Com um enredo denominado “História pra ninar gente grande”, a escola contou a história do Brasil pela ótica dos heróis populares, contando com uma homenagem a Marielle Franco, morta a tiro em 14 de março do ano passado no Rio de Janeiro, tendo a viúva da vereadora, Mónica Benício, participado no desfile.

A escola deu ainda destaque a heróis da resistência que não são reconhecidos na maioria dos livros escolares, como negros e índios, e questionou a ditadura militar, elogiada pelo governo de Jair Bolsonaro.

O anúncio da nota decisiva, no Quesito Fantasias, foi recebido com uma explosão de alegria na sede do Palácio do Samba, quadra da verde e rosa, no Maracanã, bairro da zona norte da cidade.

Este é já o vigésimo título alcançado pela 'Mangueira', sendo a segunda escola de samba do Rio de Janeiro com mais títulos acumulados, ficando atrás apenas da 'Portela'.

O Carnaval do Rio de Janeiro, considerado a maior festa a céu aberto do mundo, começou oficialmente na sexta-feira e bateu recordes de público, com mais de um milhão de foliões nos blocos de rua realizados durante o fim de semana, informou a prefeitura daquela cidade brasileira.

A festa mais emblemática do Brasil representou este ano um investimento de 72,4 milhões de reais (cerca de 17 milhões de euros) no Rio de Janeiro.

"Recado político"

O desfile "é um recado político para todo o país, têm de entender que isto aqui é importante. É um recado político também para o presidente mostrar que o carnaval é isto aqui. O carnaval é a festa do povo. O carnaval é cultura popular. O carnaval não é o que ele acha que é", disse o carnavalesco Leandro Vieira, ao comemorar o título, em alusão a um tweet polémico de Bolsonaro.

Na terça-feira, o presidente, que foi alvo de ironias e críticas por foliões em todo o país, publicou um vídeo pornográfico na sua conta pessoal no Twitter, associando o carnaval de rua à prática de atos obscenos.  "Não me sinto confortável em mostrar, mas temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro. Comentem e tirem suas conclusões", escreveu o presidente.

O vídeo postado na terça-feira, com 40 segundos de duração, mostra três homens a sambar sobre o teto de uma paragem de táxis numa movimentada rua de São Paulo durante a passagem de um bloco. Um deles, a usar um fato de sado-masoquismo que deixou as suas nádegas expostas, mostra as nádegas para o público e aparentemente introduz o dedo no ânus. Em seguida, baixa a cabeça e o outro homem urina sobre os seus cabelos, para delírio de quem assiste à cena.

O vídeo foi postado no final da tarde de terça-feira na conta do Twitter de Bolsonaro, que tem 3,46 milhões de seguidores.

O "post", que até esta manhã tinha 2,43 milhões de visualizações, entrou para os 'trending topics' da rede social global, com três hashtags: a dos adversários de Bolsonaro, que exigem a sua saída (#ImpeachmentBolsonaro), dos seus defensores (#BolsonaroTemRazao) e de um terceiro mais genérico (#goldenshowerpresident).

Noutro tweet publicado nesta quarta, em plena controvérsia, o presidente ainda pergunta: "O que é 'golden shower'?", referindo-se a um termo que descreve o ato de urinar na pessoa com quem se mantém uma relação sexual.

Alguns comentários mais críticos acusam o presidente de usar uma cena isolada para desprestigiar o Carnaval. Outros censuraram-no pela falta de decoro ao não postar o alerta de conteúdo que não era adequado para menores e perguntaram se a publicação não viola as regras do Twitter.

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