Com três anos de seca em Cabo Verde, os efeitos são muitos e um deles é o abandono dos burros nos campos da ilha cabo-verdiana da Boa Vista, um animal que foi um dos primeiros meios de transporte de pessoas e cargas na segunda ilha mais turística do país.

Por isso, estão a deixar os campos agrestes e a invadir a cidade de Sal Rei à procura de água e pasto, disse à agência Lusa Emiliano Santos, um dos mentores de um projeto denominado “Burrinho”, para preservar este animal e fixá-los novamente nos campos.

Segundo o porta-voz do grupo de cidadãos boavistense, o projeto consiste em construir bebedouros nas zonas agrícolas e de criação, para evitar que os asnos invadam a cidade de Sal Rei, o centro da ilha da Boa Vista, e mantê-los nos seus habitats.

Durante o dia, Emiliano Santos deu conta que há “centenas ou milhares” de burros a circular nas zonas rurais, mas ao cair da noite atravessam estradas, causando muitos acidentes de viação.

Além disso, afirmou que quando chegam à cidade ficam a deambular pelas ruas, fazem muito barulho durante a madrugada e vasculham os contentores de lixo à procura de comida.

“O grande problema são os burros abandonados, porque no passado cada criador colocava o animal na sua cerca porque era o seu meio de transporte”, recordou o porta-voz do grupo, referindo que em Sal Rei os burros aproximam-se dos estaleiros de obras à procura de água.

Neste sentido, pediu sensibilidade da população e dos construtores civis em Sal Rei para fornecerem água aos animais enquanto o projeto está a ser montado.

No que diz respeito ao pasto, Emiliano Santos, mais conhecido por Djidjuka, disse que é “um problema grave”, mas salientou que os burros têm grande capacidade de sobrevivência, e muita gente até ironiza que estão bem tratados, não obstante os três anos de seca no país e na ilha.

O projeto pretende ainda adquirir alimentos que serão colocados em pontos estratégicos da ilha, mas o foco principal é a criação dos bebedouros, tendo já conseguido alguns parceiros e empresas interessadas e quer envolver a sociedade civil.

Emiliano Santos disse que já tem o aval da empresa Águas e Energia da Boa Vista (AEB), que assegura os serviços de produção e distribuição de água e energia na ilha, mas que precisa também de serviços de transporte.

“O projeto não tem prazo. Enquanto estivermos a enfrentar a seca, há dificuldade dos burros se alimentarem e queremos alimentá-los”, frisou a mesma fonte, para quem só a chuva poderia ajudar a ultrapassar o problema com maior celeridade.

Além dos burros, Emiliano Santos frisou que os bebedores vão beneficiar também as vacas, cabras, entre outros animais na também conhecida como “Ilha das Dunas”, com praias de areia branca que ocupam uma extensão superior a 50 quilómetros.

Mas neste momento a ilha, que registou o primeiro caso de covid-19, está praticamente parada, porque o país está encerrado desde 19 de março a voos internacionais, sem prazo para retoma da atividade turística.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), a Boa Vista tinha em 2018 uma população residente de 17.707 habitantes, em que 43,6% é natural de outro concelho e 11,1% população é imigrante.

Com 26 estabelecimentos hoteleiros em 2018, a ilha registou 1.671.127 dormidas, correspondendo a 33,9% do total a nível nacional nesse ano, só ultrapassada pela ilha do Sal, com 50,04%.

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