No entanto, os quatro homens foram soltos na quinta-feira, depois da Justiça determinar a sua libertação.

Nesse mesmo dia, Eduardo Bolsonaro, filho do Presidente do Brasil, acusou também DiCaprio de "doar 300 mil dólares à ONG que tocou fogo na Amazónia. A ONG WWF pagou 70 mil reais pelas fotos da floresta em chamas", escreveu.

Em comunicado emitido na sexta-feira, Leonardo DiCaprio negou ter feito doações à WWF — o que a própria WWF confirmou. A ONG, por sua vez, negou ter comprado imagens ao grupo detido, afirmando apenas que "o fornecimento de fotos por qualquer parceiro da organização é inerente à comprovação das ações realizadas, essencial à prestação de contas dos recursos recebidos e sua destinação no âmbito dos Contratos de Parceria Técnico-Financeira".

Segundo o Ministério Público Federal, todavia, não há elementos na investigação que apontem para a participação dos homens detidos — denominados brigadistas — ou de organizações da sociedade civil nos incêndios.

Como surge o nome de DiCaprio? Em agosto, por altura dos grandes fogos na Amazónia, noticiados em todo o mundo, o ator norte-americano comprometeu-se a doar 5 milhões de dólares para proteger a Amazónia, recorda o The Guardian, que também noticiou esta acusação polémica.

Desde que assumiu a presidência do Brasil que Jair Bolsonaro  mostrou-se crítico das ONGs que atuam na Amazónia, assim como organizações ou líderes estrangeiros que não aprovam a sua posição relativamente à preservação do ambiente.

A título de exemplo, o jornal britânico recorda declarações de Bolsonaro em 2018 ao The Guardian: Este negócio cobarde das ONGs internacionais, como a WWF e tantos outros em Inglaterra que metem o nariz nos assuntos do Brasil, vai acabar! Este absurdo para aqui!".

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