Joaquim Faustino falava à Lusa, a propósito de uma notícia do jornal i, que dava conta do desaparecimento de um exemplar raro d’”Os Lusíadas”, avaliado em 100 mil euros, além de outras peças, como um candeeiro de cristal avaliado em 150 mil euros.

A mesma notícia afirmava que não existe qualquer inventário dos objetos que pertencem ao Ateneu.

Joaquim Faustino garantiu que “há inventários no Ateneu desde a sua existência, em livros próprios” e que neste momento estão responsáveis do pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa no edifício, mais concretamente no cofre principal, a verificar os exemplares d’”Os Lusíadas” que lá existem.

“Neste momento, com a colaboração da câmara, estamos a fazer o levantamento de tudo, a identificação obra a obra e, simultaneamente, a sua classificação”, afirmou.

Um dos objetivos é verificar se existem todas as peças e documentos que estão nos inventários do Ateneu, e só depois desse trabalho é que se pode concluir se desapareceu alguma coisa, defendeu.

No entanto, Joaquim Faustino não tem dúvidas de que o que existia à data de 2012, quando tomou posse, é o que existe atualmente, e se alguma coisa desapareceu, foi anterior.

“Desde 2011 nada desapareceu, até porque [os elementos da] direção de 2011 são os elementos que têm acompanhado tudo isto”.

Especificamente sobre o exemplar raro de “Os Lusíadas” que o jornal afirmava ter desaparecido, e sobre uma declaração que o presidente do Ateneu terá feito em 2012, durante uma assembleia de credores, de que havia um volume de “Os Lusíadas” “que de tão valioso deveria estar na Torre do Tombo”, Joaquim Faustino responde: “São leituras que se fazem cortando palavras. Eu disse que se esse livro existisse, deveria estar era na Torre do Tombo”.

Joaquim Faustino sublinhou ainda que qualquer pessoa pode consultar o processo de insolvência, que é público, “na medida em que os inventários foram juntos com o processo”.

Silvestre Lacerda, diretor da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), disse à Lusa que o referido livro não se encontra na Torre do Tombo e nem faria sentido lá estar, porque uma edição rara de “Os Lusíadas” é património bibliográfico, e não arquivístico, pelo que quem trata é a Biblioteca Nacional de Portugal (BNP).

No entanto, garante que “não houve nenhum contacto, nem do Ateneu, nem de ninguém” sobre o referido exemplar, porque se tivesse havido, a DGLAB teria contactado com a BNP, “para reorientar uma peça com essas características”.

Quanto ao candeeiro de cristal que alegadamente desapareceu, Joaquim Faustino afirmou ser impossível, porque com a dimensão e o peso que os lustres têm, “só saem com uma grua”.

A intervenção da autarquia lisboeta no Ateneu já vem de trás, contou, explicando que o departamento de Cultura, em determinada fase do processo, quando esteve em liquidação, entrou em contacto para “fazer uma inventariação, porque o espólio seria entregue à câmara caso houvesse liquidação”.

“Como não houve liquidação, mas sim recuperação, neste momento houve um entendimento entre a Câmara Municipal de Lisboa e o Ateneu, e está a ajudar a fazer um levantamento total de todo o acervo de documentos bem como a sua classificação, ficando o mesmo no Ateneu”.

Fonte da Câmara de Lisboa já tinha dito à Lusa que havia “um grupo de trabalho da CML” que estava a “preparar a realização do inventário”.

Joaquim Faustino disse que quando chegou ao Ateneu “havia dívidas e não havia um tostão”, e teve de fazer “uma limpeza de determinadas coisas” e que “houve pessoas que não ficaram agradadas” com a sua gestão.

“Estas notícias mais não são do que o repetir de petições, que deram entrada em tribunal que foram apreciadas e arquivadas, porque não têm qualquer fundamento, das mesmas pessoas”, afirmou.

Em julho deste ano, o Ateneu Comercial de Lisboa deu a conhecer ter chegado a acordo com um investidor para retomar atividade nas Portas de Santo Antão, no Palácio dos Condes de Povolide, que vai ser reabilitado, depois de ter atravessado um processo de insolvência desde 2012.

Em comunicado, a instituição centenária lembrava que o processo de insolvência determinava a sua extinção, caso não fosse aplicado um plano de recuperação judicial, e referia que a solução encontrada iria permitir reabrir o espaço, encerrado há mais de 10 anos, e inverter o seu “elevado estado de degradação”.

“A alternativa era o clube ficar sem sede, fechar de vez e extinguir-se definitivamente. Com a aceitação da nossa proposta junto do atual parceiro e investidor local será possível manter a sede do Ateneu nas suas históricas instalações, preservar algumas das suas atividades lúdicas e associativas, bem como manter todo o seu espólio”, descreveu na altura Joaquim Faustino.

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